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Dr. Sewuss' How the Grinch Stole Christmas Em Whoville, todos os Who se divertem na azáfama de preparar a sua festa preferida, o Natal. Todos não, que na montanha junto à cidade habita o Grinch (Jim Carrey), um Who em tempos enjeitado, e que odeia todos os outros. Mas quando visita Whoville em busca de tentar uma desfeita, o Grinch é encontrado pela pequena Cindy Lou (Taylor Momsen), que acredita que ele merece confiança, por haver ainda bondade no seu coração. Resta a Cindy Lou convencer tanto Whoville como o próprio Grinch nessa reconciliação natalícia, já que uns e outro se odeiam e a reunião poderá resultar num Natal desastroso.

Análise:

Com boa parte da sua família no elenco, e dedicando o filme à sua recentemente falecida mãe (e também actriz) Jean Speegle Howard, Ron Howard, um dos mais celebrados homens do leme da indústria dos blockbusters de Hollywood, aliado a Brian Grazer, deu-nos em 2000 a sua versão da popular história do Grinch, uma espécie de anti-Pai Natal de contornos humorísticos. O Grinch é uma figura semi-mitológica, criada pelo escritor de livros infantis Dr. Seuss (Theodor Seuss Geisel – o mesmo que criou Horton e o Lorax, entretanto também adaptados ao cinema) publicado em 1954, e que em 1966 conheceu uma versão animada (realizada por Chuck Jones, e narrada por Boris Karloff), num celebrado especial de Natal de televisão, produzido pela MGM, e que, entre outras coisas, imortalizou a canção “You’re a Mean One, Mr. Grinch”.

Centrado no mundo dos Whos, imaginado por Dr. Seuss, o Grinch é um espírito maléfico da montanha, que nunca chega a ser completamente mau, antes pensa que o é, acabando por se deixar comover, como fica bem numa história de Natal. Essas idiossincrasias e humor, associados a um personagem trapalhão, pediam a Howard um actor que centrasse em si atenções, e o escolhido foi o mais histriónico actor da sua geração, Jim Carrey, num filme cuja caracterização pesada faz quase parecer que estamos perante uma obra de animação.

A história mostra-nos os Whos, no seu jeito caricatural e inocente, a preparar as celebrações de Natal, quando uma menina, Cindy Lou Who (Taylor Momsen) começa a pensar que há uma criatura que não tem Natal, e quebra uma espécie de tabu, que é mencioná-lo, e desejar que ele venha celebrar a quadra. Cindy Lou consegue convencer a comunidade a dar uma oportunidade ao Grinch (que até é um deles, em tempos enjeitado), e cabe a menina ir à caverna da montanha convencer o rezingão Grinch a aceitar. Este, após muita relutância, desce à cidade, mas tudo corre mal, e ele deixa-a com planos de vingança. Estes passam por, disfarçando-se de Pai Natal, e com o cão Max como rena, descer à cidade e roubar todas as prendas, para assim acabar com o Natal. Quando os Who acordam e se apercebem do roubo entram em pânico, mas é novamente Cindy Lou a fazê-los perceber que o Natal é mais que prendas. Esse sentimento surpreende o próprio Grinch que logo sente o seu coração aumentar, e a necessidade de fazer o bem, devolvendo os presentes, e tornando o Natal numa grande festa na qual ele é agora aceite.

Com a missão de tornar um clássico americano de Natal num filme grandioso, Ron Howard não poupou esforços no que dizia respeito a criar a estética Who, no que resulta uma cidade de conto de fadas, com personagens, caracterizações e desenho geral que nos faz parecer estar dentro de um bolo cheio de creme e decorações fofas. Nesse universo, as atenções centram-se, claro, no Grinch, e isso é dizer na interpretação de Jim Carrey. Continuando a sua saga de continuador de Jerry Lewis, Carrey não perde uma oportunidade para usar as suas exageradas expressões faciais (o que é um feito debaixo de uma tão pesada maquilhagem e acrescentos prostéticos), fazendo com que muito do filme seja sobre os seus movimentos, expressões e inflexões de voz. Afinal estávamos perante um actor que ficara famoso no histrionismo de “A Máscara” (The Mask, 1994), de Chuck Russell.

Essa necessidade de tornar “Grinch” um veículo para Carrey trouxe também muitas mudanças no argumento, de modo a dar ao actor mais tempo de ecrã, e a conferir ao filme o duração de uma longa-metragem. Enquanto, no conto original, o Grinch é um espírito maléfico que decide atormentar o Natal roubando os presentes (espécie de conto moral para assustar quem se porte mal e possa ter menos presentes que os desejados), no filme de Ron Howard há a necessidade de dar uma história ao Grinch. Assim, este passa a ter sido um menino de Whoville que, por ser diferente dos outros, é atormentado por todos, e no fundo uma vítima. A única pessoa a perceber isso (com flashbacks para todos vermos) é a pequena Cindy Lou (ganhando no filme mais importância que no livro) que, ao acreditar na bondade do Grinch, o quer resgatar. Duas sequências extra mostram-nos, primeiro, o Grinch a visitar a cidade e a conhecer Cindy Lou (salvando-a mesmo de um acidente), depois, o citado evento para o qual o Grinch é convidado, e de cujo fiasco resulta a sua vingança. Há ainda uma história amorosa, pois o Grinch é apaixonado de uma mulher de Whoville, a bela Martha May Whovier (Christine Baranski), que no final o vai preferir ao balofo prefeito (Jeffrey Tambor).

