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Cineclube de Santarém

Apresentação

Nome: Cineclube de Santarém
Localização: Palácio João Afonso, Rua Miguel Bombarda 4, 2000-080 Santarém
Sessões: Teatro Sá da Bandeira – Rua João Afonso, 7, 2000-055 Santarém

Blogue: https://cineclubesantarem.wordpress.com/
Facebook: https://www.facebook.com/cineclubedesantarem/
Email: cineclubedesantarem@gmail.com

Teatro Sá da Bandeira

Teatro Sá da Bandeira

Entrevista

Entrevista a Rita Correia, presidente da direcção do Cineclube de Santarém
Março de 2017

Há quanto tempo existe o Cineclube de Santarém?
Santarém foi cidade pioneira na divulgação do cinema, tendo apresentado uma primeira sessão de animatógrafo no Teatro Rosa Damasceno em Junho de 1896, poucos dias depois de ter sido efectuada em Lisboa, em 18 de Junho do mesmo ano, a primeira exibição de animatógrafo. Mais tarde, após prosseguimento de sessões de animatógrafo nas primeiras décadas do séc. XX, foi criada a Associação Scalabitana dos Amigos do Cinema, em 1932.

Em 1954, essa associação deu lugar ao Cineclube de Santarém, só vindo a ser aprovados os seus estatutos por despacho ministerial de 28 de Abril de 1955, após funcionamento durante mais de um ano de uma Comissão Organizadora.

Mais recentemente, houve um interregno de cerca de 20 anos na atividade do Cineclube de Santarém, que ressurgiu em 2008 através da Comissão Dinamizadora do Cineclube de Santarém. Em março de 2009 recomeçamos as exibições regulares no Teatro Sá da Bandeira e desde então temos tido uma atividade regular e consolidada.

Quantos sócios tem, e que quotas pagam?
Sócios antigos, anteriores a 2008, temos mais de 300. Atualmente, o Cineclube de Santarém conta com cerca de 200 sócios inscritos, que pagam 20€ de quota anual.

Quantas sessões organizam por mês?
Temos sessões todas as quartas-feiras de cada mês, e pontualmente algumas sessões extra.

Que critérios presidem à vossa programação, e que áreas se procuram cobrir?
A nossa programação não é tão livre como gostaríamos. Acima de tudo, infelizmente, temos os critérios económicos que ditam a nossa programação. Por outro lado, assumimo-nos como um Cineclube que passa cinema independente e de autor (essencialmente europeu), mas contemporâneo. Todos os filmes que passamos são habitualmente estreias ou filmes estreados há pouco tempo.
Existe falta desse tipo de programação na cidade e o Cineclube procura colmatar essa falha.

Pontualmente, ou em forma de ciclos, exibimos filmes antigos, inseridos na nossa missão de educação de públicos.

Fazemos sempre uma apresentação das sessões.

Como é a adesão da população em geral?
O Cineclube é muito acarinhado pela cidade, devo dizer. É uma das associações mais antigas e respeitadas da cidade. Temos um público fiel e regular de cerca de 40 espectadores, e uma taxa de ocupação de sala bastante acima dos números nacionais.

Que outras actividades e iniciativas do Cineclube de Santarém gostaria de destacar?
O Cineclube de Santarém foi responsável durante vários anos pela organização do Festival Internacional de Cinema de Santarém, que teve a sua primeira edição no final dos anos 60 e era, a par com o Festival de Cinema da Figueira da Foz, um dos mais importantes do país.

Atualmente, além das nossas sessões regulares, temos sessões de matiné para escolas e séniores, e fazemos sessões ao ar livre, de entrada livre, durante o verão.

Com que apoios contam a nível local, e que outros gostariam de ter?
Temos apenas o apoio da Câmara Municipal, que se traduz na cedência de uma sala onde estamos sediados, e na utilização do Teatro Municipal (Teatro Sá da Bandeira) para realizar as nossas sessões regulares. Seria bastante benéfico para a nossa atividade regular termos igualmente algum tipo de apoio financeiro.

Estão satisfeitos com as instalações, e material técnico ou pensam que poderiam ter melhores condições?
Estamos satisfeitos com as instalações e material técnico que utilizamos. Creio que até seremos das poucas salas nacionais equipadas com projetor de 35mm em perfeito estado funcional. A acústica da sala é muito boa e os nossos técnico de som fazem um excelente trabalho.

No entanto, será necessário dotar a sala de equipamentos digitais modernos para podermos continuar a exibir de forma regular, uma vez que a sala não está equipada com DCP, apenas dispomos de DVD e Bluray.

Qual a facilidade ou dificuldade com que obtêm os filmes desejados? Em que formatos os projectam, e que proveniências têm?
Como tive oportunidade de dizer ao início, temos bastantes constrangimentos financeiros, e há muitos filmes que não temos capacidade de passar porque fogem bastante do nosso reduzido orçamento. Por outro lado, sempre que tentamos passar algum filme com mais de 15/20 anos deparamos-nos com vários impededimentos de ordem legal, porque muitas vezes não conseguimos obter os direitos de exibição.

A maioria dos filmes que exibimos vêm das 3 maiores distribuidoras independentes nacionais: Alambique, Leopardo e Midas.

Finalmente, na era da internet, qual a importância que vêem actualmente na existência dos cineclubes?
A chamada “era da internet” já estava mais do que instalada quando os Cineclubes ressurgiram um pouco por todo o país. O digital foi visto como uma sentença de morte para o cinema nos anos 90, mas a verdade é que aconteceu precisamente o contrário: é nessa altura que fecham os videoclubes um pouco por todo o país, e que os cineclubes regressam em força.

Não sou adepta da ideia de que o cinema é um “acto social”, antes pelo contrário. Acho que o cinema é uma arte de fruição solitária e bastante individual. O que considero absolutamente fundamental é a existência de uma sala escura e ecrã grande. E isso, nem o melhor home cinema nos dá. A experiência do cinema implica sair de casa e estar sentado durante o tempo que dura o filme, sem pausas, nem streaming, nem outras distrações. E os cineclubes, na minha opinião, vieram trazer essa alternativa que faltava, quando assistimos ao fecho de salas de rua e à proliferação dos multiplexes e da experiência do cinema aliado às pipocas e ao fast food.

Quem gosta verdadeiramente de apreciar uma obra cinematográfica, certamente que agradece a alternativa que são os cineclubes.

Interior do Teatro Sá da Bandeira

A Janela Encantada agradece a colaboração de Rita Correia, e do Cineclube de Santarém, recomendando a quem puder que participe nas suas sessões, e apoie os cineclubes locais.

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