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Gli orrori del castelo di NorimbergaO jovem Peter Kleist (Antonio Cantafora) volta à Áustria, em viagem de férias, para visitar a terra dos seus antepassados. Aí é recebido pelo seu tio, o Dr. Karl Hummel (Massimo Girotti) e a assistente deste, a estudante de história Eva Arnold (Elke Sommer) a qual estuda o castelo do antigo barão Otto von Kleist, antepassado de Peter, e que terá morrido uma morte horrível depois de atemorizar a vizinhança com a sua crueldade. Uma lenda diz que é possível fazê-lo renascer, e Peter e Eva, por brincadeira procedem à invocação mágica. Sucedem-se uma série de mortes misteriosas que levam à venda do castelo, comprado pelo sinistro Alfred Becker (Joseph Cotten).

Análise:

Mario Bava, o maior nome do terror gótico italiano, contando já no curriculum com obras fundamentais do género, como “Black Sunday” (La Maschera del Demonio, 1960), “As Três Faces do Terror” (I Tre Volti della Paura ou Black Sabbath, 1963), “The Whip and the Body” (La Frusta e il Corpo, 1963) e “Operação Medo” (Operazione Paura, 1966), surgia em 1972 com mais um filme importante, “A Câmara de Torturas do Barão Sangrento” (Gli Orrori del Castello di Norimberga, ou Baron Blood na versão americana).

No mesmo ano em que a inglesa Hammer se procurava reinventar com as paisagens contemporâneas de “Drácula 72” (Dracula A.D. 1972) de Alan Gibson, Bava construía um filme que tentava aliar esse cenário contemporâneo com a tradicional visão gótica da década anterior. Num filme patrocinado pela americana AIP (a qual se tornaria famosa pela série de filmes góticos interpretados por Vincent Price e realizados por Roger Corman), a qual já há alguns anos servia como distribuidora americana da citada Hammer, não espanta que o argumento seja construído com lugares comuns dos mais famosos filmes do género.

Assim temos, como não podia deixar de ser, um herói que chega de um mundo moderno, a um lugar de tradição e superstição, no qual a sua arrogância de homem de ciência e modernidade será subjugada pela tradição e folclore há muito esquecidos num lugar remoto. Este homem é o jovem Peter Kleist (Antonio Cantafora), que num intervalo nos seus estudos vem visitar a terra ancestral da família. É desde logo advertido pelo tio, o Dr. Karl Hummel (Massimo Girotti), de que ali o nome Kleist carrega um peso trágico. Ele é o nome do antigo barão Otto von Kleist, um sádico responsável por muitas mortes nos arredores, até ele próprio sofrer uma morte atroz às mãos daqueles que oprimia. Tudo isto é lembrado pela omnipresença do castelo von Kleist, onde Peter conhece a assistente do tio, a bela Eva Arnold (Elke Sommer) que estuda o castelo e as tradições a eles associadas.

Se Peter é desde logo descrente, e decide brincar com o folclore local (o qual diz que o barão foi vítima de um bruxa que o fará voltar para morrer repetidas vezes), encontra em Eva uma cúmplice, que o vai ajudar a invocar o antigo encantamento, mais pelo prazer juvenil da transgressão, que por algum objectivo concreto. Só que as mortes começam, entre elas a do dono do castelo (Dieter Tressler), levando à sua venda, e consequente compra pelo milionário americano Alfred Becker (Joseph Cotten).

Com “A Câmara de Torturas do Barão Sangrento” Bava emprestava o seu talento em criar momentos e paisagens de ambiente gótico. O seu uso do Technicolor é tão bom como antes o fora o do preto e branco, fazendo com que cada plano seja de enorme riqueza, num filme que foi parcialmente rodado no castelo austríaco de Burg Kreuzenstein, o qual, ao jeito do gótico, é um personagem de pleno direito. Com a presença de uma estrela intenacional, o já idoso Joseph Cotten, “A Câmara de Torturas do Barão Sangrento” destaca-se pelo sadismo patente nalgumas das mortes, o constante clima de terror, e claro, a presença da atraente Elke Sommer, que se por um lado traz em doses perfeitas a inocência e carisma para o papel da vítima protagonista, por outro irrita com uma histeria constante e exagerada.

Para a edição americana, a AIP optou por uma diferente montagem, que corta o filme em cerca de dez minutos, e uma banda banda sonora diferente. Essa versão seria intitulada “Baron Blood”.

Elke Sommer e Antonio Cantafora em "A Câmara de Torturas do Barão Sangrento" (Gli Orrori del Castello di Norimberga, 1972) de Mario Bava

Produção:

Título original: Gli Orrori del Castello di Norimberga [Título inglês: Baron Blood]; Produção: Leone International / Cinevision Ltd. / Dieter Geissler Filmproduktion / Euro America Produzioni Cinematografiche; Produtores Executivos: Samuel Z. Arkoff [como Sam Lang], J. Arthur Elliot; País: Itália; Ano: 1972; Duração: 98 minutos; Distribuição: Jumbo Cinematografica (Itália), American International Pictures (AIP) (EUA), Cinevision Films (EUA); Estreia: 25 de Fevereiro de 1972 (Itália).

Equipa técnica:

Realização: Mario Bava; Produção: Alfredo Leone; Argumento: Vincent Fotre, William A. Bairn [versão americana]; Música: Stelvio Cipriani, Les Baxter [versão americana]; Fotografia: Mario Bava [cor por Technicolor]; Montagem: Carlo Reali; Direcção Artística: Enzo Bulgarelli; Caracterização: Silvana Petri; Director de Produção: Bruno Frascà, Efeitos Especiais: Franco Tocci.

Elenco:

Joseph Cotten (Barão Otto von Kleist / Alfred Becker), Elke Sommer (Eva Arnold), Massimo Girotti (Dr. Karl Hummel), Rada Rassimov (Christina Hoffmann), Antonio Cantafora (Peter Kleist), Umberto Raho [como Humi Raho] (Inspector), Luciano Pigozzi [como Allan Collins] (Fritz), Dieter Tressler (Mayor Dortmundt).

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