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Exorcist II: The Heretic A Drª. Gen Tuskin (Louise Fletcher) trabalha com crianças perturbadas, a mais curiosa das quais é Regan MacNeil (Linda Blair), anos antes vítima de uma horrífica possessão e traumático exorcismo. Regan reprimiu todas as memórias, mas a médica acredita que elas a estejam a danificar, e usa uma máquina da sua criação, para ligar duas mentes, chamando o padre Philip Lamont (Richard Burton), que investiga a morte do padre Merrin (Max von Sydow). Através desta ligação, o padre Merrin descobre que o demónio, chamado Pazuzu, se esconde ainda dentro de Regan, e os indícios da sua origem remontam a África, e a lutas anteriores entre o demónio e o padre Merrin.

Análise:

Quatro anos depois do estrondoso (e muito inesperado) sucesso de “O Exorcista” (The Exorcist) de William Friedkin, a Warner Bros. estreava um novo filme que fazia uso do mesmo nome, embora já sem ligações à história de William Peter Blatty, e com John Boorman como realizador, ele que declinara a realização do primeiro filme, por não concordar com o que considerava um abuso de menores. Mas a protagonista, Linda Blair (que se recusou determinantemente a usar a maquilhagem do primeiro filme), tinha agora já 18 anos, e Boorman aceitou realizar este segundo episódio de Regan McNeil. Com as presenças dos veteranos Richard Burton e Louise Fletcher, e uma argumento escrito por William Goodhart – o qual começou por escrever “The Herectic”, baseado nas teorias do paleontólogo e arqueólogo Pierre Teilhard de Chardin, o qual inspirara a figura do Padre Merrin –, para John Boorman era a oportunidade de realizar o que ele chamava um thriller metafísico.

“O Exorcista II: O Herege” acompanha a investigação do padre Philip Lamont (Richard Burton), que pretende entender em que circunstâncias morreu o padre Merrin (Max von Sydow). Tal leva-o a encontrar a jovem Regan (Linda Blair), agora já adulta, mas ainda acompanhada psiquiatricamente, pela Drª. Gene Tuskin (Louise Fletcher, inicialmente contratada para o papel de Chris MacNeil, pelas suas semelhanças com Ellen Burstyn), que procura avaliar o quanto os acontecimentos da possessão afectam ainda a rapariga. Regan confessa não se lembrar de nada, tendo apenas ficado com alguns sonhos que só agora desapareceram. Mas quando a Drª. Tuskin sugere uso de uma máquina que aumenta o poder da hipnose, Regan declina. A sua decisão muda quando conhece o padre Lamont, e numa sessão conjunta, o padre tem visões do demónio que possuiu Regan, que se chama Pazuzu, um demónio assírio. Lamont descobre que Pazuzu e o padre Merrin já foram inimigos no passado, quando o padre descobriu uma criança de extrema bondade e poder, chamada Kokumo. Lamont parte então para África para procurar Kokumo, encontrando-o já adulto (James Earl Jones), médico, e sem vontade de relembrar o seu passado. Kokumo estuda gafanhotos e aquilo que os faz passar de inofensivos a terríveis pragas, tentando inverter o processo. De volta aos Estados Unidos, Lamont leva Regan de volta à casa onde tudo aconteceu, e o demónio tenta-os, surgindo como uma outra Regan, enquanto a casa é destruída e atacada por gafanhotos. Por fim o padre vence o demónio, enquanto Regan pacifica os gafanhotos.

Muitas vezes considerado um dos piores filmes de sempre, este segundo capítulo de “O Exorcista” desaponta, principalmente, por não seguir o primeiro filme, quer no tom, quer na estética, ou mesmo nos acontecimentos. Não havendo aqui nenhuma possessão, o terror de “O Exorcista II: O Herege” prende-se apenas com a iminência de uma ameaça, sem a opressão e violência sentida no filme precedente, feita um verdadeiro e muito visceral combate entre o bem e o mal.

Como sequela de um filme tão icónico e tão bem conseguido, “O Exorcista II: O Herege” falha completamente. Resta-lhe por isso ser uma espécie de olhar para os bastidores de uma história, na qual aprendemos um pouco sobre a história de Pazuzu, viajamos até África, sabemos mais sobre o padre Merrin (Max von Sydow regressou relutantemente para filmar alguns flashbacks), e vemos o que aconteceu a Regan quatro anos depois. É, no entanto, muito pouco, e pior quando o filme se centra em conceitos tão voláteis como um sincronizador de ondas cerebrais, hipnoses conjuntas e teorias de bondade universal, cujo grande sintoma são as pragas de gafanhotos.

Por todos estes motivos, a que se junta um enorme número de flashbacks, cujo principal efeito são o de cortar o ritmo da história, “O Exorcista II: O Herege” conta com muitos momentos de ridículo, não conseguindo sequer tirar partido do que seriam os seus pontos mais fortes, as presenças de Richard Burton e Louise Fletcher, e a guerra surda por eles travada, opondo fé e ciência. Talvez pela fragilidade do argumento, os seus personagens parecem sempre desconfortáveis, e pouco credíveis.

Num filme pensado para ter baixo orçamento, Boorman não conseguiu os seus intentos de filmar em cenários naturais (como na Etiópia, e em Georgetown, local da primeira residência das MacNeil), tendo que criar todos os cenários em estúdio ou nos quintais da Warner. O dinheiro poupado serviu para trabalhar o lado visual, conseguindo uma cinematografia muito interessante, que valeu ao filme, apesar das críticas demolidoras que tem tido, os polegares levantados da crítica Pauline Kael e do cineasta Martin Scorsese.

John Boorman retiraria por duas vezes o filme dos cinemas, para fazer novas montagens, mas os resultados não seriam melhores, tendo “O Exorcista II: O Herege” vindo a surgir frequentemente nas listas de piores filmes de sempre. Foi, ainda assim, o único filme da série a dar lucro.

Produção:

Título original: Exorcist II: The Heretic; Produção: Warner Bros.; País: EUA; Ano: 1977; Duração: 118 minutos; Distribuição: Warner Bros.; Estreia: 17 de Junho de 1977 (EUA).

Equipa técnica:

Realização: John Boorman; Produção: John Boorman, Richard Lederer; Produtor Associado: Charles Orme; Argumento: William Goodhart [com contribuições de Rospo Pallenberg]; Música: Ennio Morricone; Fotografia: William A. Fraker [filmado em Panavision, cor por Technicolor]; Montagem: Tom Priestley, John Merritt [não creditado]; Design de Produção: Richard Macdonald; Direcção Artística: Jack T. Collis; Cenários: John P. Austin; Figurinos: Robert De Mora; Caracterização: Gary Liddiard, Dick Smith; Efeitos Especiais: Chuck Gaspar; Efeitos Visuais: Albert Whitlock; Direcção de Produção: John R. Coonan, William C. Gerrity.

Elenco:

Linda Blair (Regan MacNeil), Richard Burton (Padre Philip Lamont), Louise Fletcher (Drª. Gene Tuskin), Max von Sydow (Padre Merrin), Kitty Winn (Sharon Spencer), Paul Henreid (Cardeal), James Earl Jones (Kokumo Adulto), Ned Beatty (Edwards), Belinda Beatty (Liz), Rose Portillo (Rapariga Espanhola), Barbara Cason (Mrs. Phalor), Joey Green (Jovem Kokumo), Tiffany Kinney (Menina Muda), Charles Parks, Lorry Goldman (Vítima), Richard Paul (Homem no Avião), Robert Lussier, George Skaff.