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The Ladies ManHerbert H. Herbeert (Jerry Lewis) é um rapaz inocente que, no dia da graduação do colégio, descobre a namorada nos braços de outro. Desiludido com o sexo oposto, Herbert decide nunca mais querer uma rapariga por perto, e viaja para Nova Iorque, para trabalhar o mais que puder e assim esquecer o romance. Herbert emprega-se como auxiliar na pensão de Miss Helen N. Wellenmellon (Helen Traubel), sem perceber que esta é uma pensão só para raparigas que, felizes com a bondade e prestabilidade do jovem, vão ter de fazer tudo para que ele não as abandone.

Análise:

Desta vez à frente da equipa da Paramount Pictures, Jerry escreveu (com o seu habitual colaborador Bill Richmond, e algumas cenas de Mel Brooks), produziu e realizou “O Homem das Mulheres”, geralmente considerado um dos seus melhores filmes de sempre.

Voltando a construir uma história em torno do seu alter-ego, trapalhão ao ponto de atingir o grotesco, ingénuo e bem-intencionado, Lewis conta a história de Herbert H. Herbeert, um rapaz que, no dia da graduação, descobre a namorada nos braços de outro. Desiludido, Herbert deixa a cidade natal, e viaja para Nova Iorque, onde procura emprego como auxiliar numa pensão, mas com um requisito, não ter raparigas bonitas por perto. Sai o tiro pela culatra, e Herbert vai parar à pensão de Miss Helen N. Wellenmellon (Helen Traubel), que alberga umas dezenas de raparigas. Avisadas pela senhoria, e pela governanta Katie (Kathleen Freeman), as raparigas vão fazer os possíveis para que Herbert se sinta útil, tornando pequenas necessidades em importantes incumbências que o façam ficar. Obviamente, Herbert começa a simpatizar com as raparigas, e embora dividido, e às vezes assustado por alguns segredos da casa, vai ficando com elas.

Tendo aprendido a lição retirada dos dois filmes do ano anterior, Lewis percebeu que funcionava melhor numa lógica de sketches separados, e é isso que acontece em “O Homem das Mulheres”, um filme com uma história simples, a de um rapaz amedrontado, que acaba rodeado de mulheres, a qual não tem uma importância enorme no delinear do humor do filme. Este baseia-se sobretudo em cenas separadas, nas quais Jerry Lewis lida com as vicissitudes do seu trabalho e de uma casa que parece cheia de segredos, recantos e peripécias que só servem para o atrapalhar. É um pouco o voltar à fórmula do excelente “Jerry no Grande Hotel” (The Bellboy, 1960), também realizado por Lewis.

Tal como então, o humor é diversificado, num filme que abre com uma excepcional sequência surreal de uma cidade onde todos são nervosos. Temos o burlesco visual (as camas de Herbert, o chapéu de Buddy Lester, o alimentar do «Bebé», todas as quedas e objectos quebrados nas limpezas de Herbert), o surrealismo (o quadro de Miss Wellenmellon cujo baton é real, as borboletas mortas que fogem, o «Bebé», o quarto de Miss Cartilage), o simples macaquear de Lewis (a sequência do colégio, a apresentação de Herbert a Katie), algumas sátiras ao próprio cinema e televisão (George Raft, a sósia de Marilyn Monroe, a equipa de televisão), e claro, as sequências musicais, desde os pequenos passos de dança na sequência da transmissão televisiva, à sequência no quarto de Miss Cartilage (Sylvia Lewis), com direito a orquestra de jazz de Harry James.

Notável é todo o cenário onde a maioria do filme é rodado, uma espécie de casa de bonecas gigante, aberta à frente, com todas as divisões vistas à transparência. É um cenário incrível, o qual Lewis faz questão de mostrar em amplos movimentos de câmara em grua, que o revelam como realizador de valor, numa quase quebra da quarta parede onde o cenário extra-diegético que é afinal o soundstage, se mistura com o filme (por exemplo nas filmagens da equipa de televisão a montar o seu equipamento na casa. É um exemplo da quebra da lógica interna da narrativa clássica por Lewis, que, revelando-se herdeiro de Buster Keaton, usa esse nonsense como fonte de humor.

Infelizmente, o lado romântico do filme é fraco, e Lewis volta a levar longe demais algumas das suas cenas e mímica inconfundível. Mas o lado surreal e mistura de elementos num constante quebrar de convenções, são motivos de sobra para fazer de “O Homem das Mulheres” um filme interessante.

"O Homem das Mulheres" (The Ladies Man, 1961) de Jerry Lewis

Produção:

Título original: The Ladies Man; Produção: Paramount Pictures; País: EUA; Ano: 1961; Duração: 96 minutos; Distribuição: Paramount Pictures; Estreia: 28 de Junho de 1961 (EUA), 21 de Dezembro de 1961 (Portugal).

Equipa técnica:

Realização: Jerry Lewis; Produção: Jerry Lewis; Produtor Associado: Ernest D. Glucksman; Argumento: Jerry Lewis, Bill Richmond, Mel Brooks [não creditado]; Música: Walter Scharf; Canções: Harry Warren, Jack Brooks; Orquestração: Leo Shuken, Jack Hayes; Fotografia: W. Wallace Kelley [cor por Technicolor]; Montagem: Stanley E. Johnson; Direcção Artística: Hal Pereira, Ross Bellah; Cenários: Sam Comer, James W. Payne; Figurinos: Edith Head; Caracterização: Wally Westmore; Efeitos Visuais: John P. Fulton; Coreografia: Bobby Van; Direcção de Produção: William Davidson.

Elenco:

Jerry Lewis (Herbert H. Heebert / Mãe Heebert), Helen Traubel (Miss Helen N. Wellenmellon), Kathleen Freeman (Katie), Pat Stanley (Fay), Buddy Lester (Willard C. Gainsborough), George Raft (O Próprio), Harry James (Harry James), Hope Holiday (Miss Anxious), Lynn Ross (Miss Vitality), Gretchen Houser (Bailarina), Lillian Briggs (Lillian), Mary LaRoche (Miss Society), Madlyn Rhue (Miss Intellect), Alex Gerry (Mr. Zoussman – Produtor do Programa de TV), Jack Kruschen (Professor na Graduação), Vicki Benet (Frenchie), Dee Arlen (Miss Liar), Sylvia Lewis (Miss Cartilage), Gloria Jean (Gloria), Marty Ingels (O Próprio), Jack LaLanne (O Próprio), Westbrook Van Voorhis (O Próprio).

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