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The Court Jester A coroa do reino de Inglaterra foi usurpada por Roderick (Cecil Parker), que chacinou toda a família real, menos um bebé, à guarda do rebelde Black Fox, e dos seus homens. Entre eles, o artista de circo Hawkins (Danny Kaye) é incumbido de passar pelo novo bobo da corte, para ganhar acesso à sala do rei e roubar uma chave. Só que devido, a uma série de confusões de identidade, Hawkins vai ser tomado por um assassino contratado pelo maquiavélico Sir Ravenhurst (Basil Rathbone), ter de cortejar a princesa Gwendolyn (Angela Lansbury), e lutar pela vida em duelo com o bruto Sir Griswold (Robert Middleton).

Análise:

Com realização, produção e argumento da dupla Melvin Frank e Norman Panama, uma dupla habituada a comédias musicais, “O Bobo da Corte” foi um dos primeiros filmes da Paramount no formato panorâmico VistaVision, e quase uma super-produção, com um orçamento como não era habitual na época aplicar em comédias.

A ideia era fazer uma paródia dos filmes de aventuras, tendo como pano de fundo a Inglaterra medieval, um pouco ao jeito da mitologia de Robin Hood, com castelos com ameias, reis vilões, assessorados por barões maquiavélicos, com a única esperança a provir dos bandidos da floresta. Estes são o grupo de Black Fox (Edward Ashley), que tem consigo o único herdeiro vivo dos legítimos monarcas, um bebé que ostenta na nádega esquerda o sinal de nascença da família, uma flor púrpura, a Purple Pimpernel (referência ao famoso romance de aventuras “The Scarlet Pimpernel”). Com o rei Roderick I (Cecil Parker) a tentar capturar a criança, esta é confiada à guarda do artista de circo Hubert Hawkins (Danny Kaye), e da capitã rebelde Jean (Glynis Johns). A oportunidade para uma nova linha de acção surge, quando o duo encontra Giacomo (John Carradine), um bobo que vem para a corte do rei. Giacomo é anulado, e Hawkins toma o seu lugar, para ganhar acesso aos aposentos reais e roubar a chave de uma passagem secreta, ao mesmo tempo que Jean acaba sequestrada e levada para o castelo, para ser recrutada como amante do rei, ainda com o bebé ainda escondido.

No castelo, a princesa Gwendolyn (Angela Lansbury) recusa a ideia do seu pai em casá-la com Sir Griswold (Robert Middleton), um bruto do norte, e força a sua ama, a bruxa Griselda (Mildred Natwick) a actuar. Esta decide hipnotizar Hawkins, para que ele seduza a princesa. Ao mesmo tempo, sem que Hawkins saiba, Sir Ravenhurst (Basil Rathbone) tem um acordo com Giacomo, que foi de facto contratado como assassino para o livrar dos seus rivais no castelo. Hawkins vê-se assim, sem saber porquê, e por vezes sob hipnose, a seduzir a princesa, e a congeminar com Sir Ravenhurst, que ele toma por um agente de Black Fox, que é de facto o ferreiro Fergus (Noel Drayton), que o tenta contactar em vão.

As confusões sucedem-se, até a princesa confessar o seu amor pelo falso Giacomo, que é imediatamente desafiado para um combate com Sir Griswold. Acreditando que ele seja o verdadeiro Black Fox, e querendo livrar-se de Sir Griswold, Sir Ravenhurst cozinha a subida de Hawkins a cavaleiro, para que ele mate Sir Griswold, e depois seja denunciado. O resultado é uma enorme sequência de combates desajeitados, que levam à chegada do verdadeiro Black Fox e dos seus homens para salvarem o dia.

Logo na primeiro momento em que surge, Danny Kaye surpreene-nos pela sequência musical onde se mostra como o intrépido Balck Fox, que segundos depois descobrimos ser apenas um número (no qual ele acaba por quebrar a quarta parede e dirigir-se-nos com piadas sobre a própria equipa de produção). Está dado o mote para um universo de trocas de identidade, e confusões surreais, que marcará toda a história. Esta centra-se, como não podia deixar de ser, no personagem de Kaye, que, embora não seja o grande Black Fox, cedo se torna o protagonista do enredo, ao tomar o lugar do bobo Giacomo.

