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Il Mulino delle Donne di PietraHans von Arnim (Pierre Brice) chega a uma zona rural para trabalhar num livro sobre a obra do Professor Gregorius Wahl (Herbert A.E. Böhme), um escultor que, tal como o seu pai e avô, expõe no seu moinho uma colecção de estátuas extremamente realistas de mulheres, recriando momentos macabros da história da humanidade. Lá, Hans conhece Elfie (Scilla Gabel), a filha do professor Wahl, que vive em reclusão, afligida por crises dor. Numa delas Elfie morre à frente de Hans, o qual não percebe mais nada quando, depois de uma série de alucinações, acorda e vê Elfie viva.

Análise:

Giorgio Ferroni foi um realizador italiano que começou a trabalhar nos anos 30, nomeadamente em filmes de aventuras. Com o advento do Neo-realismo, Ferroni tentou alguns filmes nessa estética, mas cedo voltaria ao cinema de género dedicando-se aos chamados «peplum» (o «sword and sandal» italiano de épicos históricos de inspiração mítica), e mais tarde aos western spaghetti. Mais rara na carreira de Ferroni foi a incursão no cinema de terror, o que fez neste “Il Mulino delle Donne di Pietra”.

Filmado a cores, num cenário que evoca a Holanda, o filme de Ferroni adapta o conto do mesmo nome de Pieter van Weigen. Nele Hans von Arnim (Pierre Brice) vem trabalhar num livro sobre a obra do Professor Gregorius Wahl (Herbert A.E. Böhme) que, tal como o seu pai e avô, expõe no seu moinho uma colecção de estátuas de mulheres, recriando momentos macabros da história da humanidade. Ao chegar, Hans apercebe-se da presença de Elfie (Scilla Gabel), a filha do Professor Wahl, que vive em aparente reclusão, e é vítima de múltiplas crises de dor que poderão levá-la à morte. Contra o conselho do Professor Wahl, Hans deixa-se seduzir por Elfie, e assiste a uma das suas crises, que resulta na morte da rapariga. Depois disso, Hans drogado pelo médico de Elfie, o Dr. Loren Bohlem (Wolfgang Preiss), tem uma série de alucinações, não compreendendo mais nada quando vê Elfie viva. Após recuperar Hans percebe que nem tudo o que alucinou era falso, e com o amigo Ralf (Marco Guglielmi) chegam ao moinho a tempo de impedir a morte da sua noiva Liselotte (Dany Carrel), cujo sangue, como o de tantas outras raparigas antes, seria usado para dar nova vida a Elfie, para que os seus corpos sejam usados como as figuras do museu.

Com um filme fortemente evocativo de “A Máscara de Cera” (House of Wax, 1953) de Andre De Toth, Ferroni consegue, principalmente nas cenas passadas no moinho, uma obra de uma atmosfera impecável, graças a cenários cuidados e inspirados. Com um início algo lento, e sem estrelas que prendam grandemente a atenção do espectador, o filme vive principalmente das entradas intempestivas de Scilla Gabel, uma espécie de mulher fatal do terror, na forma como surge e domina o elemento masculino. É com a sequência da morte e alucinação que o filme ganha vida, e o seu lado horrífico começa a dominar, com momentos bem mais vertiginosos, onde não se dispensa mesmo uma descida a uma cripta.

De salientar o lado erótico de “Il Mulino delle Donne di Pietra” (uma característica do gótico italiano), sempre com a magnética Scilla Gabel à cabeça. Note-se as diversas menções (geralmente visuais) aos corpos femininos, das vítimas (e futuras exposições) do moinho.

O filme terá passado despercebido aos olhos do grande público, mas acabaria por ganhar um lugar de culto no domínio do gótico europeu, mercê do seu bonito design de produção.

Dany Carrel e Scilla Gabel em "Il Mulino delle Donne di Pietra" (1960) de Giorgio Ferroni

Produção:

Título original: Il Mulino delle Donne di Pietra; Produção: C.E.C. Films / Explorer Film ’58 / Faro Film / Galatea Film / Wanguard Film; País: Itália / França; Ano: 1960; Duração: 95 minutos; Estreia: 30 de Agosto de 1960 (Itália).

Equipa técnica:

Realização: Giorgio Ferroni; Produção: Giampaolo Bigazzi; Argumento: Remigio Del Grosso, Giorgio Ferroni, Ugo Liberatore, Giorgio Stegani [baseado num conto de Pieter van Weigen]; Música: Carlo Innocenzi; Fotografia: Pier Ludovico Pavoni [cor por Technicolor]; Montagem: Antonietta Zita; Design de Produção: Arrigo Equini; Director de Produção: Lucien Vittel.

Elenco:

Pierre Brice (Hans von Arnim), Scilla Gabel (Elfie Wahl), Wolfgang Preiss (Dr. Loren Bohlem), Dany Carrel (Liselotte Kornheim), Herbert A.E. Böhme (Professor Gregorius Wahl), Liana Orfei (Annelore), Marco Guglielmi (Ralf), Olga Solbelli (Selma), Alberto Archetti (Konrad).

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