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Cena de "Ben-Hur" (1959) de William Wyler

No início da década de 1950 adivinhava-se o fim do studio system de Hollywood. De um lado, o caso Paramout (1948) levava os tribunais a decretar o film do sistema vertical que permitia a que cada estúdio tivesse controlo absoluto sobre produção, distribuição e exibição dos seus filmes. Por outro, a televisão era a nova moda, levando as famílias a ficar em casa, e as salas de cinema a ficarem mais vazias.

Habituados a ter salas cheias, os senhores de Hollywood decidiram-se pela fuga para a frente. A aposta foi na inovação tecnológica, com a implantação das cores garridas e dos ecrãs panorâmicos de formato muito mais largo. Era o terreno fértil para produções vistosas, em particular histórias passadas em tempos exóticos, com milhares de figurantes, cenários de luxo, e guarda-roupas de sonho. Era o tempo dos épicos históricos e bíblicos, passados na antiguidade, do Egipto a Jerusalém, passando pela história da antiga Roma. Os personagens falavam como se estivessem num palco shakespeariano, a subtileza dava lugar à opulência, e todos os temas tinham que ser maiores que a vida.

O resultado foram os filmes hoje chamados “Sword and sandal” ou “Espada e Sandália”, muitos deles filmados na Europa (Cinecittà em Roma; planície espanhola), de entre os quais sairam algumas das mais famosas produções de sempre de Hollywood, como “Quo Vadis”, “Ben-Hur” ou “Os Dez Mandamentos”. Mas a insistência nesse salto em frente, sem atenção a um público que começava a mudar os seus gostos, levaria ao colapso, como aconteceu com a 20th Century-Fox com o fracasso de “Cleópatra” (1963). As majors deixavam de ser sustentáveis, e para as salvar chegava o dinheiro das grandes empresas de Leste, que as incorporavam nos seus vastos impérios financeiros e as viriam a comprar e vender descaracterizando-as ao serviço dos seus grupos multimédia. O studio system e a era dourada de Hollywood morriam para sempre.

É esse período, e esses filmes, hoje tão criticados como espectaculares foram para quem os viu aquando da sua estreia, que A Janela Encantada vai abordar nas próximas semanas.

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A lista de filmes

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