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The PatsyQuando um famosíssimo entertainer morre, a equipa de produção por detrás dele decide imediatamente fabricar um substituto. Para isso, escolhem como candidato a mais inocente e manipulável pessoa que encontram, o desastrado paquete de hotel, Stanley (Jerry Lewis). Stanley é então treinado em como vestir, caminhar, falar, cantar, actuar, etc. para conquistar o mundo do espectáculo. Em conflito consigo mesmo, perante aquele mundo de faz de conta, Stanley vai falhar teste após teste, acabando abandonado pela sua equipa, à excepção de Ellen Betz (Ina Balin), que entretanto se apaixona por ele.

Análise:

Continuando a apostar na fórmula em que se vinha sentindo mais confortável, e que já durava desde a sua estreia em realização, “Jerry no Grande Hotel” (The Bellboy, 1960), Jerry Lewis voltava a construir um filme como um conjunto de sketches entrelaçados numa história que não era muito importante, mas apenas um pretexto para que a sua personalidade inventiva e caótica pudesse explorar (e muitas vezes destruir) um cenário. Tal como acontecera em “O Mandarete” (The Errand Boy, 1961) esse cenário era o mundo do espectáculo, que Lewis tão bem conhecia e que tão fácil lhe era parodiar.

Com argumento escrito a meias com o habitual Bill Richmond, numa produção do seu colaborador Ernest D. Glucksman, Jerry Lewis conta-nos a história de Stanley Belt (de novo a fixação com o nome Stanley), um simples moço de recados que é contratado por um bando de produtores, para dele fazerem a próxima grande estrela da comédia, cinema, televisão e canção. Para tal Stanley tem que passar por um enorme conjunto de ensaios e treinos com vista a fazer dele um profissional do espectáculo. Por trás move-se ainda a máquina de marketing que o vende como estrela mesmo antes da sua primeira aparição em público. Relutantemente, e não muito convicto da ética por detrás da sua transformação e venda, Stanley vai-se deixando guiar. E é quando já todos desistiram dele que Stanley vai dar a sua melhor prestação ao vivo, tornando-se uma estrela de direito próprio.

Intitulado inicialmente “Son of the Bellboy”, “Jerry 8 3/4” foi originalmente pensado como uma sequela do supracitado “Jerry no Grande Hotel”, repetindo o nome do personagem, Stanley, também ele um paquete de hotel. Com uma história que leva o protagonista a ter de comprar roupa, treinar o canto, aprender stand-up comedy, dando-lhe oportunidade de satirizar vários momentos do mundo do espectáculo, fundamentalmente a ideia das estrelas feitas por encomenda, a partir de planos pré-formatados.

O filme tem uma série de cameos, incluindo George Raft, Hedda Hopper, Ed Wynn, Ed Sullivan, Mel Tormé, Rhonda Fleming, entre outros, mas é sempre com Jerry, e uma interpretação em conseguida, que ele brilha. Menos interessante é o conjunto de actores que interpretam os produtores que o seguem, onde se incluem Peter Lorre e John Carradine, umas sombras de si mesmos. Lorre morreria pouco depois de completar o filme, sendo esta o última vez em que surge no grande ecrã.

Irregular, como quase sempre com Lewis, “Jerry 8 3/4” é, ainda assim, um filme que escapa ao hostrionismo exagerado de outros filmes, tentando seguir uma lógica plausível. É divertido em sketches iniciais, como o playback falhado, ou a lição de música que termina na destruição de antiguidades, chegando a ser mesmo exuberante tanto na sequência do filme mudo que coroa a carreira de Stanley, e presta homenagem ao humor do início de Hollywood, como no final inventivo com quebra da quarta parede. Por tudo isto “Jerry 8 3/4” mostra um Jerry Lewis seguro das suas forças como actor, e confiante para tentar, como realizador, dar sempre algo mais visual ao seu modo de contar histórias.

Peter Lorre, Keenan Wynn, Jerry Lewis, John Carradine, Ina Balin, Everett Sloane e Phil Harris em "Jerry 8 3/4" (The Patsy, 1964) de Jerry Lewis

Produção:

Título original: The Patsy; Produção: Paramount Pictures / Patti Enterprises; País: EUA; Ano: 1964; Duração: 101 minutos; Distribuição: Paramount Pictures; Estreia: 12 de Agosto de 1964 (EUA).

Equipa técnica:

Realização: Jerry Lewis; Produção: Ernest D. Glucksman; Produtor Associado: Arthur P. Schmidt; Argumento: Jerry Lewis, Bill Richmond; Música: David Raksin; Canção: Jack Brooks e David Rakson; Fotografia: W. Wallace Kelley [cor por Technicolor]; Montagem: John Woodcock; Direcção Artística: Hal Pereira, Cary Odell; Cenários: Sam Comer, Ray Moyer; Figurinos: Edith Head; Caracterização: Wally Westmore; Efeitos Visuais: Paul K. Lerpae; Direcção de Produção: William Davidson.

Elenco:

Jerry Lewis (Stanley Belt / Trio de Cantoras), Ina Balin (Ellen Betz), Everett Sloane (Caryl Fergusson), Phil Harris (Chic Wymore), Keenan Wynn (Harry Silver), Peter Lorre (Morgan Heywood), John Carradine (Bruce Alden), Hans Conried (Prof. Mulerr), Richard Deacon (Sy Devore), Scatman Crothers (Engraxador), Del Moore (Polícia), Neil Hamilton (Café), Buddy Lester (Criado no Copa Café), Nancy Kulp (Helen, Espectadora de Teatro), Lloyd Thaxton (Lloyd), Norman Alden (Valentão no Ginásio), Jack Albertson (Companheiro de Teatro de Helen), Henry Slate (Paul), Gavin Gordon (Executivo no Golfe), Ned Wynn (Membro da Banda).

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