Etiquetas

, , , , , , , , ,

The Omen Quando o filho do embaixador em Roma, Robert Thorn (Gregory Peck), morre durante o parto, o padre Spiletto (Martin Benson) sugere a adopção em segredo de um bebé nascido na mesma hora, e cuja mãe morrera sem ter outros familiares. Sem o dizer à esposa Katherine (Lee Remick), Robert aceita, e os Thorn educam Damien (Harvey Stephens) como seu. Já em Londres, cinco anos depois, a morte, por suicídio, da babysitter vem lançar o mistério, estimulado pelo estranho padre Brennan (Patrick Troughton) quer tenta convencer Thorn, recitando profecias bíblicas, de que o filho é o Anticristo, e que Katherine corre perigo. A morte de Brennan, e um acidente de Katherine pioram as suspeitas, que o fotógrafo Jennings (David Warner) intensifica, ao mostrar a Thorn que as suas fotos parecem ter indicações das mortes trágicas. O par vai então para Roma tentar perceber de onde veio realmente Damien, e porque tantos crêem que ele seja o Anticristo.

Análise:

A ideia da presença demoníaca entre nós continuava nos anos 70 a ser uma das principais fontes de ideias de filmes de terror. E foi a partir dela que surgiu o tema do Anticristo, que desde logo cativou o produtor Harvey Bernhard, que pediu a David Seltzer que escrevesse um argumento sob o assunto (depois de outros argumentistas recusarem dada a natureza do tema, e uma aura de maldição ter percorrido a produção com diversos acidentes a ocorrer com a equipa). O filme que esteve para se chamar “The Antichrist” e “The Birthmark”, acabaria por ter o título eufemizado para “The Omen” (que é como quem diz, o presságio), que em português resultaria em “O Génio do Mal”.

Gregory Peck, um actor há alguns anos afastado do cinema aceitou integrar o elenco (supostamente após as rejeições de Charlton Heston e William Holden), e com ele a bordo, Bernhard sabia que tinha o filme iniciado. Sob direcção de Richard Donner, a equipa mudou-se para Londres onde o filme seria filmado em cenários naturais, a que se acrescentariam também cenas in loco em Itália e Israel.

“O Génio do Mal” mostra-nos aquilo que seria o nascimento do Anticristo, quando o embaixador norte-americano em Roma, Robert Thorn (Gregory Peck), e a sua esposa Katherine (Lee Remick) perdem um filho durante o parto, e o padre Spiletto (Martin Benson) sugere a adopção em segredo de um bebé nascido na mesma hora, e cuja mãe morrera sem ter outros familiares. A criança, de nome Damien (Harvey Stephens) cresce em Londres, onde Robert é colocado, mas a partir do seu quinto aniversário estranhos eventos começam a ocorrer, com mortes sucessivas em condições trágicas. É então que o padre Brennan (Patrick Troughton) surge a Robert Thorn, recitando profecias bíblicas, avisando-o de que o filho é o Anticristo, e profetizando que Katherine está em perigo. A morte de Brennan, um acidente de Katherine e a chegada de Jennings (David Warner), um fotógrafo cujas fotos parecem ter indicações das mortes trágicas que acompanham Damien, levam Thorn a seguir com Jennings para Itália para procurarem as origens de Damien. O que encontram confirma as piores suspeitas, e é em Megido, em Israel que encontram o antigo exorcista Carl Bugenhagen (Leo McKern) que ensina Thorn a matar Damien. As sucessivas mortes de Jennings e Katherine convencem Thorn que deve seguir com o plano, mas as forças do mal crescem já contra ele.

Foi intenção de Richard Donner não incluir nada de absolutamente sobrenatural no filme. Todos os eventos marcantes provêm de acidentes, coincidências ou actos deliberados, mas todos eles explicáveis. Talvez esse seja o maior trunfo de “O Génio do Mal”, que assim se mantém sempre no plano realista, e portanto mais próximo de nós. Esta ideia é extensiva aos protagonistas, com o pequeno Damien a parecer-nos um miúdo maléfico, mas que afinal nada faz no filme que não seja natural em crianças inquietas ou perturbadas. Do mesmo modo Richard Thorn, numa excelente interpretação de Gregory Peck, nunca é exageradamente dramático, distante ou heróico. É uma pessoa normal, surpreso, incrédulo, mas aos poucos perturbado, e por fim decidido a agir. Tudo no filme nos faz sentir próximos da história, como se todos os eventos pudessem mesmo estar a acontecer, sem que nada pudéssemos fazer para os adivinhar e por isso evitar. É aí que reside o verdadeiro terror do filme.

