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The Devil's Rain Durante uma enorme tempestade, Mark Weston (William Shatner) vê uma figura que parece o seu pai chegar para pedir um livro antigo para entregar a Corbis. O pai desfaz-se em cera sob a chuva, e a mãe de Mark (Ida Lupino) acaba raptada. Mark vai procurá-los numa cidade fantasma no deserto, onde Corbis (Ernest Borgnine) o leva a ver um ritual satânico, após o qual também Mark é transformado numa pessoa de cera, sem alma. Quando a notícia chega à cidade, Tom (Tom Skerritt), o irmão de Mark, vem investigar, acompanhado da esposa Julie (Joan Prather) e do seu colega cientista, Dr. Sam Richards (Eddie Albert).

Análise:

Um pouco contra a corrente do que se passava no cinema de terror, surgiu em 1975, numa produção independente e de não muito alto orçamento, “The Devil’s Rain”. Tratava-se de um filme sobre um culto satânico, como estava então na moda, mas longe do terror psicológico, e mais violento, de filmes como “O Exorcista” (The Exorcist, 1973), parecia um regressar ao terror gótico de décadas anteriores.

Com produção a decorrer no México, e realização de Robert Fuest, o responsável pelo gótico de grande fama, “O Abominável Dr. Phibes” (The Abominable Dr. Phibes, 1971), protagonizado por Vincent Price, bem como a sua sequela, “O Génio do Crime” (Dr. Phibes Rises Again, 1972), o filme mostra-nos a família dos Weston a ser assediada pelo sinistro Jonathan Corbis (Ernest Borgnine) por um livro satânico que a família jurou proteger. Depois do desaparecimento do pai, e durante uma chuva diluviana, a senhora Preston (Ida Lupino) é raptada, o que leva o seu filho Mark (William Shatner) a decidir enfrentar Corbis. Para tal vai até à cidade fantasma onde se ergue a igreja de Corbis, e este convida-o a entrar para um desafio de fé. Os rituais satânicos saem triunfantes e Mark passa a ser mais um homem sem alma, autómato ao serviço de Satanás. Sabendo disto, Tom (Tom Skerritt), o irmão de Mark, vem ver o que se passa, acompanhado da esposa Julie (Joan Prather) e do seu colega cientista, Dr. Sam Richards (Eddie Albert). Também eles terão de confrontar Corbis, encontrando o livro, e descobrindo as almas humanas presas, que uma vez libertadas terminarão com o poder de Corbis.

Com uma história sem muito de inovador, mas a partir de uma sequência inicial interessante que parte da pintura de Hyeronimus Bosch para criar um ambiente tenebroso, Fuest leva os confrontos entre o bem e mal para um deserto que se diria mais um cenário de um western (e onde a presença de Ernest Borgnine quase nos faz esperar duelos de pistola). Aí, após a sequência inicial, em que sob uma chuva intensa somos ameaçados pela sinistra presença do misterioso Corbis, o filme torna-se algo híbrido, onde William Shatner encontra espaço para cenas de luta, e tudo termina numa série de monótonos rituais, nos quais o facto mais interessante será ver Ernest Borgnine maquilhado para parecer um demónio.

Não se entende muito bem porque todos decidem enfrentar o mal sozinhos, nem porque razão a parasicologia de Julie Weston foi trazida para a história (sem ser, claro, para nos dar a ver os flashbacks que explicavam o início do culto e o ódio de Corbis aos Weston).

De resto, o filme segue os padrões do gótico, com o peso do passado atormentar pessoas do presente; os espaços em ruína (neste caso uma igreja que lembra a pintura “American Gothic” de Grant Wood), a luta entre a ciência e a superstição, com a arrogância do herói byroniano a ser a possível causa da sua ruína. Tudo isto sob a ameaça da perda das almas perante um culto satânico, que poderá ser visto como paralelo de uma perda de individualismo perante um mal exterior (o comunismo soviético?).

Para um filme série B, “The Devil’s Rain” tem um elenco extremamente interessante, Ernest Borgnine, Ida Lupino, William Shatner, Tom Skerritt e a curiosidade da estreia de John Travolta (num papel secundaríssimo). O elenco conta ainda com Anton LaVey, o fundador da Igreja de Satanás. Vincent Price era o favorito de Fuest para o papel de Corbis, e Joseph Cotten e Peter Cushing foram sondados para o papel do Dr. Richards.

O resultado foi um filme bastante mal recebido pela crítica e público, hoje apenas objecto de culto.

Produção:

Título original: The Devil’s Rain; Produção: Sandy Howard Productions; Produtora Executiva: Sandy Howard; País: EUA; Ano: 1975; Duração: 86 minutos; Distribuição: Bryanston Distributors; Estreia: Julho de 1975 (EUA).

Equipa técnica:

Realização: Robert Fuest; Produção: James V. Cullen, Michael S. Glick, Louis Peraino [não creditado]; Produtor Associado: Gerald Hopman; Argumento: Gabe Essoe, James Ashton, Gerald Hopman; Música: Al De Lory; Fotografia: Álex Phillips Jr.; Montagem: Michael Kahn; Design de Produção: Nikita Knatz; Direcção Artística: José Rodríguez Granada; Cenários: Carlos Granjean; Guarda-roupa: Carol Wenger; Caracterização: Ellis Burman Jr.; Efeitos Especiais: Cliff Wenger, Carol Wenger, Thomas L. Fisher, Federico Farfán; Efeitos Visuais: Linwood G. Dunn, Don Weed; Direcção de Produção: Terry Morse Jr..

Elenco:

Ernest Borgnine (Jonathan Corbis), Eddie Albert (Dr. Sam Richards), William Shatner (Mark Preston), Keenan Wynn (Sheriff Owens), Tom Skerritt (Tom Preston), Joan Prather (Julie Preston), Ida Lupino (Mrs. Preston), Woody Chambliss (John), John Travolta (Danny), Claudio Brook (Pregador), Lisa Todd (Lilith), George Sawaya (Steve Preston), Erika Carlsson (Aaronessa Fyffe), Tony Cortez (Primeiro Captor), Anton LaVey (Alto Sacerdote).