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The Kid from BrooklynBurleigh Sullivan (Danny Kaye) é um vendedor de leite que um dia, ao tentar proteger a irmã (Vera-Ellen), acaba por passar por ter deixado inconsciente o famoso campeão de boxe Speed McFarlane (Steve Cochran), quando de facto, este, bêbedo, foi derrubado pelo seu guarda-costas Spider Schultz (Lionel Stander), igualmente bêbedo. Com o interesse da imprensa sobre quem é Burleigh, o empresário de McFarlane, Gabby Sloan (Walter Abel), decide usar a publicidade para tornar Burleigh num lutador. Este, para impressionar a namorada Polly Pringle (Virginia Mayo), aceita, sem saber que os combates são combinados para gerar expectativa até ao confronto final com o próprio McFarlane.

Análise:

Continuando com Samuel Goldwyn, e repetindo o elenco com Virginia Mayo e Vera-Ellen, Danny Kaye, agora dirigido por Norman Z. McLeod, continuava no registo das comédias musicais de inspiração de palco, centradas nas idiossincrasias do seu personagem, e envoltos em números musicais, muitas vezes sem nada a ver com a história, que eram também uma oportunidade para dar expressão às chorus lines formadas pelas chamadas Goldwyn Girls

Desta vez num remake da comédia de Harold Lloyd “A Via Láctea” (The Milky Way, 1936), dirigida pelo conhecido Leo McCarey, já na fase sonora do famoso comediante (por sua vez adaptado de uma peça de Lynn Root e Harry Clork, estreada em 1934), “O Príncipe da Paródia” dá-nos o inapto vendedor de leite Burleigh Sullivan (Danny Kaye) que, sem saber como, é mediatizado por se julgar que deixou inconsciente o famoso campeão de boxe Speed McFarlane (Steve Cochran), quando de facto, este, bêbedo, foi derrubado pelo seu guarda-costas Spider Schultz (Lionel Stander), igualmente bêbedo. Perante toda a confusão que se gera, o empresário de McFarlane, o esguio Gabby Sloan (Walter Abel) tem a brilhante ideia de querer transformar Sullivan num lutador. Este, para impressionar a namorada Polly Pringle (Virginia Mayo), aceita, não percebendo que os combates são todos combinados para ele vencer. E se Polly e a irmã de Burleigh (Vera-Ellen) se começam a preocupar por temerem o pior para ele, quando as vitórias acabam por o tornar convencido, ambas conspiram para que ele finalmente perca, e assim compreenda o seu lugar.

Como se vinha tornando hábito, o humor que está na base da construção do filme “O Príncipe da Paródia” (título português que nada tem a ver com o original, ou com a própria história), assenta sobre a personalidade de Danny Kaye, e em mais um história que tem a ver com certas confusões de identidade (neste caso acreditar-se que Burleigh Sullivan tenha qualidades de lutador). Estes ingredientes são depois condimentados com alguns números musicais, envolvendo canções, desfiles das Goldwyn Girls, e uma prestação do próprio Kaye, com um número que dificilmente encaixa no enredo do filme. Acresce dizer que, tanto a presença dançante de Vera-Ellen, como a presença romântica de Virginia Mayo têm as suas vozes dobradas no canto (por Dorothy Ellers e Betty Russell, respectivamente). As sequências musicais (quer música, canto ou coreografia) deixam muito a desejar, e surgem sempre forçadamente, com a necessidade de justificação a partir do enredo (levando a que o elenco tenha de marcar presença em muitas festas, para termos uma razão para estas sequências), e que em nada contribuem para a história. A excepção é, claro, o número do próprio Kaye. Embora também ele inconsequente no enredo, o tema “Pavlova” é, no entanto original, mercê do espírito inventivo do actor.

De resto, por entre um Kaye sempre atrapalhado, um empresário fala-barato, dois pugilistas mentecaptos e duas raparigas de personagens mal desenvolvidas, resta-nos as tiradas sempre certeiras da personagem Ann Westley (Eve Arden), e sobretudo a interpretação física de Kaye, perfeita no modo como passa de tímido leiteiro a ridículo pugilista. Há, claro, muitas influências do burlesco mudo nas melhores sequências de “O Príncipe da Paródia”, com Kaye a revelar-se um perfeito discípulo de Chaplin (veja-se a sequência das luvas que não param calçadas), do qual recordamos sempre o episódio do pugilismo em “Luzes da Cidade” (City Lights, 1931). Note-se ainda como o episódio em que o personagem de Kaye ensina a mais idosa Mrs. E. Winthrop LeMoyne (Fay Bainter) é algo reminiscente dos «duetos» entre Groucho Marx e Margaret Dumont.

Apesar de alguns bons momentos, e um Kaye sempre em alta rotação, “O Príncipe da Paródia” é vítima das suas próprias premissas, e ao querer complicar a personalidade do leiteiro que passa a ter um ego desmesurado, o filme perde-se um pouco, nunca conseguindo resolver bem esse caminho.

Por curiosidade acrescente-se que Lionel Stander repetiu o mesmo papel que tinha desempenhado em 1936 no filme de Harold Lloyd.

Danny Kaye e Virginia Mayo em "O Príncipe da Paródia" (The Kid from Brooklyn, 1946), de Norman Z. McLeod

Produção:

Título original: The Kid from Brooklyn; Produção: The Samuel Goldwyn Company, Trinity Productions; País: ; Ano: 1946; Duração: 113 minutos; Distribuição: RKO Radio Pictures; Estreia: 21 de Março de 1946 (EUA), 10 de Outubro de 1946 (Portugal).

Equipa técnica:

Realização: Norman Z. McLeod; Produção: Samuel Goldwyn; Argumento: Don Hartman e Melville Shavelson, Eddie Moran [não creditada] [adaptado do argumento de Grover Jones, Frank Butler e Richard Connell, baseado na peça “The Milky Way” de Lynn Root e Harry Clork]; Sequências Adicionais: Ken Englund [não creditado], Everett Freeman [não creditado]; Direcção Musical: Carmen Dragon; Canções: Jule Styne e Sammy Canhn; Sylvia Fine e Max Liebman (Pavlova); Supervisão Musical: Louis Forbes; Fotografia: Gregg Toland [cor por Technicolor]; Montagem: Daniel Mandell; Direcção Artística: Perry Ferguson, Stewart Chaney; Cenários: Howard Bristol, Clifford Porter; Figurinos: Miles White; Caracterização: Robert Stephanoff; Efeitos Visuais: John P. Fulton; Arranjos Vocais: Kay Thompson; Coreografia: Bernard Pearce; Direcção de Produção: Leon Fromkess.

Elenco:

Danny Kaye (Burleigh Sullivan), Virginia Mayo (Polly Pringle), Vera-Ellen (Susie Sullivan), Walter Abel (Gabby Sloan), Eve Arden (Ann Westley), Steve Cochran (Speed McFarlane), Fay Bainter (Mrs. E. Winthrop LeMoyne), Lionel Stander (Spider Schultz), Clarence Kolb (Mr. Austin), Victor Cutler (Fotógrafo), Charles Cane (Willard), Jerome Cowan (Speaker no Combate), Don Wilson (Comentador na Rádio), Knox Manning (Comentador na Rádio), Johnny Downs (Mestre de Ceremónias), The Goldwyn Girls, Betty Russell (Voz de Canto de Virginia Mayo) [não creditada], Dorothy Ellers (Voz de Canto de Vera-Ellen) [não creditada].

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