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Sfida al diavoloCarlo é atingido a tiro em plena rua, refugiando-se no convento onde está o seu amigo Padre Peo Remigio (Piero Vida). Ali Carlo conta ao padre que Cyro o quer matar por julgar que tem papéis comprometedores. Na verdade quem os tem é Alma (Alma del Rio). O Padre Remigio procura então Alma, e para a convencer a praticar o bem conta a história de como se tornou padre, depois de, com alguns amigos, passarem uma noite de excessos num castelo abandonado, onde lhes surgiu a figura de um velho (Christopher Lee) que os levou a passar a mais assustadora das experiências.

Análise:

Escrito e realizado pelo pouco conhecido Giuseppe Veggezzi (sob o pseunónimo anglófono de Joseph Vegh, como era então habitual), “Sfida al Diaviolo” é para muitos uma das mais fracas contribuições para o cinema italiano de terror gótico.

Usando Christopher Lee como cabeça de cartaz, o filme passa-se muito pouco em atmosfera gótica. A acção começa nas luminosas ruas de uma cidade contemporânea, onde assistimos à tentativa de homicídio de Carlo por parte de alguns criminosos. Desenvolve-se depois uma narrativa em torno de uma chantagem, que leva o protagonista, Padre Peo Remigio (Pietro Vidali) a visitar um cabaré, onde trabalha Alma (a cantora Alma del Rio), a verdadeira detentora dos documentos pelos quais Carlo foi atingido. O padre tenta convencê-la a fazer o bem, deparando com escárnio e frieza. Decide então explicar-lhe porque se tornou padre, esperando, com isso, que ela mude de ideias.

Começa então o filme de terror, contada em flashback por Remigio. Este descreve como um grupo de seis rapazes e raparigas, vivendo desregradamente, nos excessos de álcool, drogas, sexo e violência, chegam a um castelo abandonado, onde resolvem entrar apenas para incomodar os residentes. Após horas de ruído e caos, encontram o seu anfitrião (Christopher Lee), um velho de cabelo branco que os incita a procurarem o corpo da sua amada, para que tenha um funeral digno. Promete-lhes em troca a sua fortuna, e eles acedem. Só que nesse momento ele transforma-se no maquiavélico Mefistófeles, e vai assombrando o castelo e os seus seis visitantes.

Produção híbrida, que nos faz pensar que é na verdade uma colagem de dois filmes que não foram planeados estar juntos, “Sfida al Diaviolo” mistura momento contemporâneo com uma incursão à atmosfera dos velhos castelos assombrados. Ambas as partes são disjuntas em demasia, não se entendendo a relevância de uma para outra. Além disso o desfecho é no mínimo incrível, pois custa a crer que um conto de uma casa assombrada pudesse levar a cínica Alma a ficar boazinha de repente.

Do mesmo modo a história passada no castelo é completamente inconsequente, com as aparições de Christopher Lee a serem desprovidas de sentido. Num momento é um velho atormentado que vendeu a alma ao diabo pela juventude da mulher amada, no momento seguinte é o próprio diabo que atormenta os visitantes. Só que, para além de algumas peripécias, este diabo não lhes faz nada, e quando eles levam a cabo a sua missão de encontrar a companheira morta do anfitrião, o diabo volta a ser o pacato velho.

O filme é ainda marcado por uma forte influência beat (típica da Itália dos anos 60, bebedora em excesso da cultura americana), com música moderna pop italiana, danças beat, e toda a filosofia niilista dos excessos de droga e álcool, e que nada trazem à história de terror, que não seja a afirmação da época em que “Sfida al Diavolo” foi filmado.

Filmado no Castelo Odescalchi, nas margens do lago Bracciano, perto de Roma, o filme tem nos interiores do castelo os seus momentos de maior interesse. Mas mesmo estes sofrem de algum amadorismo, com um fraco uso da iluminação e enquadramento, constantemente a arruinarem os momentos de tensão que a história pudesse vir a ter.

Não bastasse o mau conceito, mau argumento, e péssimas condições em que foi filmado, “Sfida al Diavolo” sofre ainda de más interpretações (excepção feita a Lee, que surge em ecrã apenas por breves minutos). Como se não fosse tudo, o filme teve problemas com a sua estreia. Foi inicialmente estreado com o título “Katarsis” a pensar no mercado americano, e só dois anos mais tarde relançado com o nome “Sfida al Diavolo”. Com o tempo, tem ganho um certo estatuto de culto, mas é vulgarmente citado como o pior filme de terror italiano de sempre.

Sfida al diavolo

Produção:

Título original: Sfida al Diavolo [Título internacional: Katarsys]; Produção: Belotti Produzione / Films Della Mangusta; País: Itália; Ano: 1963; Duração: 75 minutos; Estreia: 9 de Junho de 1963 (Itália).

Equipa técnica:

Realização: Giuseppe Veggezzi [como Joseph Vegh]; Produção: Ulderico Sciarretta [não creditado]; Argumento: Giuseppe Veggezzi [como Joseph Vegh]; Música: Berto Pisano; Fotografia: Angelo Baistrocchi, Mario Parapetti [preto e branco]; Montagem: Piera Bruni; Direcção Artística: Giuseppe Raniere; Director de Produção: Osckar Santaniello.

Elenco:

Christopher Lee (Mephistoles), Alma Del Rio (Alma, Cantora), Pietro Vidali [como Piero Vida] (Padre Peo Remigio), Ulderico Sciarretta (Padre Guardião), Georgio Ardisson [como George Ardisson] (Gugo), Alice Paneque [como Bella Cortez] (Frie), Vittoria Centroni [como Lilli Parker] (Maga), Anite Cacciolati [como Anita Dreyer] (Jenny), Mario Poletin [como Mario Zacarti] (Gian), Adriana Ambesi (Senhora do Castelo), Eva Gioia, Ettore Ribotti, Sergio Gibelli, Pasquale Basile, Sonia Scotti (Sonia, a Cantora), Sergio Rossi (dobragem, voz de Mephistoles) [não creditado].

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