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La morte ha sorriso all'assassinoTestemunhando um acidente de carruagem, Walter von Ravensbrück (Sergio Doria) e a sua esposa Eva (Angela Bo) acolhem a acidentada Greta (Ewa Aulin), que entretanto perdeu a memória. Enquanto ajudam à recuperação de Greta, tanto Walter como Eva se apaixonam por ela, e iniciam relações sexuais com Greta em segredo um do outro. Quando Eva descrobre Greta com o seu marido prepara a vingança emparedando-a numa cave. Mas meses depois Greta reaparece a Eva, tanto na sua maxima beleza como como um horrível cadáver. Segue-se a morte misteriosa de Eva e, mais tarde, de outros membros da família, numa vingança que remonta à verdadeira morte de Eva, esposa do pai de Walter (Giacomo Rossi-Stuart), que volta à vida depois de uma morte de parto, e de um encantamento inca, realizado pelo seu irmão Franz (Luciano Rossi).

Análise:

Joe D’Amato, um prolífico realizador italiano, que realizaria mais de 200 filmes em quase todos os géneros, ficaria conhecido na história do cinema principalmente pelos seus filmes de exploitation, por vezes softcore (como vários filmes da série Emanuelle), pornográficos (por exemplo “Porno Holocaust” de 1981), ou de extrema violência gráfica, como os seus filmes de canibalismo (“Antropophagus” de 1980) e de zombies (“Erotic Nights of the Living Dead” de 1980). Mas antes disso, em 1973, Joe D’Amato realizaria, com argumento seu, um filme de terror gótico, com algumas ligações aos clássicos do género, e já muita influência do género giallo, então em moda em Itália.

“A Máscara da Mulher Fantasma” mostra-nos uma história de vingança além-túmulo que recorda um pouco do universo de Edgar Allan Poe (o emparedamento em viva, o gato). É um filme fortemente marcado pelo macabro, onde uma série de assassinos vai ocorrendo, e se desde logo está clara a presença do sobrenatural, marcado por alguma história passada (lugares comuns do gótico), a sucessão de crimes, o mistério quanto à sua origem, e principalmente os requintes de sadismo com que cada um ocorre (mesmo se uma morte por repetidos ataques de um gato pareça ridícula), são marcas do giallo italiano.

A história mostra-nos Greta (Ewa Aulin), uma mulher belíssima, que chega ao solar dos von Ravensbrück após um grave acidente que vitimou o seu cocheiro. Eva perde a memória, e recupera sob a atenção de Walter (Sergio Doria) e a sua esposa Eva (Angela Bo). Obviamente ambos se apaixonarão por ela, e não hesitarão em levá-la para a cama, isto até Eva, por ciúmes, decidir emparedar Greta.

Meses depois Greta, surge a Eva, revelando-se como um cadáver em putrefacção, após o que a mata. No funeral de Eva, o pai de Walter (Giacomo Rossi-Stuart) regressa, e percebe que algo liga o crime à sua antiga esposa, morta de parto, também chamada Greta. Ao procurar o túmulo desta, é também ele morto. Outras mortes se seguem, trazendo a investigação do Inspector Dannick (Attilio Dottesio) vai encontrar um medalhão de Greta, com estranhos símbolos, que o ligam a encantamentos incas de vida depois da morte. Estes terão sido executados por Franz (Luciano Rossi), irmão de Greta, e a primeira vítima da sua senda assassina.

Num filme que, em contraste com o cânone do gótico, tudo se passa de dia, e muitas vezes ao ar livre, D’Amato usa o interior de uma mansão meio em ruínas, para criar os cenários de inquietamento que dão a atmosfera necessária. Todo o filme é regado a sangue, que jorra em grandes quantidades, em crimes, onde cada golpe parece desfacelar corpos completos deixando logo expostas todas as vísceras da vítima. Este gore mistura-se depois com a face zombificada de Greta, encantamentos sobrenaturais, e a já referida influência do macabro de Poe. A isto juntam-se os inúmeros momentos em que corpos femininos (em particular Ewa Aulin e Angela Bo) se desnudam completamente, com o simples objectivo de captar audiências.

Se o material de partida é interessante, e a forma de filmar de D’Amato é apelativa (descontando os irritantes zooms para os olhos dos personagens) e bastante ritmada, já o argumento é o seu calcanhar de aquiles. Com demasiadas referências, “A Máscara da Mulher Fantasma” perde unidade, e torna-se uma história confusa. Más opções de montagem misturam passado e presente, sem que isso seja útil para explicar seja o que for. Não se entende o personagem de Franz (algo contraditório nas suas aparições), nem porque Gertrude (Carla Mancini) o vê como fantasma. Não se entende a motivação de Greta, as circunstâncias da sua morte, nem porque é às vezes uma inocente amnésica, outras vezes uma fantasmagórica assassina. Não se entende porque surge tão abruptamente o personagem do pai de Walter, sem ser porque era necessário mais um corpo naquele momento. Não se entende o porquê da morte de Simeon. E finalmente, não se entende o curto papel de Klaus Kinski (como Dr. Sturges), cuja presença é tão inquietante e promissora, quanto breve e inconsequente é o seu efeito.

Algures entre o gótico, o giallo, e a exploitation que tornaria D’Amato famoso, “A Máscara da Mulher Fantasma” consegue perturbar com uma boa interpretação de Ewa Aulin, e uma atmosfera convincente, sendo um dos últimos exemplos do terror gótico italiano clássico, e ao mesmo tempo um dos seus maiores sucessos comerciais.

Este filme foi o único que Joe D’Amato assinou com o seu verdadeiro nome: Aristide Massaccesi.

Ewa Aulin em "A Máscara da Mulher Fantasma" (La morte ha sorriso all'assassino, 1973) de Joe D'Amato

Produção:

Título original: La morte ha sorriso all’assassino [Título inglês: Death Smiles at a Murderer]; Produção: Dany Film; País: Itália; Ano: 1973; Duração: 84 minutos; Distribuição: Florida Cinematografica; Estreia: 11 de Julho de 1973 (Itália), 27 de Agosto de 1979.

Equipa técnica:

Realização: Joe D’Amato [como Aristide Massaccesi]; Produção: Oscar Santaniello; História: Joe D’Amato [como Aristide Massaccesi]; Argumento: Joe D’Amato [como Aristide Massaccesi], Romano Scandariato, Claudio Bernabei; Música: Berto Pisano; Fotografia: Joe D’Amato [como Aristide Massaccesi] [cor por Telecolor]; Montagem: Piera Bruni, Gianfranco Simoncelli; Design de Produção: Claudio Bernabei; Figurinos: Claudio Bernabei; Caracterização: Maria Grazia Nardi; Director de Produção: Oskar Santaniello.

Elenco:

Ewa Aulin (Greta von Holstein), Klaus Kinski (Dr. Sturges), Angela Bo (Eva von Ravensbrück), Sergio Doria (Walter von Ravensbrück), Attilio Dottesio (Inspector Dannick), Marco Mariani (Simeon, o Mordomo), Luciano Rossi (Franz, Irmão de Greta), Giacomo Rossi-Stuart (Dr. von Ravensbrück, Pai de Walter), Fernando Cerulli [como Franco Cerulli] (Professor Kempte), Carla Mancini (Gertrude, a Criada), Giorgio Dolfin (Maier, Bailarino).

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