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I tre volti della pauraTrês curtas histórias de terror mostram-nos. Na primeira temoa Rosy (Michele Mercier), amedrontada em casa por tefefonemas anónimos de alguém que promete matá-la. A segunda passa-se na Rússia do século XIX onde o diplomata Vladimir Durfe (Mark Damon), viajando pelo interior, depara com a história de um ser que regressa dos mortos para que se alimentar do sangue daqueles que mais amou em vida. Na última história vemos enfermeira Helen Chester (Jacqueline Pierreux), chamada para ajudar a arranjar para o funeral uma velha senhora acabada de morrer, roubando-lhe um precioso anel que a senhora ostenta no dedo, para ser assombrada por ela depois disso.

Análise:

Em “As Três Faces do Terror” Mario Bava continuava a trilhar o caminho do terror gótico depois do sucesso da sua estreia com “A Máscara do Demónio” (La Maschera del Demonio, 1960). Desta vez, a ideia era unir três curtas-metragens, com introdução e epílogo (em tom jocoso) do veterano Boris Karloff (então com contrato com a American International Pictures (AIP), que também protagoniza uma delas. Mas uma vez Bava baseou-se em autores célebres, adaptados às suas necessidades. A produção inseria-se na política de fazer filmes de baixo custo, sem estrelas, e por isso privilegiando curtas histórias, no seguimento de uma colaboração entre a AIP e a Galatea.

A primeira história, intitulada “O Telefone” (atribuída a F. G. Snyder), mostra-nos Rosy (Michele Mercier), que ao chegar a casa começa a receber chamadas telefónicas ameaçadoras de alguém que diz ir matá-la nessa noite. Assustada Rosy chama a amiga Mary (Lydia Alfonsi), a quem já não falava há algum tempo. Mary ri da situação, mesmo quando Rosy mostra que o estranho é Frank, alguém que ela ajudou a que fose preso, e está agora fora da cadeia. Enquanto Rosy dorme, Mary escreve a confissão de que fora ela a fazer as chamadas, esperando que isso as voltasse a juntar. Só que nessa altura o versadeiro Frank entra na casa e mata Mary julgando ser Rosy, para depois ser morto por esta.

A segunda história, intitulada “O Wurdalak”, contém elementos das histórias “The Family of the Vourdalak” de Aleksey Konstantinovich Tolstoy, “Fear” de Guy de Maupassant e “Drácula” de Bram Stoker. Ela passa-se na Rússia do século XIX, onde o diplomata Vladimir Durfe (Mark Damon), viajando pelo interior, depara com um cadáver apunhalado no coração. Giorgio (Glauco Onorato) diz-lhe que se trata de um criminoso turco, que era um Wurdalak, um morto-vivo que se alimenta do sangue daqueles que mais ama, e o punhal é o do seu pai, Gorca, saído há cinco dias para o matar. Juntamente com a família de Giorgio, Vladimir aguarda o regresso de Gorca (Boris Karloff), mas ao chegar só depois da meia-noite, a família acredita que se trata também de um Wurdalak. Nessa noite Gorca foge matando o segundo filho, e raptando o neto, Ivan, filho de Giorgio. Na manhã seguinte, é encontrado o corpo de Ivan, mas a mulher de Giorgio não permite que ele seja trespassado no coração, pelo que nessa noite ele volta, causando que a mãe mate Giorgio, antes de ser morta por Gorca. Vladimir escapa levando Sdenka (Susy Andersen), a outra irmã de Giorgio. Só que esta é perseguida pela família, que a transforma também. No final Vladimir encontra Sdenka, mas quando a abraça esta morde-o.

A terceira história, chamada “A Gota de Água” é atribuída a Ivan Chekov, e mostra-nos a enfermeira Helen Chester (Jacqueline Pierreux), que é chamada a meio da noite para ajudar a arranjar para o funeral uma velha senhora acabada de morrer. Helen não resiste a roubar um precioso anel que a senhora ostenta no dedo, e nesse momento derruba um copo de água, e vê uma mosca pousar no local onde estava o anel. A partir de então passa a ser assombrada por uma mosca e o som de gotas que pingam. Já em casa, começa a ver o corpo da velha senhora a persegui-la, até que se estrangula a si própria até à morte. No dia seguinte a senhoria descreve à polícia como encontrou Helen morta. Na mão de Helen já não está o anel, e é a senhoria que agora ouve as gotas de água.

Com três histórias díspares, Bava consegue manter o essencial, que é a atmosfera de medo e clima de ameaça sobre uma pessoa ou família, que parece carregar uma culpa inultrapassável, bem ao gosto do gótico. Sendo a primeira e terceira histórias passadas num cenário contemporâneo, nem assim elas destoam da segunda, devido ao mesmo uso dos interiores opressivos e claustrofóbicos, e fio condutor trazido pelo medo carregado pela personagem atormentada.

Tendo o mercado americano em vista o filme dispensou cenas mais violentas, como, por exemplo, as de “A Máscara do Demónio”. Ainda assim a AIP reeditou o filme cortando cenas, atenuando alguns subtextos, usando uma cor mais suave, e regravando a introdução de Boris Karloff. Esse filme teria como título “Black Sabbath”, com uma nova banda sonora, da autoria de Lee Baxter.

O filme foi bem recebido pelo público e crítica, tendo até hoje críticas muito positivas, pela forma como Bava constrói atmosferas, e em curtas histórias consegue arrepiar o espectador.

Boris Karloff em "As Três Faces do Terror" (I Tre Volti della Paura / Black Sabbath, 1963) de Mario Bava

Produção:

Título original: I Tre Volti della Paura [Título americano: Black Sabbath]; Produção: Emmepi Cinematografica / Galatea Film / Alta Vista Film Production / Alta Vista Productions / Societé Cinématographique Lyre; País: Itália / França / EUA; Ano: 1963; Duração: 92 minutos; Distribuição: The Rank Organisation (França), American International Pictures (AIP) (EUA); Estreia: 17 de Agosto de 1963 (Itália).

Equipa técnica:

Realização: Mario Bava; Produção: Salvatore Billitteri, Paolo Mercuri; Argumento: Mario Bava, Alberto Bevilacqua, Marcello Fondato [baseado nas histórias: “O Telefone” de F. G. Snyder, “O Wurdalak” de Aleksei Tolstoy e “A Gota de Água” de Ivan Chekhov]; Música: Roberto Nicolosi, Les Baxter (versão americana); Fotografia: Ubaldo Terzano, Mario Bava [não creditado] [cor por Technicolor]; Montagem: Mario Serandrei; Design de Produção: Riccardo Domenici; Direcção Artística: Giorgio Giovannini; Cenários: Tina Grani; Caracterização: Otello Fava; Máscaras: Eugenio Bava; Direcçao de Produção: Paolo Mercuri.

Elenco:

Segmento “Il telefono”:
Michèle Mercier (Rosy), Lidia Alfonsi [como Lydia Alfonsi] (Mary).
Segmento “I Wurdalak”:
Boris Karloff (Gorca), Mark Damon (Vladimir D’Urfe), Susy Andersen (Sdenka), Massimo Righi (Pietro), Rika Dialyna [como Rica Dialina] (Maria), Glauco Onorato (Giorgio).
Segmento “La goccia d’acqua”:
Jacqueline Pierreux (Helen Chester), Milly [como Milly Monti] (A Criada), Harriet Medin (Vizinha), Gustavo De Nardo (Inspector da Polícia).

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