E depois há o humor, tanto do comportamento do Grinch, o qual parece sempre uma figura de um desenho animado, como das habituais one liners de Jim Carrey, que tanto podem ser referências a outros filmes, como trocadilhos de insinuações sexuais ou sátira a referências contemporâneas, elementos que retiram ao filme a aura inocente de Dr. Seuss, e lhe valeram algumas críticas. Continuamos a ter a inconfundível prosa poética de Dr. Seuss, aqui na narração de Anthony Hopkins, mas, ao contrário de no filme de 1966, diluída num argumento com demasiados outros diálogos, nem sempre consentâneos com o texto original.

Mas acima de tudo, “Grinch” é um carrossel de desventuras, corridas, quedas, surpresas e sustos inocentes, regados a sorrisos, e desenhados com gosto num cenário deliciosamente apelativo como o é o de toda a cenografia e maquilhagem. Filme desenhado para miúdos e graúdos, “Grinch” cumpre a função de se tornar um divertimento natalício, mesmo que nas mãos de Howard desequilibre a beleza da obra de Dr. Seuss com enredos a mais. Salva-se o espectáculo Carrey e o design impressionante. Não deixa, no entanto, de ser irónico como uma sátira ao consumismo e um alerta sobre valores que se devem sobrepor ao materialismo da quadra, sejam expressos numa obra que é um exemplo dessa mesma corrida ao lucro.

Sucesso de bilheteira, embora olhado com desconfiança pela crítica, “Grinch” conseguiu o Oscar de Melhor Maquilhagem, e nomeações para Melhor Direcção Artística e Figurinos. Jim Carrey recebeu a nomeação aos Globos de Ouro como Melhor Actor, perdendo o galardão para George Clooney em “Irmão, Onde Estás? ” (O Brother, Where Art Thou?, 2000), dos irmãos Coen.

Jim Carrey em "Grinch" (Dr. Seuss’ How the Grinch Stole Christmas, 2000), de Ron Howard

Produção:

Título original: Dr. Seuss’ How the Grinch Stole Christmas; Produção: Universal Pictures / Imagine Entertainment / LUNI Productions GmbH and Company KG; Produtor Executivo: Todd Hallowell; País: EUA / Alemanha; Ano: 2000; Duração: 105 minutos; Distribuição: Universal Studios; Estreia: 8 de Novembro de 2000 (EUA), 1 de Dezembro de 2000 (Portugal).

Equipa técnica:

Realização: Ron Howard; Produção: Brian Grazer, Ron Howard; Produtores Associados: Aldric La’auli Porter, Louisa Velis, David Womark, Linda Fields-Hill; Argumento: Jeffrey Price, Peter S. Seaman [a partir do livro homónimo Dr. Seuss]; Música: James Horner; Supervisão Musical: Bonnie Greenberg; Orquestração: Joseph Alfuso, Steven Bernstein, David Campbell, J.A.C. Redford, J. Eric, Richard Stone; Fotografia: Donald Peterman [filmado em Panavision]; Montagem: Daniel P. Hanley, Mike Hill; Design de Produção: Michael Corenblith; Direcção Artística: Lauren E. Polizzi; Cenários: Merideth Boswell; Figurinos: Rita Ryack; Caracterização: Toni G; Efeitos Especiais de Maquilhagem: Rick Barker; Efeitos Visuais: Kevin Mack, Kurt Williams; Coreografia: Daniel Ezralow; Direcção de Produção: David Womark.

Elenco:

Jim Carrey (Grinch), Taylor Momsen (Cindy Lou Who), Kelley (Max), Jeffrey Tambor (Prefeito Augustus Maywho), Christine Baranski (Martha May Whovier), Bill Irwin (Lou Lou Who), Molly Shannon (Betty Lou Who), Clint Howard (Whobris), Anthony Hopkins (Narrador)
Josh Ryan Evans (Grinch com 8 Anos), Mindy Sterling (Clarnella), Rachel Winfree (Rose), Rance Howard (Ancião), Jeremy Howard (Drew Lou Who), T.J. Thyne (Stu Lou Who), Lacey Kohl (Christina Whoterberry), Nadja Pionilla (Junie), Jim Meskimen (Agente Wholihan), Michael Dahlen (Cliente), David Costabile (Who Ciclista), Mary Stein (Miss Rue Who), James Ritz (Crazy Mose), Deep Roy (Empregado dos Correios), Jessica Sara (Sophie), Mason Lucero (Miúdo Who Boy), Ben Bookbinder (Augustus Maywho com 8 Anos), Michaela Gallo (Menina Who na Escola), Landry Allbright (Martha May Whovier com 8 Anos), Reid Kirchenbauer (Whobris com 8 Anos), Rebecca Chace (Who nas Compras), Suzanne Krull (Who nas Compras), Steve Kehela (Who nas Compras), Lillias White (Who nas Compras), Rain Pryor (Who nas Compras), John Alexander (Who nas Compras), Kevin Isola (Aparador da Árvore), Gavin Grazer (Yodeler), Walter Franks (Empregado), Verne Troyer (Músico), Clayton Martinez (Cozinheiro), Q’orianka Kilcher (Little Choir Member), Caroline Williams (Mulher Who Pequenina), John Short (Homem Who Pequenino), Grainger Esch (Who Que Falha Por Pouco), Eva Burkley (Cozinheiro de Pudding), Rick Baker (Bonecreiro), Bill Sturgeon (Bonecreiro), Mark Setrakian (Bonecreiro), Jurgen Heimann (Bonecreiro), Tim Blaney (Bonecreiro), Bryce Dallas Howard (Who Surpreendida), Charles Croughwell (Who de Balão), Frank Welker (Voz de Max).

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