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Un angelo per satanaRoberto Merigi (Anthony Steffen) é um escultor chamado a uma remota vila italiana à beira de um lago, pelo conde Montebruno (Claudio Gora). A sua missão é restaurar uma estátua recuperada no lago. A estátua, que pertencera à família de Montebruno, representa a sua antepassada Belinda, e fora afundada tragicamente muitas décadas antes. Quando estranhas mortes começam a ocorrer na vila, os habitantes culpam a maldição da estátua, e o próprio Merigi começa a perceber que algo estranho ocorre, quando percebe que a regressada sobrinha de Montebruno, a bela Harriet (Barbara Steele) é exactamente igual à estátua. Como se não bastasse, Harriet começa a revelar dupla personalidade, comportando-se como se fosse a reencarnada Belinda.

Análise:

Camillo Mastrocinque, que realizara em 1964 o filme de terror de culto “La Cripta e L’incubo” (em inglês: Crypt of the Vampire), voltou a dar nas vistas no campo do terror gótico dois anos depois, com “Un Angelo per Satana” (An Angel for Satan), protagonizado pela rainha do género, Barbara Steele.

Filmando a preto e branco, Mastrocinque, que foi também co-responsável pelo argumento, conta-nos a história da maldição de uma estátua resgatada de um lago, onde caíra gerações antes. Esta é a estátua de Belinda, uma mulher muito admirada pela sua beleza, e por isso odiada pela irmã menos bela, cuja única forma de vingança foi destruir a estátua, caindo com ela no lago. Agora recuperada, a estátua precisa de restauro, e para tal o patriarca da família Montebruno (Claudio Gora) chama o escultor Roberto Merigi (Anthony Steffen), mas este depara com medo da parte dos habitantes da região que temem pela maldição. Uma sucessão de mortes, e o comportamento estranho de Harriet (Barbara Steele) a sobrinha do conde Montebruno, que é a imagem decalcada da estátua de Belinda, vêm trazer mais suspeitas a Roberto, que numas vezes se sente seduzido por Harriet, noutras se vê ameaçado pela reencarnação de Belinda.

Mais um filme de mistério que propriamente de terror, “Un Angelo per Satana” (que não trata nem de anjos nem de demónios) vive da atmosfera, e muito principalmente das dualidades psicológicas de quase todos os seus personagens. Do bobo e depravado Victor (Aldo Berti), ao inicialmente supersticioso e depois enlouquecido de desejo Carlo (Mario Brega), não esquecendo o casal Rita e Dario (Ursula Davis e Vassili Karis, respectivamente), antes símbolo de amor puro, todos acabam vítimas de Belinda.

Tal dá-se sempre por desejo sexual, insinuação erótica (do sado-masoquismo ao lesbianismo, são vários os comportamento sexuais aflorados), e manipulação fetichista de Belinda, que todos seduz, todos enlouquece e todos faz comportarem-se contra aquilo que seria aparentemente a sua natureza. Numa história de possível reencarnação, que permite a Barbara Steele interpretar dois comportamentos (ela sim anjo e demónio), essa dualidade de personalidade torna-se ainda mais evidente em todos os que a rodeiam, como se o exteriorizar dos desejos escondidos fosse por si só uma transformação completa de cada pessoa.

Sempre com o peso do passado (a maldição da estátua antiga), como pano de fundo, os temas góticos sucedem-se. Seja a atmosfera sombria da antiga mansão, o modo como sons e imagens se propagam pela velha casa como se tivesse vida própria, e claro a presença do herói byroniano, aqui interpretado por Anthony Steffen, como o homem moderno decidido a afrontar a superstição.

Apesar dos seus excelentes condimentos, e da interpretação exuberante de Barbara Steele, no seu último gótico italiano, e então já com seis anos de experiência em Itália, depois da sua estreia em “A Máscara do Demónio” (La Maschera del Demonio, 1960) de Mario Bava, “Un Angelo per Satana” nem sempre flui, deixando alguns personagens mal desenvolvidos, em enredos inconsequentes, e terminando numa conclusão desinspirada e primária.

Barbara Steele e Ursula Davis em "Un Angelo per Satana" (1966) de Camillo Mastrocinque

Produção:

Título original: Un Angelo per Satana [Título inglês: An Angel for Satan]; Produção: Discobolo Film; País: Itália; Ano: 1966; Duração: 92 minutos; Estreia: 4 de Maio de 1966 (Itália).

Equipa técnica:

Realização: Camillo Mastrocinque; Produção: Liliana Biancini; Argumento: Giuseppe Mangione, Camillo Mastrocinque [baseado num conto de Luigi Emmanuele]; Fotografia: Giuseppe Aquari [preto e branco]; Música: Francesco de Masi; Design de Produção: Alberto Boccianti; Direcção Artística: Martine Cohen, Gérard Cohen; Montagem: Gisa Radicchi Levi.

Elenco:

Barbara Steele (Harriet Montebruno / Belinda), Anthony Steffen (Roberto Merigi), Aldo Berti (Victor), Marina Berti [como Maureen Melrose] (Illa), Vassili Karis (Dario, o Professor), Mario Brega (Carlo Lionesi), Claudio Gora (Conde Montebruno), Ursula Davis (Rita), Betty Delon, Halina Zalewska, Antonio Corevi, Livia Rossetti, Antonio Acqua, Giovanna Lenzi, Adriana de Roberto (dobragem de voz de Marina Berti [não creditada], Gabriella Genta (dobragem de voz de Barbara Steele [não creditada].