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The Big MouthGerald Clamson (Jerry Lewis) é um desinteressante e aborrecido escriturário que um dia, ao pescar numa praia, apanha o gangster Syd Valentine (também Lewis) que, antes de morrer, lhe confessa ter deixado diamantes roubados num hotel. O bondoso Gerald corre a contar às autoridades, para descobrir que ninguém sequer o ouve. Vai então ele ao hotel, onde conhece Suzie (Susan Bay), de quem se enamora, ao mesmo tempo que tem que evitar ser apanhado por dois bandos de ladrões que perseguem as jóias, e pelos detectives do hotel, que o tentam expulsar.

Análise:

Filmando agora para a Columbia, “O Charlatão” foi o segundo filme de Jerry Lewis para um grande estúdio que não fosse a Paramount. Para tal Lewis, que também produziu o filme, recorreu ao exemplo dos clássicos e, mais uma vez escrevendo em parceria com Bill Richmond, inspirou-se nas comédias de enganos de índole criminal, um pouco à luz dos seus ídolos Irmãos Marx, e outros filmes do género dos anos 30 e 40.

Voltando a vestir uma dupla personagem, Lewis é Gerald Clamson, um desinteressante escriturário, que um dia, ao pescar, lhe cai no anzol o gangster Syd Valentine (Lewis, também), que antes de morrer lhe confessa ter deixado diamantes roubados num hotel. O primeiro instinto de Gerald é contar tudo às autoridades, para descobrir que ninguém está interessado em ouvi-lo falar. Gerald vai então ao hotel, onde conhece a simpática Suzie (Susan Bay), de quem se enamora, ao mesmo tempo que duas facções de gangsters e os detectives do hotel o tentam encontrar, os primeiros pelas jóias, os segundos, simplesmente para o expulsar.

Com uma história que tinha tudo para correr bem, Jerry Lewis consegue um filme cheio de altos e baixos. Pelo lado positivo temos o personagem de Syd Valentine (o moribundo que nunca morre), os incidentes dos três gangsters (Buddy Lester, Charlie Callas e Vern Rowe) que os deixam disfuncionais, alguns gags individuais (como os polícias preocupados com os códigos de diferentes infracções, a partida de ténis e o teatro kabuki). Pela negativa temos o excesso de histrionismo de Lewis, o recorrer ao velho personagem de Julius Kelp de “As Noites Loucas do Dr. Jerryll” (The Nutty Professor, 1963) como disfarce de Gerald, a história romântica sem qualquer química, como habitualmente nas histórias românticas, sempre um pouco forçadas de Jerry Lewis. O elenco completa-se com o irascível Del Moore no papel do desastrado gerente do hotel, Harold Stone como o maquiavélico chefe mafioso, e Leonard Stone, como o sinistro gangster chinês.

O filme vale, sobretudo, pelo ritmo e incerteza de acontecimentos, a que se junta uma boa dose de perseguições burlescas, e alguma diversidade no elenco, aqui não inteiramente dependente das cenas de Lewis. Ainda assim há alguma previsibilidade nos gags, que nesta altura da carreira de Jerry Lewis já pareciam algo gastos. Algo deslocado, surge também o narrador (Frank De Vol), cuja presença não acrescenta nada ao filme.

Destaque para o curto cameo de Harland “Colonel” Sanders, o fundador da Kentucky Fried Chicken.

Jerry Lewis em "O Charlatão" (The Big Mouth, 1967), realizado pelo próprio

Produção:

Título original: The Big Mouth; Produção: Jerry Lewis Productions; País: EUA; Ano: 1967; Duração: 107 minutos; Distribuição: Columbia Pictures; Estreia: 12 de Julho de 1967 (EUA).

Equipa técnica:

Realização: Jerry Lewis; Produção: Jerry Lewis; Produtor Associado: Joe E. Stabile; Argumento: Jerry Lewis, Bill Richmond [adaptado de uma história de Bill Richmond]; Música: Harry Betts; Fotografia: W. Wallace Kelley [cor por Pathé]; Montagem: Russel Wiles; Design de Produção: Lyle R. Wheeler; Cenários: Frank Tuttle; Figurinos: Moss Mabry; Caracterização: Ben Lane; Direcção de Produção: Howard Pine.

Elenco:

Jerry Lewis (Gerald Clamson / Syd Valentine), Harold J. Stone (Thor), Susan Bay (Suzie Cartwright), Buddy Lester (Studs), Del Moore (Mr. Hodges), Paul Lambert (Moxie), Jeannine Riley (Bambi Berman), Leonard Stone (Fong), Charlie Callas (Rex), Frank De Vol (Bogart, O Narrador), Vern Rowe (Gunner), David Lipp (Lizard), Vincent Van Lynn (Fancher), Mike Mahoney (Detective #1), Walter Kray (Detective #2), John Nolan (F.B.I. Agent), Eddie Ryder (Specs).

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