Etiquetas

, , , , , , , , , , ,

Which Way to the Front?Brendan Byers III (Jerry Lewis) o homem mais rico do mundo, é chamado para o exército para lutar na Segunda Guerra Mundial, mas considerado fisicamente inapto. Furioso com a rejeição Byers conhece Sid Hackle (Jan Murray), Peter Bland (Steve Franken) e Terry Love (Dack Rambo), três outros rejeitados, com motivos de sobra para quererem fugir do país. Come eles Byers decide criar o seu próprio exército. Completado pelo seu assistente pessoal Finkel (John Wood) e pelo seu motorista Lincoln (Willie Davis) treinam nos jardins da mansão, com equipamentos caríssimos, e viajam de iate para Itália, decididos a raptar e substituir o Marechal de Campo nazi Erik Kesselring (também Lewis), cujo génio militar impede o avanço aliado em Itália.

Análise:

O último filme produzido pela Jerry Lewis Productions é, de certo modo um adeus de Jerry Lewis como autor. É verdade que, depois “Onde Fica a Guerra?”, o comediante ainda realizaria mais três filmes, dois dos quais com interpretação e argumento seus, mas o contexto mudara. Jerry afastava-se aos poucos do cinema, e os seus esporádicos regressos davam sempre a sensação de favores feitos a outros, e não do prosseguimento da sua linha criativa.

Desta vez para a Warner Bros., Jerry Lewis protagonizou a história de Brendan Byers III (Lewis) o homem mais rico do mundo, que fica em choque quando o exército o rejeita para combater na Segunda Guerra Mundial. Em conjunto com os também rejeitados Sid Hackle (Jan Murray), Peter Bland (Steve Franken) e Terry Love (Dack Rambo), os quais têm razões fortesa para precisarem de deixar o país, Byers decide formar o seu exército. Completado pelo seu assistente pessoal, Finkel (John Wood), e pelo seu motorista, Lincoln (Willie Davis, jogador dos Los Angeles Dodgers), pago a peso de ouro, treinado nos jardins da sua mansão, e vestido com uniformes ridículos. A missão é simples, raptar e substituir o Marechal de Campo alemão Erik Kesselring (também Lewis), cuja estratégia impede o avanço aliado em Itália. Nessa tentativa Byers vai encontrar-se frente a frente com Hitler no meio de uma conspiração alemã para matar o ditador.

Confiando numa história de guerra, baseada nas peripécias de um grupo de comandos improváveis e numa troca de identidade, Jerry Lewis (num duplo papel, como tantas vezes desempenhou) dirige um filme pobre, que mostra algum cansaço nas suas fórmulas de exploração da sua imagem, mímica, vozes ridículas e tiques excêntricos, conseguindo sempre que as cenas se arrastem até perderem a piada (salvando-se talvez a sequência da palavra-chave, e mesmo essa um pouco derivada dos Irmãos Marx).

Se, por um lado, a história tem potencial, o filme fica desde logo debilitado por um arranque lento, e uma sucessão de (dir-se-ia típicas e mesmo obrigatórias) cenas de treino dos seus soldados quase forçados, as quais nunca conseguem produzir nenhum momento verdadeiramente inspirado. Lewis tenta, desta vez, um personagem sério (algo arrogante e distante), onde os histrionismos, linhas cómicas e atitudes desastradas venham dos seus co-protagonistas (em especial Jan Murray e Steve Franken, bem como pelos soldados alemães constantemente infantilizados). Não só não resulta, como quando ele tenta inverter isso, cai no mais ridículo (ataques que gaguez, gritaria de Kesselring, ou a cena da dança com Hitler). O filme tem, talvez, o mérito de brincar com um assunto ainda controverso, conseguindo os melhores momentos nas ironias do exército de Byers (a sala de refeições em sua casa, o carregamento de vinhos caros junto às armas, etc.). “Onde Fica a Guerra?” não termina sem uma completa ridicularização de Hitler (Sidney Miller), efeminado, infantil, caprichoso e, no mínimo, uma má cópia do personagem criado por Charles Chaplin em “O Grande Ditador” (The Great Dictator, 1940).

Há toda uma lógica apressada por detrás da realização e montagem, com tratamento de planos e interpretação (do uso dos flashbacks às mudanças de cena, e freeze-frames) que nos fazem pensar estarmos a ver um episódio televisivo, onde todos os chamados bloopers (ou takes falhadas) são conservados. Por essa falta de inspiração, erros e decisões incompreensíveis, o filme foi muito criticado aquando da sua estreia, tornando Lewis mais consciente dos seus erros, o que levaria, por exemplo, ao congelamento do seu filme seguinte “The Day the Clown Cried” (1972), que nunca teve exibição comercial, e se encontra hoje apenas em excertos. Depois disso Lewis retirava-se do cinema para só voltar esporadicamente, em projectos de outros autores.

Steve Franken, Jerry Lewis e John Wood em "Onde Fica a Guerra?" (Which Way to the Front?, 1970) de Jerry Lewis

Produção:

Título original: Which Way to the Front?; Produção: Jerry Lewis Productions; Produtor Executivo: Joe E. Stabile; País: EUA; Ano: 1970; Duração: 87 minutos; Distribuição: Warner Bros.; Estreia: Julho de 1970 (EUA).

Equipa técnica:

Realização: Jerry Lewis; Produção: Jerry Lewis; Argumento: Gerald Gardner, Dee Caruso [a partir de uma história de Gerald Gardner, Dee Caruso, Dick Miller]; Música: Lou Brown, Pete King [não creditado]; Supervisão Musical: Sonny Burke; Fotografia: W. Wallace Kelley [cor por Technicolor]; Montagem: Russel Wiles; Design de Produção: John Beckman; Cenários: Ralph S. Hurst; Figurinos: Guy C. Verhille; Caracterização: Jack Stone, Fred Williams; Efeitos Especiais: Ralph Webb [não creditado]; Créditos: Don Record; Direcção de Produção: Russell Saunders.

Elenco:

Jerry Lewis (Brendan Byers III / Field Marshal Erik Kesselring), Jan Murray (Sid Hackle), John Wood (Finkel), Steve Franken (Peter Bland), Dack Rambo (Terry Love), Willie Davis (Lincoln), Robert Middleton (Colonico), Kaye Ballard (Signora Messina), Harold J. Stone (General Buck), Paul Winchell (Schroeder), Sidney Miller (Hitler), Joe Besser (Mestre do Cais), Gary Crosby (Soldado SS), Danny Dayton (Homem no Carro), Kathleen Freeman (Mãe de Bland), Neil Hamilton (Chefe Militar), Bob Layker (Sargento), Art Lewis (Soldado SS), Bobo Lewis (Camille Bland), Mickey Manners (Soldado SS), George Takei (Yamashita), Ron Lewis (Lt. Levitch).