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Night of the Demon Quando o Dr. John Holden (Dana Andrews) vem dos Estados Unidos para a Inglaterra para participar num evento de parapsicologia, sabe da morte do seu colega Professor Harrington (Maurice Denham). Este encontrava-se a tentar expor o Doutor Karswell (Niall MacGinnis) e o seu culto satânico por charlatanice, quando foi morto por uma criatura misteriosa. Holden decide então tomar em suas mãos o trabalho do colega, no que é impelido por Joanna Harrington (Peggy Cummins), sobrinha do falecido cientista, que pensa que o Doutor Karswell foi responsável pela morte. Para piorar, Karswell lança uma maldição sobre o céptico Holden, que assim terá apenas três dias de vida antes de sucumbir vítima do mesmo demónio que matou Harrington.

Análise:

Em 1957 o famoso realizador de filmes de terror (por vezes de série B), Jacques Tourneur, encontrava-se no Reino Unido, onde viria a dirigir um filme para a Columbia Pictures, com produção local da Sabre Film Productions, fundada por Hal E. Chester. O filme era uma adaptação do conto de M. R. James, “Casting of the Runes” e teria argumento de Charles Bennett, habitual colaborador de Hitchcock.

Como sempre, Tourneur preparava-se para um filme onde o terror estava na sugestão e atmosfera, no que tinha a o total apoio do argumentista, e da estrela (Dana Andrews, também popularizado por Hitchcock), mas essa não era a ideia do produtor. Chester queria monstros visíveis, e forçou a presença do demónio que abre e fecha o filme. Para a sua execução cehgou a ser contactado Ray Harryhausen, mas este estava ocupado noutros projectos e não pode aceitar. De facto o demónio de “A Noite do Demónio” lembra as criações de Ray Harryhausen.

A história revolve em torno de um culto satânico, liderado pelo outrora ilusionista Doutor Karswell (Niall MacGinnis), cuja investigação leva à morte do Professor Harrington (Maurice Denham). Nós vemos que Harrington foi morto violentamente por um horrível demónio vindo do nada, mas tal não irá convencer o céptico John Holden (Dana Andrews), chegado dos Eustados Unidos para participar num evento de parapisologia, cujo objectivo é precisamente expor o Doutor Karswell como charlatão.

Cedo Holden e Karswell se vão cruzar, e hostilizar. O segundo arrogantemente seguro que domina forças com quem ninguém se deve meter, o primeiro disposto a chegar à verdade, que segundo ele revelará que nada do que Karswell defende se verifica.

Por entre as duas forças, a da superstição e oculto, e a da ciência e cepticismo, surge como mediadora Joanna Harrington (Peggy Cummins), que está convencida que o tio foi morto por algo terrífico que ameaça agora Holden. Seguem-se visitas à mansão de Karswell, buscas em livros antigos e sessões de espiritismo, com a sombra adensar-se, e relacionar-se com um estranho pergaminho com runas escritas, igual a um descrito por Harrington no seu diário, e que conteria a maldição que causou a sua morte. É ao finalmente acreditar no poder de tal pergaminho, que Holden vai virar o feitiço contra o feiticeiro, e salvar-se no último momento.

Com a demonologia como tema, “A Noite do Demónio” não deixa de ter momentos de fino humor, e um conjunto de excelentes interpretações. O suspense é sempre crescente, e eficaz à maneira de Tourneur, residindo no facto de sabermos que há uma morte anunciada, que a sua vítima parece não ter em conta. É quase a receita do gótico, com o herói byroniano que se escuda na arrogância da sua ciência, que será a sua perdição, algo que aqui não acontece.

Nos Estados Unidos o filme foi editado de 95 para 83 minutos, e intitulado “Curse of the Demon”, até a Columbia, no início da década de 1980 voltar a repor a versão original. “A Noite do Demónio” foi ganhando um estatuto de culto com o tempo, surgindo frequentemente em listas dos melhores filmes de terror de sempre.

Dana Andrews em "A Noite do Demónio" (Night of the Demon, 1957), de Jacques Torneur

Produção:

Título original: Night of the Demon; Produção: Columbia Pictures Corporation / Sabre Film Production (Reino Unido), Columbia Pictures (EUA); Produtor Executivo: Hal E. Chester; País: Reino Unido; Ano: 1957; Duração: 95 minutos; Distribuição: Columbia Pictures Corporation; Estreia: 17 de Dezembro de 1957 (Reino Unido).

Equipa técnica:

Realização: Jacques Tourneur; Produção: Frank Bevis; Argumento: Charles Bennett, Hal E. Chester, Cy Endfield [não creditado] [baseado no conto “Casting the Runes” de M. R. James]; Música: Clifton Parker; Direcção Musical: Muir Mathieson; Fotografia: Edward Scaife [preto e branco]; Montagem: Michael Gordon; Design de Produção: Ken Adam; Caracterização: Betty Lee; Efeitos Especiais: George Blackwell, Wally Veevers, S. D. Onions, Bryan Langley [não creditado]; Director de Produção: R. L. M. Davidson.

Elenco:

Dana Andrews (John Holden), Peggy Cummins (Joanna Harrington), Niall MacGinnis (Doutor Karswell), Maurice Denham (Professor Harrington), Athene Seyler (Mrs. Karswell), Liam Redmond (Mark O’Brien), Richard Leech (Inspector Mottram), Reginald Beckwith (Mr. Meek), Ewan Roberts (Lloyd Williamson), Peter Elliott (Kumar), Rosamund Greenwood (Mrs. Meek), Brian Wilde (Rand Hobart), Lloyd Lamble (Detective Simmons), Peter Hobbes (Superintendente), Charles Lloyd Pack (Farmacêutico), John Salew (Bibliotecário), Janet Barrow (Mrs. Hobart), Percy Herbert (Agricultor), Lynn Tracy (Hospedeira).