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Bad Santa Willie (Billy Bob Thornton) é um ex-presidiário que desistiu da sua vida, entregando-se à bebida, e sexo ocasional, sem conseguir controlar o mau-feitio nem os embaraços em que se coloca. A cada Natal, Willie trabalha como Pai Natal de centro comercial, com o anão Marcus (Tony Cox). E para além das asneiras que diz a toda a hora, do modo como maltrata as crianças, e do negligenciar o seu posto para beber ou ter sexo nos gabinetes de provas, Willie ajuda Marcus a assaltar os locais onde trabalham. Isto até um miúdo (Brett Kelly) o começar a seguir, acreditando que Willie é o verdadeiro Pai Natal.

Análise:

Realizado por Terry Zwigoff, um realizador então com apenas um filme no seu curriculum – “Ghost World – Mundo Fantasma” (Ghost World, 2001) – estreava, dois anos depois, “Bad Santa – O Anti-Pai Natal”, um filme que se propunha a ser quase um anti-filme de Natal. Produção dos irmãos Coen, que reviram o argumento final, foi com a quadra natalícia no horizonte que Zwigoff dirigiu Billy Bob Thornton para ser uma espécie de vilão de Natal avesso a tudo o que é espírito da época.

Pior que a sua permanente bebedeira, modos brutais, e ódio à criançada, Willie (Thornton) é um Pai Natal de centro comercial que, dirigido pelo seu comparsa, o anão Marcus (Tony Cox) vê nesse emprego uma forma de ter acesso aos cofres dos ditos centros comerciais para os assaltar. Ano após ano, e por mais que Willie diga que nada mais quer da vida, e continue numa senda auto-destrutiva que o afasta de tudo e de todos, assim que o Natal se aproxima, recebe mais um telefonema de Marcus, com um novo trabalho em vista. É num desses Natais que Willie conhece um miúdo (Brett Kelly), já demasiado crescido para acreditar no Pai Natal, mas cuja vida solitária, e constante abuso da parte dos colegas, o leva a sonhar ainda. Para Willie era credulidade é apenas mais uma oportunidade, neste caso para viver numa casa rica, e usar de tudo o que ela lhe ofereça. Mas aos poucos, e mesmo lutando contra isso, Willie vai-se começando a importar com o miúdo.

O que mais espanta em “Bad Santa – O Anti-Pai Natal”, não é tanto o tema, já que a abordagem do Natal pela negativa não é uma novidade, e fazê-lo com um anti-herói jocoso era já o tema de Grinch. A novidade está na interpretação de Billy Bob Thornton, que consegue criar um personagem execrável, constantemente bêbedo, mal-educado, e a todos os níveis repugnante. A isso o seu Willie alia um vocabulário impróprio (nunca tantas asneiras terão sido ditas num filme de Natal), e uma propensão para se meter em sarilhos no seu trabalho, pelo desprezo que mostra por tudo e todos (a começar por si próprio).

Não obstante, Willie consegue a simpatia do miúdo que fica fascinado por ter um Pai Natal por perto, e de Sue (Lauren Graham), uma empregada de bar que o procura inicialmente por sexo, mas que vai ficando por perto. Como se ambos (miúdo e empregada de bar) vissem algo que mais ninguém visse, e teimassem (e teimar é a palavra certa) e mostrar a Willie que a sua vida poderia ter algum sentido. Como esperado, Willie vai terminar herói, quando a ganância de Marcus o leva a traí-lo, e por vias transviadas, o ex-Pai Natal vai mostrar que se preocupa com o pequeno que o segue.

Mais que na história da transformação (se é que ela chega a acontecer) ou em qualquer moral implícita, o filme vive da ridicularização do estranho Pai Natal, e no confronto de Willie com aqueles que vêem nele o que ele não é. É aí que chegam os momentos mais desconcertantes (do sexo no camarim de provas às tareias que o miúdo apanha) e cómicos, num filme que Billy Bob Thornton disse representar um dos melhores momentos da sua via, pois passou grande parte das filmagens verdadeiramente embriagado. Mesmo assim (ou talvez por isso mesmo, o resultado foi uma interpretação deveras convincente, de modo que não é hoje possível pensar num «Bad Santa» diferente, mesmo sabendo-se que para o papel chegaram a estar alinhavados Bill Murray e Jack Nicholson.

“Bad Santa – O Anti-Pai Natal” foi o último filme de John Ritter, que morreria pouco depois, e a quem o filme foi dedicado.

Produção:

Título original: Bad Santa; Produção: Columbia Pictures Corporation / Dimension Films / Triptych Pictures / Blixa Zweite Film / Terry Zwigoff Productions; Produtores Executivos: Joel Coen, Ethan Coen; Co-Produtores Executivos: Harvey Weinstein, Brad Weston; País: EUA / Alemanha; Ano: 2003; Duração: 100 minutos; Distribuição: Dimension Films (EUA), Buena Vista International (Internacional); Estreia: 18 de Novembro de 2003 (EUA), 2 de Dezembro de 2004 (Portugal).

Equipa técnica:

Realização: Terry Zwigoff; Produção: John Cameron, Sarah Aubrey, Bob Weinstein; Co-Produção: David Crockett; Argumento: Glenn Ficarra, John Requa; Música: David Kitay; Fotografia: Jamie Anderson [fotografia digital, cor por DeLuxe]; Montagem: Robert Hoffman; Design de Produção: Sharon Seymour; Direcção Artística: Peter Borck; Cenários: Robert Greenfield; Figurinos: Wendy Chuck; Caracterização: Carrie Angland, Francisco X. Pérez; Efeitos Especiais: Scott Blackwell, Chris Brenczewski; Efeitos Visuais: Ian Noe [não creditado]; Direcção de Produção: Haley Sweet.

Elenco:

Billy Bob Thornton (Willie), Tony Cox (Marcus), Brett Kelly (O Miúdo), Lauren Graham (Sue), Lauren Tom (Lois), John Ritter (Bob Chipeska), Bernie Mac (Gin), Ajay Naidu (Provocador Hindu), Lorna Scott (Mãe em Milwaukee), Harrison Bieker (Miúdo em Milwaukee), Alex Borstein (Mãe com Foto em Milwaukee), Alexandra Korhan (Miúda ao colo do Pai Natal), Dylan Charles (Miúdo Conflituoso em Milwaukee), Billy Gardell (Segurança em Milwaukee) Lisa Ross (Empregada de Bar em Milwaukee).

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