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Kvinnors VäntanRakel (Anita Björk), Marta (Maj-Britt Nilsson), Karin (Eva Dahlbeck) e Annette (Aino Taube) estão casadas com quarto irmãos Lobelius. Enquanto os esperam na casa de campo da família, falam do que têm de vazio nas suas vidas, o que as leva a narrar histórias do passado. Rakel conta como uma vez foi infiel ao marido (Karl-Arne Holmsten). Marta conta como decidiu ter o filho sozinha, depois de ter engravidado de Martin (Birger Malmsten). E Karin conta sobre uma noite passada no elevador com o seu marido (Gunnar Björnstrand). Enquanto as ouve, a jovem Maj (Gerd Andersson), irmã mais nova de Marta, decide fugir com Henrik Lobelius (Björn Bjelfvenstam).

Análise:

Partindo de histórias que, nalguns casos, tinham sido escritas como contos independentes, Ingmar Bergman construiu, em 1952, em colaboração com Gun Grut, um filme diferente, como um conjunto de episódios que quatro cunhadas partilham entre si.

Tais são as histórias de Rakel (Anita Björk), Marta (Maj-Britt Nilsson), Karin (Eva Dahlbeck) e Annette (Aino Taube), que se encontram numa casa de campo, com os respectivos filhos, esperando os maridos. Estes são os irmãos Martin (Birger Malmsten), Fredrik (Gunnar Björnstrand), Eugen (Karl-Arne Holmsten) e Paul Lobelius (Håkan Westergren), que elas reconhecem como homens frios, nem sempre atentos às necessidades delas. Palavra puxa palavra, e as mulheres entram em regime confessional, cada uma contando uma história do seu passado.

Começa Rakel, que narra como teve uma relação com Kaj (Jarl Kulle), amante de juventude que a reconquista agora casada. Rakel conta tudo ao marido Eugen, quase arruinando o seu casamento. Segue-se Marta, que conta como conheceu Martin em Paris, numa relação fogosa, vindo a engravidar dele, mas deixando-o sem lhe dizer estar grávida, por ele não parecer interessado nela no momento, preferindo ter o filho sozinha, e só depois ver se Martin ainda a queria. Finalmente é a vez de Karin, que narra como certa noite, vindos de uma festa de família, ela e o marido Fredrik ficaram presos no elevador, o que resultou numa noite de amor, como ambos confessaram não ter há muito. Quanto a Annette, prefere dizer que a sua vida é tão sensaborona, que nada há para contar.

Ao mesmo tempo, Maj (Gerd Andersson), irmã mais nova de Marta, decide fugir com Henrik Lobelius (Björn Bjelfvenstam), porque este quer crescer longe do peso da família. Embora tal preocupe Marta, Paul (marido de Anette) tranquiliza-a, dizendo que os jovens tentam sempre fazer o proibido, e regressam quando vêem que não há proibição.

Embora cativante pelas três histórias contadas (dois dramas e uma comédia), “Mulheres que Esperam” sabe a pouco, pelo modo ligeiro com que elas são encaradas, e integradas na vida familiar. Das histórias depreendem-se várias traições na família, problemas entre irmãos, e desejos subliminares entre cunhados e cunhadas. Ainda assim, no regresso ao presente, toda a gente parece viver em harmonia, não se percebendo se é uma simples hipocrisia, ou apenas um maturar que deixou para trás agruras passadas. Talvez porque é Verão, que como Bergman nos explica, é um tempo um pouco mágico, uma pausa na vida real. Ou talvez, porque como diz Paul, tudo passa, e todos aceitam vidas cinzentas.

Sem esse forte elo de ligação, e com um desfecho pueril em torno da história dos jovens Maj e Henrik, é preferível olharmos para o filme como três pequenas histórias, e aí sim encontramos Bergman no seu campo preferido. É, convém dizer-se imediatamente, um filme dominado por mulheres, e só a sua perspectiva nos interessa. Seja a global, das mulheres que esperam (não apenas no sentido do tempo, mas também na sua vida romântica, esperando sempre algo mais que as faça sentir vivas), seja a das várias histórias individuais.

Rakel, na traição motivada por necessidade de paixão, confronta frontalmente o marido, não se coibindo de lhe explicar que a culpa é dele. É uma interpretação segura de Anita Björk a lembrar-nos (com muita sensualidade nas cenas em fato de banho) o quanto uma mulher precisa de se sentir desejada. Marta (Maj-Britt Nilsson contracenando pela segunda vez consecutiva com Birger Malmsten) traz-nos a história mais complexa, com um flashback dentro de outro, levando-nos à noite parisiense (com a nudez dos clubes nocturnos), onde se deixa enamorar por Martin, no que todos vão dizendo ser uma vida leviana. Mantém, no entanto, um orgulho que a faz passar por uma gravidez sozinha, mesmo quando Martin já implora para casar com ela. Como acontecera em “Um Amor de Verão” (Sommarkek, 1951), Maj-Britt Nilsson é fabulosa no leque de emoções que expressa. Por fim, a pequena comédia, onde o sexo no elevador é o tema, após um corte de corrente que dura toda uma noite, e que de memorável tem principalmente o facto de ser a primeira vez que Bergman tentou este registo.

Se foi a história de Karin e Paul, no elevador, que fez as delícias do público (afinal um piscar de olhos à comédia americana), é a narrativa de Maj-Britt Nilsson que melhor ilustra onde estava então Bergman. Saliente-se a longa sequência muda desde o cabaret parisiense até à primeira noite de Marta e Martin, onde só temos gestos, olhares, danças, desenhos e palavras escritas. E depois há Maj-Britt Nilsson, sempre fabulosa, e que não voltaria a filmar com Bergman. E se também Birger Malmsten ficaria ausente durante muito tempo, para o futuro ficavam Eva Dahlbeck e Gunnar Björnstrand.

Maj-Britt Nilsson, Anita Björk, Gerd Andersson, Eva Dahlbeck e Aino Taube

Produção:

Título original: Kvinnors väntan; Produção: Svensk Filmindustri (SF); País: Suécia; Ano: 1952; Duração: 103 minutos; Estreia: 3 de Novembro de 1952 (Suécia), 18 de Março de 1989 (Cinemateca Portuguesa, Portugal).

Equipa técnica:

Realização: Ingmar Bergman; Produção: Allan Ekelund; Argumento: Ingmar Bergman [a partir de uma história de Gun Grut]; Música: Erik Nordgren; Orquestração: Eskil Eckert-Lundin; Fotografia: Gunnar Fischer [preto e branco]; Montagem: Oscar Rosander; Design de Produção: Nils Svenwall; Figurinos: Barbro Sörman; Caracterização: Carl M. Lundh.

Elenco:

Anita Björk (Rakel), Eva Dahlbeck (Karin), Maj-Britt Nilsson (Marta), Birger Malmsten (Martin Lobelius), Gunnar Björnstrand (Fredrik Lobelius), Karl-Arne Holmsten (Eugen Lobelius), Jarl Kulle (Kaj), Aino Taube [como Aino Taube-Henrikson] (Anneta), Håkan Westergren (Paul Lobelius), Gerd Andersson (Maj), Björn Bjelfvenstam (Henrik Lobelius).

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