Etiquetas

, , , , , , , , , , ,

Danza macabraAlan Foster (Georges Rivière) é um jornalista decidido a entrevistar o célebre Edgar Allan Poe (Silvano Tranquilli), que encontra num bar, a narrar um dos seus contos como se fosse verdade. Perante a incredulidade do jornalista, o interlocutor de Poe, Lord Thomas Blackwood (Umberto Raho) desafia-o a passar uma noite na sua mansão assombrada, na noite que precede o Dia de Todos os Santos. Aí Alan Foster é recebido por Elisabeth Blackwood (Barbara Steele), por quem se apaixona, no que encontra o desagrado da amiga desta, Julia (Margrete Robsahm). Aos poucos Foster vê-se a viver imagens presentes e passadas, de crime e tragédia, apresentadas pelo misterioso Dr. Carmus (Arturo Dominici), no final das quais percebe que os personagens que vai conhecendo não são aquilo que pensa, e que a sua vida corre sério perigo.

Análise:

Embora mais conhecidos pelos western spaghetti, que pelo terror gótico, Antonio Margheriti e Sergio Corbucci colaboraram naquele que veio a ser reconhecido como um dos expoentes máximos do terror gótico italiano filmado a preto e branco. Corbucci, criador do personagem Django, e de outros filmes emblemáticos do western filmado na Europa, escreveu o argumento com Giovanni Grimaldi e, ao que consta, terá dado uma mão na realização. Esta está no entanto creditada como sendo apenas de Margheriti, que já no ano anterior realizara outro gótico: “La Vergine Di Norimberga” (em inglês Horror Castle).

Pela reconhecida dificuldade de os autores italianos serem levados a sério no seu país, num género em que todas as referências eram anglo-saxónicas, e também pela procura dos mercados internacionais, tanto Margheriti como Corbucci usariam pseudónimos ingleses (Anthony M. Dawson e Gordon Wilson Jr., respectivamente). O mesmo faria parte do elenco, algo de que a estrela Barbara Steele não precisava, pois era a única verdadeira inglesa no elenco e, desde “A Máscara do Demónio” (La Maschera del Demonio/Black Sunday, 1960) a rainha do gótico italiano, e uma presença quase obrigatória para o sucesso de um filme deste género.

Continuando no reino do faz de conta, o filme chegou a ser promovido como sendo inspirado numa história de Edgar Allan Poe. Para aumentar a confusão, o escritor surge como personagem (interpretado por Silvano Tranquilli) narrando parte de um conto seu (“Berenice”) no início do filme.

Passando à história, Georges Rivière é Alan Foster, um jornalista empenhado a entrevistar o célebre Edgar Allan Poe (Silvano Tranquilli), que encontra num bar, a narrar um dos seus contos como se fosse verdade. Perante a incredulidade de Foster, o interlocutor de Poe, Lord Thomas Blackwood (Umberto Raho) desafia o jornalista a passar uma noite numa sua mansão, que se diz assombrada na noite que precede o Dia de Todos os Santos.

Mais para ter a oportunidade de falar com Poe, que pelo interesse na mansão, Foster acaba por aceitar, deixando-se levar para a propriedade dos Blackwood. Aí é recebido pela bela Elisabeth Blackwood (Barbara Steele), por quem se apaixona de imediato, perante o desagrado da amiga desta, Julia (Margarete Robsahm). Aos poucos Foster vê-se num carrossel de imagens e cenas do passado, em que vai descobrindo a história trágica da mansão, contada pelo misterioso Dr. Carmus (Arturo Dominici). Através dele, Foster descobre que todos naquela casa estão mortos, e todos os que ali entram estão destinados a ser assassinados, para o seu sangue manter os fantasmas vivos durante mais um ano. Foster tem então apenas a ajuda de Elisabeth, que tenta que ele não tenha que sofrer o destino de todos os outros.

Estão desde logo presentes todos os requisitos do gótico, a casa como espaço interventivo, evocativo de um passado que é pesado e sinónimo de decadência, e claro o herói byroniano, cuja arrogância de homem moderno é a hubris que o arrastará para a perdição.

