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Holiday InnQuando o cantor Jim Hardy (Bing Crosby) decide quebrar a parceria com o bailarino Ted Hanover (Fred Astaire), para assentar raízes no campo, casando com a colega de ambos, Lila Dixon (Viginia Dale), não espera que esta, à última da hora, o troque por Ted e pelo continuar da carreira. No campo, Jim aborrece-se e decide transformar a sua casa numa pensão rural com espectáculos nos dias feriados. Para tal contrata, como nova parceira, Linda Mason (Marjorie Reynolds), por quem se vem a apaixonar. Tudo vai bem, até Ted, entretanto abandonado por Lila, chegar à Holiday Inn de Jim, e ver em Linda uma possibilidade de nova parceira de dança.

Análise:

A partir de uma idea e de canções do famoso Irving Berlin, Mark Sandrich (um dos mais prolíficos realizadores do seu tempo no campo da comédia romântica e do musical) criou “15 Dias de Prazer”, um musical de tom leve, que tinha por base os feriados as comemorações dos Estados Unidos e, claro, fazer uso da reconhecida voz de Bing Crosby e da reputação de bailarino de Fred Astaire.

O mote fica dado no número musical inicial onde Jim (Crosby) e Ted (Astaire) cantam e dançam (cada qual na sua especialidade) para conquistarem a parceira de número, Lila (Virgina Dale). O duelo em palco continua nos bastidores, com Jim, noivo de Lila a celebrar o abandono da carreira para que vão viver na paz do campo. Só que sem que ele saiba, Lila já decidiu continuar com Ted, para prosseguir a carreira como duo. Na sua nova vida, Jim é infeliz, sentindo a falta do espectáculo, decide então transformar a sua quinta no que chama Holiday Inn, uma pensão e casa de espectáculos campestre, que funciona apenas nos feriados. No processo conhece Linda (Marjorie Reynolds, cuja voz nas canções foi dobrada por Martha Mears) que procura uma oportunidade para dançar e cantar. Os dois montam um conjunto de espectáculos ao longo do ano, que vêm a atrair a curiosidade de Ted, entretanto deixado por Lila. Ao chegar Ted vê em Linda uma futura parceira, e faz tudo para a levar consigo, mau grado o desgosto de Jim que tenta evitar que a história se repita. Atraindo críticos de Hollywood, Jim consegue mais que convencê-los a contratá-lo e a Linda, já que estes querem transformar a ideia de Holiday Inn num musical, com peças de Jim. Contrafeito, Jim concorda, mas antes que o filme termine vai a Hollywood dizer a Linda o que realmente sente por ela.

Com uma típica história de desencontros amorosos como motor do enredo, “Holiday Inn” é um filme que tem tipicamente dois objectivos. Por um lado, trazer-nos o entretenimento de Bing Crosby e Fred Astaire, na música de Irving Berlin (que escreveu doze canções para o filme, recuperando ainda a antiga “Easter Parade”). Por outro, dar-nos qualquer coisa de patriótico, não só no lembrar da razão dos feriados norte-americanos, como passando a uma propaganda mais agressiva uma ou outra vez. Nota-se o segmento militarista, em que, para falar da liberdade e independência americana, se mostram imagens bélicas (marchas, formações de tanques e aviões, e produção de armamento em fábricas), e os rostos de chefes militares e de Roosevelt. É que Pearl Harbor tinha acontecido durante a produção do filme.

Curioso é o pequeno segmento animado do calendário que apresenta o Dia de Acção de Graças, com um peru indeciso entre duas quintas-feiras, sátira a uma decisão de Roosevelt de mudar o dia tradicional, por uma questão económica.

Com o calendário (que é como quem diz, os feriados), a marcar os momentos do filme, este desenrola-se tendo as festividades como tema, na ironia que é o abandono dos grandes palcos por Jim, por estar farto de nem sequer ter tempo para gozar os feriados, para uma vida em que é só neles que trabalha. Com o cenário da sua Holiday Inn como fundo, é aí que se compõe, canta, dança, e que Jim (o tímido) se apaixona por Lila, que teme voltar a perder para Ted. O filme vale pela riqueza temática dos números musicais, mesmo que a história seja algo previsível. Destaca-se sobrtudo a dança embriagada de Ted (Fred Astaire terá mesmo bebido imenso para os seus passos saírem mais naturais), o seu sapateado de 4 de Julho sobre o rebentamento de estalinhos e, claro, o tema “White Christmas”.

“White Christmas” fora escrita por Berlin dois anos antes, mas ainda não havia sido utilizado. A canção, cantada por Bing Crosby, tornou-se um enorme sucesso, vencendo o Oscar, tornando-se um clássico de Natal, e um dos singles mais vendidos da história. O seu sucesso levou ao semi-remake “Natal Branco” (White Christmas, 1954) de Michael Curtiz, onde Bing Crosby contracena com o comediante Danny Kaye, numa história algo diferente, mas também centrada numa pousada, e filmado exactamente nos mesmos cenários.

O filme foi ainda nomeado para Melhor História (Berlin) e Melhor Banda Sonora (Robert Emmett Dolan), e tornou-se o musical com maior sucesso de bilheteira nos EUA e Inglaterra até então.

A cadeia internacional de hotéis “Holiday Inn”, criada em 1952 por Kemmons Wilson, foi assim baptizada em homenagem ao filme.

Marjorie Reynolds, Bing Crosby e Fred Astaire em "15 Dias de Prazer" (Holiday Inn, 1942) de Mark Sandrich

Produção:

Título original: Holiday Inn; Produção: Paramount Pictures;; País: EUA; Ano: 1942; Duração: 100 minutos; Distribuição: Paramount Pictures; Estreia: 4 de Agosto de 1942 (EUA), 14 de Junho de 1943 (Portugal).

Equipa técnica:

Realização: Mark Sandrich; Produção: Mark Sandrich; Argumento: Claude Binyon [a partir de uma ideia de Irving Berlin, adaptada por Elmer Rice]; Música: Robert Emmett Dolan [não creditado], Walter Scharf [não creditado]; Canções: Irving Berlin; Orquestração: Herbert W. Spencer [não creditado], Paul Weston [não creditado]; Fotografia: David Abel [preto e branco]; Montagem: Ellsworth Hoagland; Direcção Artística: Hans Dreier, Roland Anderson; Cenários: Sam Comer [não creditado], Ray Moyer [não creditado]; Figurinos: Edith Head; Caracterização: Wally Westmore; Coreografia: Danny Dare; Direcção de Produção: Charles Woolstenhulme [não creditado].

Elenco:

Bing Crosby (Jim Hardy), Fred Astaire (Ted Hanover), Marjorie Reynolds (Linda Mason), Virginia Dale (Lila Dixon), Walter Abel (Danny Reed), Louise Beavers (Mamie), Irving Bacon (Gus), Marek Windheim (François), James Bell (Dunbar), John Gallaudet (Parker), Shelby Bacon (Vanderbilt), Joan Arnold (Daphne), Bob Crosby Orchestra.

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