E é aí que está o primeiro trunfo de “O Bobo da Corte”. Com um argumento delirante, cria-se uma teia de confusões, que se enredam inteligentemente, e onde nenhuma decisão é tomada em vão. Senão veja-se, Hawkins começa por pensar que o seu contacto no castelo é o maquiavélico Sir Ravenhurst; as pressões da princesa para escapar ao casamento levam a bruxa Griselda a hipnotisar Hawkins para actuar a seu mando; Hawkins não só conquista a princesa, como o seu comportamento errático convence Sir Ravenhurst de que ele é um assassino contratado; e perante o aparecimento de Sir Griswold, tanto Ravenhurst como Griselda manobram para Hawkins sair vitorioso, o que leva a envenenamentos extra, que o próprio não percebe, mas jogam a favor dos planos que os outros esperam dele. Tudo no enredo é intrincado, e resulta.

O outro grande trunfo é, claro está, o próprio Danny Kaye. Com um humor físico que lembra Chaplin, uma presença cativantemente desajeitada, e uma capacidade de recitar réplicas tão complicadas quanto hilariantes (quem em canções divertidas, quer em rimas aliterativas que surgem como frases-código do seu personagem – os trava-línguas ou tongue-twisters que se tornaram popularíssimos), Kaye canta e dança, mas principalmente fala e move-se com ritmo musical, numa autêntica paródia das coreografias dos filmes de aventuras. Destacam-se os seus vários momentos com Mildred Natwick, a sua hipnose, a luta final com Basil Rathbone (nunca um espadachim foi tão desajeitado), o seu velho surdo e pigarreante, e tantas sequências quer de humor quer de acção, estonteantes pela originalidade.

Tudo isto é tão mais evidente quando ao lado de Kaye está um elenco que se leva a sério, como Cecil Parker no papel do re, Basil Rathbone com o habitual vilão, Angela Lansbury como a caprichosa princesa, a citada Mildred Natwick, sem esquecer a cúmplice de Hawkins, a engenhosa capitã rebelde de Glynis Johns.

Com as cenas musicais a surgirem quase sempre diegeticamente, nas actuações do bobo, Kaye é também convincente como cantor, em números divertidos da dupla Sammy Cahn e Sylvia Fine, sobre uma partitura geral de Vic Schoen, um compositor que nunca tinha composto para cinema, e que terá sido elogiado pelo prório Igor Stravisnky que o visitou durante as gravações.

Mesmo com todos esses atributos, “O Bobo da Corte” ficou aquém das expectativas da Paramount, que investira imenso no filme, Danny Kaye recebeu uma nomeação para os Globos de Ouro. Só mais tarde, e após se tornar presença habitual na televisão, o filme começou a ganhar um estatuto de clássico, surgindo agora frequentemente nas listas das melhores comédias de sempre.

Danny Kaye e Basil Rathbone em "O Bobo da Corte" (The Court Jester, 1955), de Norman Panama e Melvin Frank

Produção:

Título original: The Court Jester; Produção: Dena Enterprises; Produtores Executivos: Sylvia Fine, Danny Kaye; País: EUA; Ano: 1955; Duração: 101 minutos; Distribuição: Paramount Pictures; Estreia: 24 de Dezembro de 1955 (EUA), 27 de Setembro de 1956 (Portugal).

Equipa técnica:

Realização: Norman Panama, Melvin Frank; Produção: Norman Panama, Melvin Frank; Argumento: Norman Panama, Melvin Frank; Música:, Vic Schoen, Walter Scharf [não creditado] , Sylvia Fine (canções), Sammy Cahn (canções); Fotografia: Ray June, Ray Rennahan [não creditado] [filmado em VistaVision, cor por Technicolor]; Montagem: Tom McAdoo; Direcção Artística: Hal Pereira, Roland Anderson; Cenários: Sam Comer, Arthur Krams; Figurinos: Edith Head, Yvonne Wood; Caracterização: Wally Westmore; Coreografia: James Starbuck; Efeitos Visuais: John P. Fulton, Irmin Roberts; Direcção de Produção: Frank Caffey [não creditado].

Elenco:

Danny Kaye (Hubert Hawkins), Glynis Johns (Maid Jean), Basil Rathbone (Sir Ravenhurst), Angela Lansbury (Princess Gwendolyn), Cecil Parker (Rei Roderick I), Mildred Natwick (Griselda), Robert Middleton (Sir Griswold), Michael Pate (Sir Locksley), Herbert Rudley, (Capitão dos Guardas), Noel Drayton (Fergus), John Carradine (Giacomo), Edward Ashley (Black Fox), Alan Napier (Sir Brockhurst), Lewis Martin (Sir Finsdale), Patrick Aherne (Sir Pertwee), Richard Kean (Arcebispo), Hermine’s Midgets, The Jackson Michigan Zouaves.

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