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Hook, Line and SinkerPeter J. Ingersoll (Jerry Lewis) é um americano de classe média, casado, com dois filhos, numa vida monótona, onde o casamento já perdeu a chama. Um dia, Peter é informado pelo seu médico e amigo, Dr. Scott Carter (Peter Lawford), que um problema cardíaco lhe dá apenas alguns meses de vida. Aconselhado pelo próprio médico, Peter vai viver todos os seus sonhos sem medo de despesas que serão cobradas após a sua morte. O problema é que o Dr. Carter vem a informar Peter que foi tudo um erro, e como forma de escapar às dívidas, tem de trocar de identidade, fingindo a sua morte. Mas cedo Peter percebe que foi tudo um plano do Dr. Carter, para ficar com a sua vida, mulher (Anne Francis) e filhos.

Análise:

Depois do filme inglês para a Columbia, “Jerry em Londres” (Don’t Raise the Bridge, Lower the River, 1968), no qual participara apenas como actor, Jerry Lewis voltava a produzir, através da sua Jerry Lewis Productions, uma comédia para a qual chamou como realizador o veterano George Marshall, no que seria o último filme de Marshall.

Com argumento de Rod Amateau, numa das poucas vezes em que Lewis segue uma história coerente, onde é o argumento e não as peripécias individuais que constitui o centro do humor, testemunhamos a história de Peter J. Ingersoll (Jerry Lewis), tal como nos é contada em primeira mão, pelo próprio, numa sala de operações.

Em flashback, Peter conta-nos como, sendo um vulgar cidadão de classe média, casado e com filhos, o seu único sonho era uma escapadela para pescar em mar aberto. Mas quis o infortúnio que o seu médico e amigo, Dr. Scott Carter (Peter Lawford), lhe diagnosticasse um problema cardíaco que lhe dava apenas semanas de vida. A conselho do próprio médico, Peter vai viver todos os seus sonhos sem medo de despesas que serão cobradas após a sua morte, feliz de ter deixado à esposa um milionário seguro de vida. Só que, cedo Peter é informado pelo Dr. Carter de que foi tudo um erro técnico, e não vai morrer. Com dívidas enormes, a sugestão do Dr. Carter é que Peter simule a sua morte, o que vem a acontecer em Lisboa, onde Peter se refugiara. Mas aí, Peter percebe que foi tudo um plano do Dr. Carter, para ficar com a sua vida, mulher (Anne Francis) e filhos. Decide então vingar-se, trocando caixões a ser repatriados, um dos quais contém o seu suposto corpo.

Por uma vez com uma história com princípio, meio e fim, Jerry Lewis abdica do seu humor corporal e facial, para seguir um argumento de uma farsa de enganos bem congeminada. Com Peter Lawford (membro do Rat Pack de Frank Sinatra e Dean Martin, de que Lewis era associado) como seu oponente, discreto, mas eficaz, Lewis consegue uma prestação convincente, quer no início mais trapalhão em casa (a sequência do lava loiças, a história da ida para a cama com a esposa e as desaventuras com o cão e linha de pesca funcionam como pares do seu melhor burlesco), quer nos disfarces de australiano às voltas em Lisboa, ou no paciente de rosto impávido na sala de operações.

A história diverte, com um final bem conseguido e, para portugueses, com o atractivo extra das filmagens em Portugal, particularmente na zona do Marquês do Pombal. Pela negativa fica o irritante hábito de todos os personagens «lisboetas» falarem em espanhol, ou num inglês de sotaque espanhol.

Com um humor regrado, e num sentido clássico, de certo modo mais inglês que americano, “Jerry, Pescador de Águas Turvas”, apesar de hoje quase desconhecido, é um filme equilibrado, mostrando um Jerry Lewis a tentar um papel e humor mais maduros.

Jerry Lewis em Lisboa, no filme "Jerry, Pescador de Águas Turvas" (Hook, Line and Sinker, 1969) de George Marshall. Imagem extraída do blogue: http://lisboacinema.blogspot.pt/

Produção:

Título original: Hook, Line and Sinker; Produção: Jerry Lewis Productions; País: EUA; Ano: 1969; Duração: 92 minutos; Distribuição: Columbia Pictures Corporation; Estreia: 16 de April de 1969 (EUA), 26 de Junho de 1970 (Portugal).

Equipa técnica:

Realização: George Marshall; Produção: Jerry Lewis; Produtor Associado: Joe E. Stabile; Argumento: Rod Amateau [a partir de uma história de Rod Amateau e David Davis]; Música: Dick Stabile; Fotografia: W. Wallace Kelley [cor por Technicolor]; Montagem: Russel Wiles; Direcção Artística: John Beckman; Cenários: Frank Tuttle; Guarda-roupa: Guy C. Verhille; Caracterização: Ben Lane; Direcção de Produção: Herb Wallerstein.

Elenco:

Jerry Lewis (Peter J. Ingersoll / Fred Dobbs), Peter Lawford (Dr. Scott Carter), Anne Francis (Nancy Ingersoll), Pedro Gonzalez Gonzalez (Perfecto), Jimmy Miller (Jimmy Ingersoll), Jennifer Edwards (Jennifer Ingersoll), Eleanor Audley (Mrs. Durham), Kathleen Freeman (Mrs. Hardtack, Baby Sitter), Henry Corden (Kenyon Hammercher), Sylvia Lewis (Karlotta Hammercher), Phillip Pine (Cirurgião-Chefe), Felipe Turich (Agente Mortuário).

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