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The Disorderly OrderlyJerome Littlefield (Jerry Lewis) é um altruísta e voluntarioso apaixonado por medicina, mas com um problema que o impede de tirar o diploma de médico. A sua extrema empatia leva-o a sofrer por simpatia todos os males dos pacientes. Por essa razão, Jerome emprega-se como auxiliar numa clínica de reabilitação, onde desajuda mais que ajuda, com a protecção da Dra. Howard (Glenda Farrell) e da sua namorada, a enfermeira Julie Blair (Karen Sharpe) contra o desespero da enfermeira-chefe (Kathleen Freeman). Mas algo em Jerome muda quando é trazida para o hospital uma antiga conhecida sua, Susan (Susan Oliver), que o vai fazer recordar e rever os traumas passados.

Análise:

Continuando a alternância na realização, Jerry Lewis entregava o seu filme de 1964 nas mãos do seu habitual realizador Frank Tashlin, o homem que viera da escola de animação da Warner Bros., em mais uma produção da Jerry Lewis Productions, aqui com o comediante a servir de produtor executivo. A fórmula mantinha-se próxima do habitual, com o filme a basear-se em sketches isolados, num cenário a ser destruído por Lewis, p qual era agora uma clínica de reabilitação.

Interpretando o bondoso, mas exageradamente altruísta Jerome Littlefield, Lewis é um auxiliar de medicina, que queria ser médico, mas não pode, por sofrer de extrema empatia para com os seus doentes. Na sua ânsia de ajudar, Jerome desajuda mais que ajuda, mas tem a protecção da Dra. Howard (Glenda Farrell) e da sua namorada, a enfermeira Julie Blair (Karen Sharpe) que o vão defendendo dos acessos de desespero da enfermeira-chefe, e habitual vítima de Jerome, Maggie Higgins (Kathleen Freeman). Tudo isto até ser trazida ao hospital uma antiga conhecida de Jerome, Susan (Susan Oliver), que o vai fazer rever os traumas passados.

Como habitualmente na vertente da carreira de Lewis, dirigida por Tashlin, “Jerry, Enfermeiro sem Diploma” diferenciava-se dos filmes realizados pelo próprio Lewis por uma maior caricaturização do actor, e uma comédia mais próxima do humor surreal e louco dos desenhos animados. Era ainda a repetição da fórmula do primeiro filme realizado por Lewis, “Jerry no Grande Hotel” (The Bellboy, 1960), isto é, uma história que se conta a si própria num conjunto de gags isolados, entre humor visual, burlesco, surrealismo e completo caos, onde muitas vezes a intrusão de um enredo, e do exagerado macaquear do protagonista apenas servem para atrapalhar.

E no desenrolar desses múltiplos gags, onde o cenário (a clínica) é simplesmente uma fonte de inspiração para episódios rocambolescos, “Jerry, Enfermeiro sem Diploma” é dos filmes mais imaginativos de Lewis. Estes são do mais diversificado possível, desde o surreal (o televisor com neve dentro, as folhas varridas para debaixo da relva, o diálogo mudo com legendas), ao sonoro (a água mineral que faz barulho metálico, os ruídos do estetoscópio, a maçã ruidosa), simplesmente visual (o esparguete que se enrola completamente no braço de Jerome, o colocar de ligaduras que deixa Jerome e a enfermeira ligados ao pé do paciente, o lavar dos dentes do paciente com placa), ao caos burlesco de quedas e perseguições (a queda na rampa da roupa suja, o espalhar de comprimidos que leva a uma multidão de quedas num corredor, o assalto dos carrinhos de compras às pilhas de latas de um supermercado). À boa maneira do antigo burlesco de Hollywood, o filme termina com uma perseguição vertiginosa, onde macas e ambulâncias desafiam o trânsito descontroladamente, proporcionando momentos imaginativos de extrema coordenação e resultados hilariantes.

Também no repetir da fórmula está o elenco, com a habitual namorada que tudo perdoa, aqui na pele de Karen Sharpe, a amiga à beira de um ataque de nervos, protagonizada pela habitual Kathleen Freeman, e o mau da fita a quem todas as desgraças acontecerão, mais uma vez protagonizado por Everett Sloane. Novidade é a presença de um triângulo amoroso com segundo vértice feminino, tentando dar (sem o conseguir), mais profundidade à história, trazido por Susan Andrews (a famosa Veena do episódio de estreia da célebre série Star Trek), responsável pela cena dos beijos, no final do filme.

No final, o que fica é sobretudo a interpretação de Jerry Lewis. Mesmo que dada a alguns visíveis excessos, ela prima pelo humor físico e um desconcertante controlo do tempo e cenário, num filme interessante, mas que, em termos de argumento, deixa muito a desejar.

Jerry Lewis e Allyson Ames em "Jerry, Enfermeiro sem Diploma" (The Disorderly Orderly, 1964) de Frank Tashlin

Produção:

Título original: The Disorderly Orderly; Produção: Jerry Lewis Productions / York Pictures Corporation; Produtor Executivo: Jerry Lewis; País: EUA; Ano: 1964; Duração: 89 minutos; Distribuição: Paramount Pictures; Estreia: 16 de Dezembro de 1964 (EUA).

Equipa técnica:

Realização: Frank Tashlin; Produção: Paul Jones; Produtor Associado: Arthur P. Schmidt; Argumento: Frank Tashlin; História: Norm Liebmann, Ed Haas; Música: Joseph J. Lilley; Canção: Sammy Davis, Earl Schuman, Leon Carr; Direcção Musical: Irvin Talbot; Fotografia: W. Wallace Kelley [cor por Technicolor]; Montagem: John Woodcock; Direcção Artística: Hal Pereira, Tambi Larsen; Cenários: Sam Comer, Ray Moyer; Figurinos: Edith Head; Caracterização: Wally Westmore; Efeitos Visuais: Paul K. Lerpae, John P. Fulton [não creditado]; Direcção de Produção: William Davidson.

Elenco:

Jerry Lewis (Jerome Littlefield), Glenda Farrell (Dra. Jean Howard), Everett Sloane (Mr. Tuffington), Susan Oliver (Susan Andrews), Karen Sharpe (Julie Blair), Kathleen Freeman (Enfermeira Maggie Higgins), Del Moore (Dr. Davenport), Alice Pearce (Mrs. Fuzzibee), Milton Frome (Conselho de Administração), John Macchia (Auxiliar), Jack E. Leonard (Fat Jack), Barbara Nichols (Miss Marlowe), Muriel Landers (Millicent), Frank J. Scannell (Milton M. Mealy).

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