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Les amours imaginairesMarie (Monia Chokri) e Francis (Xavier Dolan) são dois jovens amigos, que um dia, numa festa, conhecem o jovem, belo e alegre Nicolas (Niels Schneider), cujo magnetismo natural faz com que ambos se sentim atraídos por ele. A partir de então ambos procuram todas as oportunidades para chegarem mais perto de Nicolas, que os encoraja com a sua amizade e partilha de intimidade, mas sem nunca manifestar uma preferência. Tal faz aumentar a frustração de Marie e Francis, que começam a competir não assumidamente entre si pelo tempo passado com Nicolas.

 
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Análise:

Como sua segunda longa-metragem, Xavier Dolan voltava a realizar e produzir uma história escrita e interpretada por si, num filme onde ainda se responsabilizava pela concepção visual, figurinos e montagem. Desta vez, Dolan optava por uma história solta, que mais que um enredo com princípio meio e fim, é sobretudo um conceito, que lida com a difícil definição da atracção amorosa.

Para o concretizar Dolan conta a história de dois amigos, Marie (Monia Chokri) e Francis (Xavier Dolan), que um dia conhecem o belo e alegre Nicolas (Niels Schneider), de quem ambos se enamoram. Ambos sentem encorajamentos em Nicolas, sempre que estão juntos sentido comunicação, quer nas formas de Nicolas os fascinar pelas suas ideias e modos de ser, quer pelas pequenas intimidades físicas, de sorrisos a contactos. Mas sempre que Marie ou Francis sentem que poderão iniciar algo mais íntimo, o outro está sempre presente, ficando no ar a dúvida sobre qual deles Nicolas poderá de facto querer, ou se para ele tudo é tão inocente quem nem compreende a necessidade de posse que vai crescendo nos dois amigos. No final ambos acabam por se sentir frustrados pela indecisão de Nicolas, e reatam a amizade, repudiando os seus avanços, para logo, noutra festa, se sentirem ambos atraídos por um outro homem.

“Amores Imaginários” torna-se, assim, um conjunto de episódios vistos, quer pelos olhos de Marie quer pelos de Francis, num contínuo desenrolar de actos falhados, avanços e recuos, desejos frustrados, e uma enorme incerteza, que se torna uma rivalidade velada entre ambos. No nascer desses episódios sente-se o poder da fantasia ou sonho, nas preparações e planos para desenvolvimentos que nunca são o esperado e que, apesar da poesia, amizade e intimidade partilhada, acabam sempre numa frustração e rivalidade (veja-se o episódio das prendas) não assumida para Marie e Francis.

Entre eles temos Nicolas, um espírito livre, como que dádiva dos deuses, pela sua beleza e jovialidade (e que vemos comparado à estátua de David numa sequência), motivo de desejo que paira sobre os seus amigos. Mas Nicolas é também símbolo de indecisão, ou mesmo de irresponsabilidade, de quem provoca sentimentos que não quer assumir, de quem brinca na fronteira entre amizade e romantismo, causando apenas frustração. Através dele, o filme aborda a poesia do contacto físico (a forma como os amigos se beijam, dormem nus juntos, como Nicolas come uma cereja das mãos de Francis, etc.), em que vemos depois Francis e Marie explorar com outros parceiros, numa fotografia de cores quase monocromáticas, como uma uma tela onde movimento e forma suplantam acção e narrativa (a que se pode acrescentar o aspecto <emvintage que passa pelas roupas e penteados, quase como se Dolan nos levasse aos tempos da Nouvelle Vague que decerto o inspira).

Da mesma forma, muito em “Amores Imaginários” é movimento e forma, do modo nervoso com que a câmara se insinua entre os personagens, como uma intrusa nem sempre esperada, espelhando nervosismo, inadequação e a própria frustração dos desejos não concretizados dos personagens. Com esses momentos competem aqueles em que a narrativa principal pausa, para assistirmos a entrevistas com jovens que falam das suas relações amorosas, desejos frustrados e questões por resolver.

Como se tornaria habitual em Dolan, o filme deixa-nos com um final em aberto, mais uma vez acentuando que são as questões e os momentos que contam e não um desenvolvimento linear, de final fechado. Acima de tudo fica a beleza dos gestos, da forma, dos movimentos, e as tentativas sempre a meio, com aquela poesia própria do inconcretizável, que é, afinal metáfora para a felicidade humana, aqui também exemplificada na canção “Bang Bang” de Sonny and Cher, na interpretação da italiana Dalida.

“Amores Imaginários” foi apresentado em Cannes, onde venceu o Prémio Regards.

Produção:

Título original: Les amours imaginaires [Título inglês: Heartbeats]; Produção: Mifilifilms / Quebec Film and Television Tax Credit / Canadian Film or Video Production Tax Credit (CPTC) / Radio Canada Télévision / SODEC / Téléfilm Canada; Produtores Executivos: ; País: ; Ano: 2010; Duração: 96 minutos; Distribuição: Alliance (Canadá), MK2 Diffusion (França); Estreia: 16 de Maio de 2010 (Festival de Cannes, França), 29 de Setembro de 2010 (França), 19 de Maio de 2011 (Portugal).

Equipa técnica:

Realização: Xavier Dolan; Produção: Xavier Dolan, Carole Mondello, Daniel Morin; Produtor Associado: ; Argumento: Xavier Dolan; Fotografia: Stéphanie Anne Weber Biron; Montagem: Xavier Dolan; Design de Produção: Xavier Dolan; Cenários: Delphine Gélinas; Figurinos: Xavier Dolan; Caracterização: Marie-Josée Galibert; Efeitos Visuais: Guylaine Dutil; Direcção de Produção: Carole Mondello.

Elenco:

Monia Chokri (Marie), Niels Schneider (Nicolas), Xavier Dolan (Francis), Anne Dorval (Désirée), Anne-Élisabeth Bossé (Rapariga 1), Olivier Morin (Rapaz 1), Magalie Lépine Blondeau (Rapariga 2), Éric Bruneau (Rapaz 2), Gabriel Lessard (Rapaz 3), Bénédicte Décary (Rapariga 3), François Bernier (Amante 1), Benoît McGinnis (Amante 2), François-Xavier Dufour (Amante 3), Anthony Huneault (Antonin), Patricia Tulasne (Cabeleireira), Jody Hargreaves (Jody), Clara Palardy (Clara), Minou Petrowski (Caixa), Perrette Souplex (Cabeleireira), Sophie Desmarais (Rockabill), Louis Garrel (Convidado da Última Noite).

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