Com uma produção extremamente bem cuidada, tudo resulta, mesmo que o filme pareça por vezes funcionar num registo modesto. Quer nos cenários naturais, quer nos interiores, indo do guarda-roupa aos personagens, há sempre um misto de simplicidade realista, com pistas de ameaças sombrias, veladas e por isso mais aterradoras.

Partindo de profecias não presentes na Bíblia (os versos várias vezes recitados são criação do argumentista), “O Génio do Mal” vai construindo uma atmosfera de suspeita e ameaça, onde cães fantasmagóricos, padres de intuitos perversos, e uma perceptora sinistra (Billie Whitelaw) vão ajudando a pintar um quadro onde a palavra “Mal”, na sua conotação religiosa, vai tomando conta dos acontecimentos. Uma série de mortes tão imaginativas quanto terríficas, o toque sublime das fotografias que prevêem fins macabros, e algumas cenas bem cuidadas, como a sequência do cemitério, tornam “O Génio do Mal” uma constante subida de tensão, que, mesmo sem provas irrefutáveis, nos convence de que o tal Mal está presente.

O filme foi mesmo um sucesso inesperado, e enorme sucesso de bilheteira, tendo colocado o terror psicológico, de influência gótica, de novo em voga, quando o tema (o terror demoníaco) era essencialmente associado a filmes violentos e com muito sangue. Segundo Richard Donner, o maior triunfo de “O Génio do Mal” foi a banda sonora de Jerry Goldsmith, a qual viria mesmo a vencer o Oscar desse ano. Billie Whitelaw seria nomeada para o BAFTA de Melhor Actriz Secundária, e Harvey Stephens para o Globo de Ouro de Melhor Novo Actor.

O sucesso de originaria uma série de filmes, a saber: “A Maldição” (Damien: Omen II, 1978), de Don Taylor, “Conflito Final” (Omen III: The Final Conflict, 1981), de Graham Baker, e “A Profecia Maldita” (Omen IV: The Awakening) de Jorge Montesi e Dominique Othenin-Girard, bem como o remake de 2006 “O Génio do Mal” (The Omen), realizado por John Moore.

Lee Remick, Harvey Stephens e Gregory Peck em "O Génio do Mal" (The Omen, 1976), de Richard Donner

Produção:

Título original: The Omen; Produção: Twentieth Century-Fox Productions Limited / Mace Neufeld Productions; Produtor Executivo: Mace Neufeld; País: EUA / Reino Unido; Ano: 1976; Duração: 95 minutos; Distribuição: Twentieth Century-Fox Film Corporation; Estreia: 6 de Junho de 1976 (Reino Unido), 3 de Agosto de 1977, (Portugal).

Equipa técnica:

Realização: Richard Donner; Produção: Harvey Bernhard; Produtor Associado: Charles Orme; Argumento: David Seltzer; Música: Jerry Goldsmith; Fotografia: Gilbert Taylor [filmado em Panavision, cor por Technicolor]; Montagem: Stuart Baird; Direcção Artística: Carmen Dillon; Cenários: Tessa Davies; Guarda-roupa: Tiny Nicholls; Caracterização: Stuart Freeborn; Efeitos Especiais: John Richardson, George Gibbs [não creditado]; Efeitos Visuais: Roy Field [não creditado]; Direcção de Produção: Claude Hudson.

Elenco:

Gregory Peck (Robert Thorn), Lee Remick (Katherine Thorn), David Warner (Jennings), Billie Whitelaw (Mrs. Baylock), Harvey Stephens (Damien), Patrick Troughton (Father Brennan), Martin Benson (Father Spiletto), Robert Rietty (Monge), Tommy Duggan (Padre), John Stride (O Psiquiatra), Anthony Nicholls (Dr. Becker), Holly Palance (Babysitter), Roy Boyd (Repórter), Freda Dowie (Freira), Sheila Raynor (Mrs. Horton), Robert MscLeod (Horton), Bruce Boa (Adjunto de Thorn), Leo McKern (Carl Bugenhagen) [não creditado].