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Roy D'Arcy, Mae Murray e John Gilbert em "A Viúva Alegre" (The Merry Widow, 1925) de Erich von Stroheim

Se é verdade que o cinema americano se começou a desenvolver a partir de 1895, na costa Leste, sob o domínio de Edison, e das empresas que se aliaram ao Edison Trust, é a partir de 1909, quando o cinema americano «emigra» para as paisagens solarengas da Califórnia, que se começa a criar a indústria que hoje conhecemos.

Fosse através dos primeiros westerns, dos épicos de D. W. Griffith e Cecil B. DeMille ou da comédia burlesca de Mack Sennett, a década de 1910 é o período da criação e cristalização dos primeiros géneros, autores e actores. É nela que se dá a génese das produtoras que em breve se tornarão senhoras absolutas do cinema mundial e consequentemente, o início de um modelo de negócio que se iria tornar no famoso «studio system».

Tudo isto atinge o seu ponto áureo na década de 20. É nela que o cinema americano se leva a sério e decide considerar-se, mais que uma atracção de entretenimento barato, uma arte: a sétima arte. É nela que alguns realizadores se começam a ver como autores, exigindo papel criativo perante os seus produtores. É nela que as principais estrelas da tela se tornam universais. É nela que os grandes estúdios começam a importar talentos criativos da Europa (a qual paga ainda o preço da Grande Guerra), que lhes permita uma produção a todos os títulos hegemónica. É nela que o cinema mudo atinge a perfeição, numa série de grandes obras hoje tidas como referência. É nela que a indústria de Hollywood se une e passa a auto-premiar-se numa cerimónia que dura até hoje: a entrega dos Oscars.

A década de 1920 é, por isso, uma época importante, de obras incontornáveis, e o estabelecimento de nomes que ajudaram a elevar a fasquia do cinema norte-americano, como os citados Griffith e DeMille, os também americanos Fred Niblo, Clarence Brown, King Vidor, Frank Borzage, William A. Wellman e Victor Fleming, ou os emigrados Rex Ingram, Victor Sjöström, Erich von Stroheim. F. W. Murnau e Josef von Sternberg. Foi a época de Lilian Gish, Rudolph Valentino, Greta Garbo, John Gilbert, Emil Jennings, Clara Bow, Janet Gaynor, Gloria Swanson, Antonio Moreno, entre outros.

É essa década, nas suas maiores obras, que se pretende homenagear neste ciclo, com mais de duas dezenas de filmes produzidos nos Estados Unidos e que foram, de uma forma ou de outra, importantes na construção da toda-poderosa Hollywood.

Nota 1: Este ciclo pode ser visto como uma espécie de parte 2 do anterior Longas-metragens da comédia muda, e será, mais tarde sucedido de um ou mais ciclos dedicados à aventura, horror e fantasia do cinema mudo de Hollywood.

Nota 2: Para um olhar sobre o cinema europeu deste período, consultar:
Expressionismo alemão
Cinema mudo escandinavo

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