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Los reyes magos Em Espanha, a entrega de presentes de Natal dá-se a 6 de Dezembro, Dia de Reis, e o porquê é algo que o jovem Jimmy (Ricardo Gómez) quer saber, suscitando a história do seu tio Alfredo (José Sancho). Este conta como em tempos o mundo era dominado por magia negra, e os feiticeiros demoníacos procuravam mais poder e riqueza. Nesse mundo surgiram três magos bons, que viram numa estrela o sinal de que algo estava para mudar. Eles eram Gaspar (José Coronado), Melchior (Juan Echanove) e Baltazar (Imanol Arias), que se encontraram na viagem, onde, com a ajuda do jovem Tobias (David Robles), um ex-general de Herodes, e de Sara (Mar Bordallo), uma pretendente a revolucionária, conseguiram encontrar a esperança, no nascimento de Cristo.

Análise:

A relembrar que em Espanha o Natal se prolonga até dia 6 de Janeiro, com a entrega dos presentes a ser feita nesse dia e atribuída aos reis magos, Antonio Navarro concebeu um filme de animação que tem esse dia como fulcro, numa história que celebriza os ditos reis magos, Gaspar, Melchior e Baltazar.

Longe da qualidade técnica dos grandes estúdios norte-americanos, “Os 3 Reis Magos” tem o atractivo de nos contar uma história diferente, plena de originalidade, pese o facto de se preocupar mais com o gosto moderno que com o respeito pela tradição. Tal como se diz logo no prólogo, no qual Jimmy (voz de Ricardo Gómez), um rapaz dos nossos dias, quer saber mais sobre os reis magos, mas só se a história tiver acção, aventura, raparigas bonitas e tesouros, é isso que Antonio Navarro decide fazer, na voz de Alfredo (voz de José Sancho), o tio de Jimmy, que narra como Gaspar (voz de José Coronado), Melchior (voz de Juan Echanove) e Baltazar (voz de Imanol Arias) deixaram as suas terras distantes, seguindo uma estrela que os levaria ao local do nascimento de Cristo.

Nesse fundo de originalidade, o mundo é-nos descrito como um local dominado por magia, a negra, de feiticeiros e demónios que mudavam de forma (de guerreiros a uma espécie de lobisomens), mas também a dos magos bons, que lutavam para a manter benévola. É entre estes que se encontram os três magos nominais, dedicados ao bem, ao estudo e a compreender os sinais dos céus, que os guiam através do deserto, em busca de uma estrela. Aí, eles imiscuem-se numa segunda história que os leva a encontrar Tobias (voz de David Robles) e Sara (voz de Mar Bordallo), ele um general de Herodes (voz de Javier Gurruchaga), que passa a duvidar das boas intenções do seu rei, e ela uma revolucionária, que luta contra a tirania do rei, e tenta reunir lutadores que o deponham. Quando os feiticeiros e monstros do demoníaco Belial (voz de José Luis Angulo), uma espécie de conselheiro maléfico de Herodes, os tentam parar várias vezes, os cinco heróis vão reunir-se na sua convicção de que seguir a estrela é a forma de vencerem o mal. Esta leva-os, como sabemos, a Belém, onde reconhecem no nascimento do Cristo a salvação que esperavam. Está assim explicada a celebração de 6 de Dezembro.

O resultado é uma história bem movimentada, com vários pontos de humor, que passam pelo ar desastrado de Melchior, pelos falhanços dos bandidos, e pelas personificações de alguns dos animais (aqui na tradição Disney), onde não faltam os momentos de lutas e aventura, e uma insinuada história romântica, com a impetuosa Sara a sucumbir ao inicialmente resoluto, e depois desiludido, Tobias, que acreditava em Herodes até perceber que este não era o que se pensava. Mais que um enquadramento religioso, ou mesmo político que descreva os tempos de Cristo, “Os 3 Reis Magos” são simplesmente uma história ligeira de aventura e diversão, que poderia passar-se noutro qualquer tempo. Fica no entanto o destaque da sua originalidade, e a feliz forma de romancear a história dos reis magos ligando-a à citada tradição espanhola de entrega de presentes.

O filme foi inicialmente pensado para o mercado anglófono, com vozes gravadas tanto por actores ingleses como por espanhóis. O falhanço na distribuição levou a que apenas a versão espanhola chegasse às salas de cinema. Só mais tarde houve interesse da Disney/Walmart numa distribuição nos Estados Unidos, e aí optou-se por nova dobragem, com vozes de sotaque americano, como foram os casos de Martin Sheen e Emilio Estevez.

Imagem de "Os 3 Reis Magos" (Los reyes magos, 2003), de Antonio Navarro

Produção:

Título original: Los reyes magos; Produção: Animagicstudio / Carrere Group D.A. / TeleMadrid; Produtor Executivo: Fernando Martín Sanz; País: França / Espanha; Ano: 2003; Duração: 75 minutos; Distribuição: United International Pictures (UIP) (Espanha); Estreia: 19 de Dezembro de 2003 (Espanha).

Equipa técnica:

Realização: Antonio Navarro; Produção: Eduardo Campoy, Claude Carrère; Produtores Associados: Mario Agreda, Rafael Martín Sanz; Argumento: Juan Ignacio Peña, Juanjo Ibáñez, Javier Aguirreamalloa; Música: José Battaglio, Kaelo del Río; Direcção de Animação: Manuel G. Galiana; Montagem: José Miguel Martínez; Direcção Artística: Marcos Mateu Mestre; Direcção de Produção: Sophie Lhéraud.

Elenco:

José Coronado (voz de Gaspar), Juan Echanove (voz de Melchior), Imanol Arias (voz de Baltasar), Javier Gurruchaga (voz de Herodes), Iñaki Gabilondo (voz de Baruch), José Sancho (voz de Alfredo), David Robles (voz de Tobias), Mar Bordallo (voz de Sara), José Luis Angulo (voz de Belial), Pedro Tena (voz do Chefe dos Bandidos), Ricardo Gómez (voz de Jimmy), Jon Arias (voz de Midas), José Luis Gil (voz do Anjo de Fogo), Mercedes Cepeda (voz da Estrela), Raúl Alcañiz (vozes adicionais), Rafael Azcárraga (vozes adicionais), Violette Bertran (vozes adicionais).

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