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För att inte tala om alla dessa kvinnorO pretensioso crítico Cornelius (Jarl Kulle) aceitou escrever a biografia do grande violoncelista Felix, na esperança que este, em troco toque uma peça sua. Para tal é convidado a casa do músico, para o entrevistar e com ele conviver. Só que, Felix, demasiado elusivo, excêntrico, ocupado com as mulheres, ou recluso a ensaiar, parece nunca o poder receber. Cornelius vai falando com as mulheres que enchem a casa, Adelaide (Eva Dahlbeck) Isolde (Harriet Andersson), Madame Tussaud (Karin Kavli), Traviata (Gertrud Fridh) Humlan (Bibi Andersson) e Beatrice (Barbro Hiort af Ornäs), para aprender toda a coscuvilhice sobre o violoncelista.

Análise:

Com argumento escrito a meias com o actor Erland Josephson, um dos seus futuros colaboradores mais próximos, Ingmar Bergman aventurou-se em 1964 numa das suas poucas comédias, e também o seu primeiro filme a cores.

Novamente com a música clássica como tema, Bergman conta-nos a história do violoncelista Felix, um mulherengo de vida secreta e ambígua, que leva o pretensioso escritor e crítico Cornelius (Jarl Kulle) a escrever-lhe a biografia, na esperança de que o músico interprete uma composição sua. Cornelius dirige-se então à sumptuosa mansão do violoncelista, para o entrevistar e com ele conviver, mas descobre que se torna impossível estar com ele um momento que seja, pois o músico é, não só, muito requisitado pelo seu séquito feminino, como tem hábitos excêntricos e uma vida de recluso nos seus aposentos.

Enquanto tenta, em vão, todos os artifícios (incluindo vestir-se de mulher), Cornelius vai convivendo e conhecendo as mulheres que orbitam em torno de Felix, da esposa Adelaide (Eva Dahlbeck) à criada Isolde (Harriet Andersson), passando pela velha e rejeitada protectora Madame Tussaud (Karin Kavli), a aluna sempre desprezada Traviata (Gertrud Fridh) e as amantes Humlan (Bibi Andersson) e Beatrice (Barbro Hiort af Ornäs), para além do empresário Jillker (Allan Edwall). Todos vão contribuindo para contar histórias sobre Felix, mas todos adicionando algo à loucura e histeria da casa, provocando e iludindo Cornelius que parece estar sempre cada vez mais longe do seu propósito.

Se é verdade que filmes anteriores, como “Sorrisos de uma Noite de Verão” (Sommarnattens leende, 1955), “O Olho do Diabo” (Djävulens öga, 1960) ou a terceira parte de “Segredos de Mulheres” (Kvinnors väntan, 1952) são já impregnados de comédia, é com “A Força do Sexo Fraco” que Bergman se solta completamente, quebrando regras, e deixando que o surrealismo, absurdo e o burlesco dominem um dos seus filmes.

Filmado em cenários estilizados, como se fossem de teatro, com movimentos dramáticos, por vezes fazendo uso do sépia em sequências mudas, e acrescentando uma velocidade acelerada para emular os antigos burlescos mudos, Bergman constrói uma história delirante de um objectivo nunca concretizado, que lembra tanto o universo surreal de Buñuel, como a forma caótica de Fellini, sobretudo em “Fellini 8½” (8½, 1963) estreado apenas um ano antes.

Mostrando-nos o carácter elusivo de todo o objecto que queiramos cristalizar e definir (no caso, um músico, que nunca chegamos a ver), Bergman brinca com conceitos, e com o desespero do seu protagonista (o soberbo Jarl Kulle), ele mesmo uma sátira ao papel dos críticos, num autêntico carrossel de incidentes e actos falhados, cada um digo do seu simbolismo e análise psicológica. Nesse sentido, mais que uma narrativa linear (aliás o filme constrói-se como uma sucessão de cenas sem linearidade temporal, como uma sucessão de flashbacks partindo de um velório altamente caricatural), temos como que um mergulho num universo surreal de sonhos, fantasias e pesadelos, onde habitam, sem critério, situações, personagens e ideias que convivem de um modo perfeitamente aleatório, como natural numa associação livre.

Filmado entre a trilogia “O Silêncio de Deus” (1961-1963) e o seu muito elogiado “A Máscara” (Persona, 1966), é natural que “A Força do Sexo Fraco” tenha chocado os admiradores de Bergman como um filme menor, e deslocado na sua obra. O próprio autor lhe chamou superficial dizendo que merecera o seu fracasso. Ainda assim, pela irreverência, carácter inventivo, pleno triunfo do surrealismo, e interpretações excelentes de vários actores, “A Força do Sexo Fraco” é sempre uma agradável surpresa, ocupando um lugar único na filmografia do autor sueco.

Elenco de "A Força do Sexo Fraco" (För att inte tala om alla dessa kvinnor, 1964) de Ingmar Bergman

Produção:

Título original: För att inte tala om alla dessa kvinnor [Título inglês: All These Women]; Produção: Svensk Filmindustri (SF); País: Suécia; Ano: 1964; Duração: 75 minutos; Distribuição: Janus Films (EUA), Gala Film Distributors (Reino Unido); Estreia: 15 de Junho de 1964 (Suécia), 15 de Junho de 1973 (Portugal).

Equipa técnica:

Realização: Ingmar Bergman; Produção: Allan Ekelund [não creditado]; Argumento: Erland Josephson, Ingmar Bergman; Música: Erik Nordgren [não creditado]; Fotografia: Sven Nykvist [cor por Eastmancolor]; Montagem: Ulla Ryghe; Design de Produção: P. A. Lundgren; Figurinos: Mago; Caracterização: Börje Lundh; Efeitos Sonoros: Evald Andersson.

Elenco:

Jarl Kulle (Cornelius), Bibi Andersson (Humlan), Harriet Andersson (Isolde), Eva Dahlbeck (Adelaide), Karin Kavli (Madame Tussaud), Gertrud Fridh (Traviata), Mona Malm (Cecilia), Barbro Hiort af Ornäs (Beatrice) Allan Edwall (Jillker), Georg Funkquist (Tristan), Carl Billquist (O Jovem).

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