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The Inspector GeneralDepois de ser forçado a deixar a companhia ambulante de ciganos para quem trabalhava, Georgi (Danny Kaye) é preso por vagabundear numa cidade de província, na França napoleónica. Só que, temendo as autoridades a chegada de um Inspector Geral, que lhes exponha a corrupção, o prefeito (Gene Lockhart) e os seus oficiais (todos da família e igualmente corruptos) crêem ser Georgi o inspector disfarçado e tratam-no com todas as honras. A chegada de Yakov (Walter Slezak), o anterior chefe de Georgi, faz a dupla tornar-se mais exigente nas compensações financeiras, e os oficiais locais decidem matar Georgi, que apenas quer comprar de volta o antigo órgão de igreja e merecer o amor da bela criada Leza (Barbara Bates).

Análise:

Em 1949, Danny Kaye filmava pela primeira vez para a Warner Bros. depois de vários anos com Samuel Goldwyn. Era desde logo um renovar no elenco que o acompanhava, a despedida dos corpos de baile femininos (as infames Goldwyn Girls), e um maior orçamento que permitia filmagens exteriores em cenários naturais. Curiosamente este seu primeiro filme para a Warner Bros. era também um regresso à comédia musical, depois do filme “O Professor de Música” (A Song Is Born, 1948) de Howard Hawks, no qual Kaye não canta (nem é particularmente cómico).

Desta vez a ideia era pegar na comédia de Nikolai Gogol “The Government Inspector” (1836), usar a sua situação cómica de confusão de identidade (uma característica recorrente nos personagens de Kaye) e transformar a história ao desejo dos autores, neste caso passando a acção do Império Russo para o Francês, do tempo de Napoleão. O filme segue as desventuras de Georgi (Danny Kaye) um saltimbanco analfabeto que trabalha com um grupo de ciganos a vender banha da cobra, até os seus escrúpulos levarem a que os burlados se revoltem, e o seu chefe, Yakov (Walter Slezak) o escorrace. Vadiando sem destino ou comida, Georgi acaba preso por engano, numa cidade cujo prefeito (Gene Lockhart) e seus oficiais temem a chegada iminente de um Inspector Geral, que possa descobrir a corrupção que eles praticam. Quando ouvem falar do vagabundo preso, logo assumem que é o inspector disfarçado, e resolvem apaparica-lo e suborná-lo para que este não investigue as suas contas. A chegada de Yakov, que se apresenta como secretário do falso inspector, vem confirmar as suspeitas de todos, e quando o par decide confiscar o máximo dinheiro possível, os oficiais decidem matar Georgi. Vale a intervenção da bela criada Leza (Barbara Bates), que se apaixona por ele e o avisa, e Geogi e Leza fogem com o dinheiro, não para si, mas para comprarem de volta o órgão de igreja que os oficiais venderam em proveito próprio. Ao regressarem deparam com o verdadeiro Inspector Geral, que ao perceber tudo, declara Georgi o mais honesto dos homens e o torna novo prefeito da cidade.

Exceptuando o título e o pano de fundo de uma cidade cheia de corrupção, onde as autoridades temem a chegada de um Inspector Geral, que acabam por acreditar ser outra pessoa, pouco mais no filme de Henry Koster segue a peça de Gogol. “O Inspector Geral” centra-se na figura de Danny Kaye, na sua chegada, troca de identidade, formas desajeitadas de lidar com isso, e por fim resolução magnânima com interesse amoroso à mistura. E, claro, centra-se no humor físico de Kaye, nas suas expressões faciais, e nalguns números musicais, novamente escritos pela sua (agora) ex-mulher Sylvia Fine (na verdade nunca se divorciaram, embora se tivessem separado em 1947), como são as canções “The Inspector General” (onde Kaye canta contra três outras versões suas em sobreposição) e “Happy Times”.

Com um contexto histórico que serve apenas de pretexto para definir situações, e que Kaye logo escamoteia com o seu humor irreverente e intencionalmente anacrónico, “O Inspector Geral” é uma farsa de enganos que vive, como não podia deixar de ser, da prestação de Kaye. Voltando ao seu comportamento elástico de cara moldável e uma incrível prosódia na recitação de aliterações e trava-línguas, ora a falar, ora a cantar, Kaye encanta e prende a atenção, mesmo nos pontos menos interessantes do filme, e mesmo se muito de inverosímil nele decorre.

Ainda assim, por algumas situações, como a sequência do jantar, em que Georgi não consegue levar comida à boca; a sequência em que os oficiais se vão escondendo um por um no seu quarto; e as já citadas canções onde Kaye pode brilhar pela velocidade com que actua, “O Inspector Geral”, não sendo dos melhores filmes de Kaye (nem de Henry Koster), não deixa de ser equilibrado e agradável.

O filme, que conta ainda com as presenças da sempre eficaz e divertida Elsa Lanchester e do habitual parceiro de Errol Flynn, Alan Hale Sr., recebeu o Globo de Ouro para Melhor Banda Sonora.

Elsa Lanchester e Danny Kaye em "O Inspector Geral" (The Inspector General, 1949), de Henry Koster

Produção:

Título original: The Inspector General; Produção: Warner Bros.; Produtores Executivos: ; País: ; Ano: 1949; Duração: 102 minutos; Distribuição: Warner Bros.; Estreia: 30 de Dezembro de 1949 (EUA), 8 de Fevereiro de 1951 (Portugal).

Equipa técnica:

Realização: Henry Koster; Produção: Jerry Wald; Produtora Associada: Sylvia Fine; Argumento: Philip Rapp, Harry Kurnitz, Ben Hecht [não creditado] [a partir da peça “The Government Inspector” de Nikolai Gogol]; Música: Johnny Green; Canções: Sylvia Fine; Fotografia: Elwood Bredell [cor por Technicolor]; Montagem: Rudi Fehr; Direcção Artística: Robert M. Haas; Cenários: Fred M. MacLean; Figurinos: Travilla; Caracterização: Perc Westmore, Frank McCoy [não creditado]; Efeitos Especiais: Edwin B. DuPar; Coreografia: Eugene Loring; Direcção de Produção: Al Alleborn [não creditado].

Elenco:

Danny Kaye (Georgi), Walter Slezak (Yakov), Barbara Bates (Leza), Elsa Lanchester (Maria), Gene Lockhart (O Prefeito), Alan Hale (Kovatch), Walter Catlett (Coronel Castine), Rhys Williams (Inspector Geral).

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