Tudo isto nos chega no passo lento e medido com que os acontecimentos se revelam, desde o tom pesado da história inicial de Poe, até ao ar anunciadamente trágico do romance impossível de Foster e Elisabeth. É então a mansão (feita de corredores sinistros, escadarias lúgubres e salões poeirentos, que domina os acontecimentos, e onde, uma após uma, cada cena se revela a Foster, como pequenos filmes do passado que lhe são dados a testemunhar. Foster é misturado com fantasmas que o seduzem, fantasmas que são o reviver de histórias antigas, e fantasmas que o perseguem, num caleidoscópio de experiências que tornam o tempo irreal, e toda a noite a ser vivida como se de um minuto ou eternidade se tratasse.

Note-se como os autores não se coíbem de mostrar mortes violentas e demasiado gráficas, em momentos de paixão, ciúme e loucura, e onde uma paixão lésbica não é escondida.

Embora filmando a preto e branco, e com limitações de orçamento, Margheriti consegue em “Danza Macabra” um filme onde a atmosfera reina, e o mistério é bem conseguido, ainda que a luz, demasiado contratante retire alguma subtileza à fotografia.

Como era frequente na época, estas produções italianas, feitas com dinheiro americano, e francês, e sempre com alguma participação francesa para alargar o mercado, eram depois dobradas em várias línguas, e por vezes montadas de modo diverso segundo o mercado a que eram destinados, e a distribuidora que os comprava. Por esta razão, e devido a diversos relançamentos posteriores, o filme é também conhecido como “Coffin of Terror”, “Danse Macabre”, “Dimensions in Death”, “La Lunga Notte del Terrore”, “Terrore”, “The Castle of Terror”, “The Long Night of Terror”, “Tombs of Horror”, e “Tombs” of Terror.

Antonio Margheriti voltaria a filmar a mesma história, agora a cores, como “Nella Stretta Morsa del Ragno” (Web of the Spider, 1971), com Klaus Kinski no papel de Poe, e argumento descrito como adaptação do conto fictício do escritor, “Night of the Living Dead”.

Margarete Robsahm em "Danza Macabra" (1964) de Antonio Margheriti

Produção:

Título original: Danza Macabra [Título americano: Castle of Blood]; Produção: Giovanni Addessi Produzione Cinematografica / Ulysse Productions / Vulsinia Films; Produtores Executivos: Leo Lax, Marco Vicario; País: Itália / França; Ano: 1964; Duração: 87 minutos; Distribuição: Globe International Film (Itália), Les Films Marbeuf (França), Woolner Brothers Pictures Inc. (EUA); Estreia: 27 de Fevereiro de 1964 (Itália).

Equipa técnica:

Realização: Antonio Margheriti [como Anthony M. Dawson], Sergio Corbucci [não creditado]; Produção: Giovanni Addessi [como John MacHaven], Franco Belotti [como Frank Belty], Walter Zarghetta [como Walter Sarch]; Argumento: Sergio Corbucci [como Gordon Wilson Jr.], Giovanni Grimaldi [como Jean Grimaud]; Fotografia: Riccardo Pallottini [como Richard Kramer] [preto e branco]; Música: Riz Ortolani [como Ritz Ortolani); Design de Produção: Ottavio Scotti [como Warner Scott]; Montagem: Otello Colangeli [como Otel Langhel]; Efeitos Especiais: Ottavio Scotti [como Warner Scott].

Elenco:

Barbara Steele (Elisabeth Blackwood), Georges Rivière (Alan Foster), Margarete Robsahm (Julia Alert), Arturo Dominici [como Henry Kruger] (Dr. Carmus), Silvano Tranquilli [como Montgomery Glenn] (Edgar Allan Poe), Sylvia Sorrente (Elsi Perkings), Giovanni Cianfriglia [como Phil Karson] (Herbert, O Assassino), John Peters, Merry Powers, Umberto Raho [como Raul H. Newman] (Lord Thomas Blackwood), Salvo Randone (Lester, o Cocheiro), Benito Stefanelli [como Ben Steffen] (William), Johnny Walters.