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The Errand BoyA companhia cinematográfica Paramutual Pictures, na pessoa do seu director T. P. Paramutual (Brian Donlevy), preocupada com o dinheiro que se esbanja na produção dos seus filmes, decide recrutar, como seu espião, um «ninguém» que possa mover-se sem ser notado e relatar o que se passa pelo estúdio. O escolhido é o incompetente Morty S. Tashman (S de «scared», assustado). Morty recebe um emprego como moço de recados na secção de correio, o que lhe permite passear por todos os departamentos do estúdio, geralmente trazendo confusão onde quer que vá.

Análise:

Novamente através da sua Jerry Lewis Productions, desta vez com produção do seu habitual braço direito Ernest D. Glucksman, produtor associado nos seus três filmes anteriores, Jerry Lewis escreveu (com Bill Richmond) e realizou “O Mandarete”, um filme que surgia na linha dos anteriores “Jerry no Grande Hotel” (The Bellboy, 1960) e “O Homem das Mulheres” (The Ladies Man, 1961), assente num conjunto de sketches separados, usando sobretudo humor visual e surreal, onde o diálogo é pouco importante.

Quase como que uma continuação do seu Stanley de “Jerry no Grande Hotel”, e com a fotografia a preto e branco que remete para a ideia de uma produção mais apressada, por contraste com a grande produção de “O Homem das Mulheres”, Jerry Lewis volta a encarnar um trapalhão bem-intencionado, de quem se suspeita não jogue com o baralho todo, capaz de grandes confusões e com um jeito especial para complicar o simples.

Ele é Morty S. Tashman (Jerry Lewis), um «ninguém» de Hollywood, que um dia é trazido pelo chefe do estúdio Paramutual (Brian Donlevy), para que, supostamente como moço de recados, do estúdio, possa estar um pouco em todo o lado, e saber onde se esbanja dinheiro. O resultado será uma série de desaventuras de Morty, perdido por todas as secções do estúdio, confrontado com toda a série de personagens, e geralmente estragando tudo aquilo em que toca.

É óbvio, desde o início do filme, que a motivação do contrato de Morty para espiar para os produtores é tão fraca quanto possível, pois ele nunca o perceberá ou fará. Tampouco é disso que o filme nos quererá falar. Tudo é apenas um pretexto narrativo para colocar o personagem de Jerry Lewis a passear por todo o estúdio Paramutual (nome que parodia a própria Paramount, casa-mãe de Lewis), desde a administração, gabinetes de argumentistas, departamentos de maquilhagem, props, e claro, os estúdios de gravação (os soundstages). Por todos esses espaços, Lewis leva-nos numa viagem aos bastidores de uma grande produtora, parodiando o que se passa em cada lugar.

O filme torna-se assim num conjunto de gags, sem grande ligação entre si, nos quais Jerry Lewis experimenta com a diversidade do seu humor. Este, nitidamente, funciona melhor quando se torna puramente visual, e mesmo surreal, e slapstick (como a sequência final da garrafa de champanhe). São exemplos a sua interacção com o chefe de moços de recados (Stanley Adams), o transporte de caixas, o elevador, as tentativas de comer sossegado entre rodagem de cenas de guerra, a loja de doces, a sala das argumentistas.

Quando Lewis tenta um humor mais verbal, ou tornar o seu rosto o centro da comédia, as coisas tornam-se mais lentas. São exemplos a pronunciação dos nomes esquisitos dos directores da Paramutual, as danças e cantorias, ou a sequência dos fantoches.

No final, temos um longo discurso moralista sobre o verdadeiro comediante e a sua forma de se expressar que, mais que aplicado a Morty, parece um auto-elogio do próprio Lewis, num filme que vale sobretudo por olhares curiosos para os bastidores de um estúdio, mas se perde nalguns exageros, como é imagem de marca de Jerry Lewis.

O elenco é vastíssimo, incluindo alguns veteranos da comédia passando por Sig Ruman, habitual colaborador dos Irmãos Marx, e Joe Besser, um dos Three Stooges. Destaque ainda para um curtíssimo cameo do elenco completo da série “Bonanza”.

Jerry Lewis em "O Mandarete" (The Errand Boy, 1961) realizado por si próprio

Produção:

Título original: The Errand Boy; Produção: Jerry Lewis Productions; País: EUA; Ano: 1961; Duração: 92 minutos; Distribuição: Paramount Pictures; Estreia: 28 de Novembro de 1961 (EUA).

Equipa técnica:

Realização: Jerry Lewis; Produção: Ernest D. Glucksman; Produtor Associado: Arthur P. Schmidt; Argumento: Jerry Lewis, Bill Richmond; Música: Walter Scharf; Música Adicional: Jimmie Haskell [não creditado]; Orquestração: Leo Shuken, Jack Hayes; Fotografia: W. Wallace Kelley [preto e branco]; Montagem: Stanley E. Johnson; Direcção Artística: Hal Pereira, Arthur Lonergan; Cenários: Sam Comer, James W. Payne; Figurinos: Edith Head; Caracterização: Wally Westmore; Coreografia: Nick Castle; Direcção de Produção: William Davidson.

Elenco:

Jerry Lewis (Morty S. Tashman), Brian Donlevy (Tom ‘T.P.’ Paramutual), Howard McNear (Dexter Sneak), Dick Wesson (The A.D.), Robert Ivers (Jovem Realizador de Nova Iorque que discute com T.P.), Pat Dahl (Miss Carson), Renée Taylor (Miss Giles), Rita Hayes (Cantora que Dobra Davitt), Stanley Adams (Grumpy), Kathleen Freeman (Mrs. Helen Paramutual / Mrs. T.P.), Isobel Elsom (Irma Paramutual), Sig Ruman (Baron Elston Carteblanche), Felicia Atkins (Serina), Doodles Weaver (Weaver), Fritz Feld (Busby, Realizador de Roaring 20’s), Kenneth MacDonald (Mr. Fumble), Joey Forman (Jedson), Iris Adrian (Anastasia, Actriz), Paul Ritts (O Próprio), Mary Ritts (A Própria), David Landfield (Lance), Del Moore (M.C. na Premiere), Bellfontevro (Bonecreiro).

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