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KrampusCom o pequeno Max (Emjay Anthony) e os seus pais Tom (Adam Scott) e Sarah (Toni Collette) a receberem a família para o que se prevê uma celebração de Natal muito quezilenta, a desilusão de Max leva-o a cair na descrença, o que resulta no aparecimento do espírito negativo do Natal, o mito austríaco de Krampus, que Omi (Krista Stadler), a avó paterna de Max, bem conhece da forma como atormentou a sua infância, numa Áustria natal sem espaço para a beleza e a fé. Reunido de elfos diabólicos e bonecos animados numa senda assassina, Krampus vai assolar toda a família, que terá de recuperar a inocência perdida se quiser sobreviver.

Análise:

De Michael Dougherty, o realizador e argumentista que já nos tinha dado a antologia de contos de Halloween “Trick ‘r Treat” (2007), chegou em 2015 o natalício “Krampus: O Lado Negro do Natal”, filme que confirma as propensões de Dougherty para explorar o terror.

Transformar o Natal num conto de terror tem já algo de perverso e inovador, ideia com que Dougherty brinca logo desde o início ao desenhar-nos uma reunião familiar que tem muito de terrífico e pouco de idílico. É a reunião da família do pequeno Max (Emjay Anthony), cujos pais Tom (Adam Scott) e Sarah (Toni Collette) recebem a irmã desta Linda (Allison Tolman), o beligerante marido Howard (David Koechner) e a sua carrada de repugnantes filhos. Do habitual conflito de mentalidades e invejas familiares, a lembrar um opouco a atmosfera do já clássico “Que Paródia de Natal” (National Lampoon’s Christmas Vacation, 1989), onde todas as peripécias parecem apontar para o arruinar de uma quadra que se quer festiva e terna.

Mas cedo se passa do clima de comédia para o de terror, quando, devido à tristeza de Max, que decide deixar de lado a inocência perante as discussões familiares, algo sobrenatural passa a ameaçar a família, raptando, um após outro, os seus elementos, com situações violentas e trágicas. A explicação vem da velha avó de origem alemã (Krista Stadler), que conta que se está a viver o mesmo que ela testemunhou, muitos anos antes, numa Áustria em decadência, quando todos deixavam de acreditar no Natal. Essa é a lição de inocência que todos teimam em não aceitar, e que por isso dá entrada a todo o tipo de criaturas maléficas (de bolos de gengibre a bonecas e palhaços, terminando em elfos demoníacos), que servem de prelúdio à chegada do todo poderoso Krampus, uma espécie de demónio de Natal.

Entre a tragédia familiar e o absurdo da ameaça pelos objectos mais inusitados, “Krampus: O Lado Negro do Natal” nunca deixa de ter um pé completamente fora da comédia, ainda que as situações sigam os chavões do terror e se tornem minuto a minuto mais terríficas, mercê de uma grande aposta no departamento dos efeitos especiais, que torna o filme um grande carrossel de efeitos a partir da sua metade.

Obviamente, como percebemos desde o início, a solução estará no pequeno Max, o único com capacidade para recuperar a credulidade no espírito do Natal, assim combatendo o mítico Krampus, e conseguindo devolver a paz à sua família, após todo o apocalipse que se abate sobre ela (e toda a povoação) nas horas precedentes.

Com personagens muito caricaturais, que não dão aos actores muito mais que a hipótese de gritar, “Krampus: O Lado Negro do Natal” tem o seu melhor nas criaturas que sucessivamente atacam a família, numa história demasiado previsível e bidimensional. É, ainda assim, uma interessante variação das histórias natalícias, aqui tornadas horror, mostrando que, afinal, até aquilo que julgamos sagrado deve ser conquistado, na proverbial paz e harmonia.

Krista Stadler em "Krampus: O Lado Negro do Natal" (Krampus, 2015) de Michael Dougherty

Produção:

Título original: Krampus; Produção: Legendary Entertainment / Universal Pictures; Produtores Executivos: Zach Shields, Daniel M. Stillman; País: EUA; Ano: 2015; Duração: 98 minutos; Distribuição: Universal Pictures; Estreia: 30 de Novembro de 2015 (EUA), 3 de Dezembro de 2015 (Portugal).

Equipa técnica:

Realização: Michael Dougherty; Produção: Michael Dougherty, Alex Garcia, Jon Jashni, Thomas Tull; Co-Produção: Todd Casey; Produtora Associada: Pamela Harvey-White; Argumento: Todd Casey, Michael Dougherty, Zach Shields; Música: Douglas Pipes; Fotografia: Jules O’Loughlin [filmado em Panavision, convertido para fotografia digital]; Montagem: John Axelrad; Design de Produção: Jules Cook; Direcção Artística: Alistair Kay; Cenários: Daniel Birt; Figurinos: Bob Buck; Caracterização: Richard Muller; Efeitos Especiais: Grant Bensley; Efeitos Visuais: Misato Shinohara, Jesse Kobayashi, Danny Bergeron (Mokko Studio), Marten Coombe (Weta Digital), Ivan Kondrup Jensen (Ghost VFX); Direcção de Produção: Ty Warren.

Elenco:

Emjay Anthony (Max), Adam Scott (Tom), Toni Collette (Sarah), Stefania LaVie Owen (Beth), Krista Stadler (Omi), Conchata Ferrell (Tia Dorothy), Allison Tolman (Linda), David Koechner (Howard), Maverick Flack (Howie, Jr), Queenie Samuel (Jordan), Lolo Owen (Stevie), Sage Hunefeld (Bebé Chrissy), Leith Towers (Derek), Curtis Vowell (Homem da DHL), Luke Hawker (Krampus), Seth Green (Lumpy – voz), Breehn Burns (Dumpy – voz), Justin Roiland (Clumpy – voz), Brett Beattie (Der Klown), Mark Atkin (Ketkrókur), Amy Brighton (Þvörusleikir), Trevor Bau (Hurðaskellir), Ravi Narayan (Kertasníkir), Felicity Hamill (Gáttaþefur), Sophie Gannon (Bjúgnakrækir), Kelly Lily Marie (Giljagaur), Clare Odell (Gluggagægir), Gareth Ruck (Stekkjarstaur), Ivy George (Perchta the Cherub – voz), Teddy Klaue (Teddy Klaue), Tik Tok (Tik Tok), Collin Dean (Ruprecht the Elf), Pascal Ackerman (The Yule Goat), Skye Broberg (The Yule Goat), Jessie Carson (The Yule Goat), Thor (Rosie the Dog).

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