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Operazione paùraO Dr. Eswai (Giacomo Rossi-Stuart) é chamado a uma remota aldeia dos Cárpatos, onde uma estranha morte levou à investigação do Inspector Kruger (Piero Lulli). Só que, tanto Kruger como Eswai deparam com a relutância dos locais em colaborar e em consentir a autópsia da falecida (Mirella Pamphili). Quando Kruger, assistido pela também recém-chegada Monica Schuftan (Erika Blanc), fazem a autópsia, encontram uma moeda no coração da vítima. Tal aponta para bruxaria, e para Ruth (Fabienne Dali), que tenta convencer Eswai a deixar a aldeia, pois o mal contra o qual luta é sobrenatural, e provém da Vila Graps. Quando Eswai descobre que Kruger já partiu para a mansão para a investigar, segue no seu encalce, para tentar descobrir que ligação ao crime tem aquela mansão, e a estranha criança que é vista pelas vítimas antes de morrerem.

Análise:

Continuando uma dança entre filmes de género, Mario Bava voltava ao terror, para dirigir em 1966 (assistido pelo seu filho e futuro realizador, Lamberto Bava) “Operação Medo”. Habituado a trabalhar com baixos orçamentos (e conhecido por conseguir completar em poucos dias trabalhos que outros deixaram a meio), Bava teve mais uma vez uma produção modesta para um filme que a sua mestria tentaria disfarçar.

Com argumento e história de Romano Migliorini e Roberto Natale, Bava voltava ao território do gótico. Assim, desde a abertura, logo com uma morte misteriosa que ocorre numa noite fantasmagórica, como nos é mostrado pelos seus habituais planos subjectivos, sabemos que podemos contar com aquilo que são os chavões que definem o género. Seguir-se-á o macabro do transporte de um caixão, cemitérios lúgubres, os habituais avisos aconselhando os heróis a abandonar a missão (desde o cocheiro que não quer sequer completar a viagem, à estalagem onde todos parecem hostis). Claro que os avisos encontram a incompreensão dos homens da razão e ciência, o médico Eswai (Giacomo Rossi-Stuart) e o Inspector Kruger (Piero Lulli), cuja arrogância irá ser posta à prova. Resta, finalmente a mansão com um passado, como personagem que será a Némesis dos protagonistas.

Em termos de enredo, tudo se passa em torno de mortes misteriosas, que nenhum dos locais quer ajudar a desvendar. Aos poucos, os intrusos, a que se junta a enfermeira Monica Schuftan (Erika Blanc) começam a perceber que toda a gente acredita que algo sobrenatural está a acontecer e têm medo de serem as próximas vítimas caso falem. Esta versão é corroborada por Ruth (Fabienne Dali), a bruxa local, que aponta o dedo à Vila Graps, e cujos encantamentos começam a ser requisitados por aqueles que vêem uma menina fantasma persegui-los. Embora Ruth aconselhe Eswai e Kruger a partirem, o segundo vai à mansão Graps e, como previsto, não regressa. Tal leva Eswai a procurar o Inspector, defrontando-se com a auto-reclusa baronesa (Giovanna Galletti), e encontrando a pequena Melissa, fantasma que provoca as diversas mortes.

Com elementos que remontam a vários clássicos do terror (do slasher ao conto de vampiros, passando pela casa assombrada), “Operação Medo” é mais uma prova do génio de Bava em criar atmosferas com poucos recursos. Filmando exteriores na aldeia de Cori, no Lácio, e em estúdio, Bava viu-se rapidamente sem orçamento (a produtora faliu duas semanas após se iniciarem os trabalhos), tendo que terminar o filme pelos seus próprios meios. Se o argumento é pleno de buracos, e muitas situações e personagens têm resoluções de fraco efeito, já a atmosfera gótica criada pelo realizador é admirável.

Criando uma grande diversidade de cenários (desde várias casas na aldeia até às salas da mansão), Bava joga com a cor, com a sombra, com adereços, com planos-sequência e planos subjectivos, para conseguir deixar-nos inquietos, mesmo que o seu uso extremo do zoom possa por vezes parecer demasiado pesado.

Desde o inquietante riso de uma criança que sadicamente acompanha as mortes (Melissa é curiosamente interpretada por um rapaz, Valerio Valeri), à noite que parece eterna (de facto, fica a ilusão de que toda a acção decorre numa só noite), do aparecimento assustador de bonecas de porcelana, à bola que parece perseguir vítimas e fugir dos heróis, é toda uma colecção de pequenos nadas que vai ajudando a aumentar a inquietude e desconforto.

Na memória fica a sequência em que Eswai entra repetidamente na mesma sala, sempre que dela sai por outra porta, para, ao aumentar a velocidade, se ver e confrontar consigo próprio. Inesquecível também é a longa escada em espiral cuja descida entontecedora é mais um indício de estarmos a viver um pesadelo sem fim.

“Operação Medo” foi depois vítima da falta de uma produtora, tendo uma distribuição muito limitada. É ainda ssim um dos melhores góticos de Mario Bava. Nos Estados Unidos sofreria diferentes montagens, tendo vindo internacionalmente a ser relançado com diferentes títulos como: “Curse of the Dead”, “Curse of the Living Dead”, “Don’t Walk in the Park”, “Kill, Baby… Kill!” e “Operation Fear”.

Giovanna Galletti em "Operação Medo" (Operazione paùra, 1966) de Mario Bava

Produção:

Título original: Operazione Paura [Título inglês: Kill Baby Kill]; Produção: FUL Films; País: Itália; Ano: 1966; Duração: 83 minutos; Distribuição: Internazionale Nembo Distribuzione Importazione Esportazione Film (INDIEF); Estreia: 8 de Julho de 1966 (Itália).

Equipa técnica:

Realização: Mario Bava; Produção: Nando Pisani, Luciano Catenacci; História: Romano Migliorini, Roberto Natale; Argumento: Mario Bava, Romano Migliorini, Roberto Natale; Diálogos: John Davis Hart; Director de Produção: Nando Pisani; Música: Carlo Rustichelli; Fotografia: Antonio Rinaldi, Mario Bava [não creditado] [cor por Eastmancolor]; Montagem: Romana Fortini; Cenários: Alessandro Dell’Orco; Figurinos: Tina Grani; Caracterização: Maurizio Giustini; Efeitos Especiais: Enrico Catalucci.

Elenco:

Giacomo Rossi-Stuart (Dr. Paul Eswai), Erika Blanc (Monica Schuftan), Fabienne Dali (Ruth, A Feiticeira), Piero Lulli (Inspector Kruger), Luciano Catenacci [como Max Lawrence] (Karl, O Burgomestre), Micaela Esdra (Nadienne), Franca Dominici (Martha), Giuseppe Addobbati (Estalajadeiro), Mirella Pamphili (Irena Hollander), Valerio Valeri (Melissa Graps), Giovanna Galletti [como Giovanna Vivaldi] (Baronesa Graps).

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