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Demetrius and the GladiatorsSequela do filme “A Túnica” (The Robe, 1953) de Henry Koster, “Demétrio, o Gladiador” inicia-se onde aquele terminara, com a morte de Marcelo e Diana. A túnica de Cristo que pertencera a Marcelo está agora com S. Pedro (Michael Rennie). Demétrio, o escravo, é condenado à vida de gladiador, onde ganha o interesse tanto do imperador Calígula (Jay Robinson), como da sua esposa Messalina (Susan Hayward), que o vai seduzir e fazer dele membro da sua guarda. Mas o amor de Demétrio pela escrava cristã, Lucia (Debra Paget), vai levá-lo de volta ao Cristianismo.

Análise:

Foi mesmo antes da estreia de “A Túnica” (The Robe, 1953), que a Fox decidiu que esse filme deveria ter uma continuação. Tal surgiu, na produção do mesmo Frank Ross, e novo argumento Philip Dunne, na forma de “Demétrio, o Gladiador”, realizado pelo conceituado Delmer Daves, a partir dos personagens do livro de Lloyd C. Douglas.

O filme começou a ser rodado apenas três semanas após o final das filmagens de “A Túnica”, com alguns dos mesmos cenários, e até a repetição de algumas cenas (como a sequência inicial da caminhada para a morte dos personagens de Richard Burton e Jean Simmons, que dá o mote à nova história.

Era agora Demétrio, o personagem de Victor Mature, o protagonista. No filme anterior, Demétrio fora aquele que dera a conhecer o Cristianismo ao protagonista, e fora a sua abnegação a motivar o percurso do romano entretanto convertido. Agora seria ele próprio a ter uma difícil caminhada onde a sua fé seria testada.

Tudo porque ao proteger a túnica de Cristo, Demétrio é aprisionado pelas tropas romanas, e entregue à escola de gladiadores de Cláudio (Barry Jones), cuja esposa, Messalina (Susan Hayward) vai adquirir um especial interesse no seu novo gladiador cristão. Demétrio começa por frustrar o tirânico imperador Calígula (Jay Robinson, que repete, aqui com muito mais tempo de ecrã, o demente imperador), ao recusar-se a matar outro homem devido à sua religião, mas Messalina vai orquestrar uma transformação no seu escravo, ao fazê-lo testemunhar a violação e aparente morte de Lúcia (Debra Paget), a cristã que ele ama. Ferido na sua alma, Demétrio renega Cristo, e une-se a Messalina, como guarda romano. Mas o regresso do apóstolo Pedro (Michael Rennie) vem-lhe mostrar que Lúcia ainda vive, e Demétrio volta a lutar por Cristo na arena, num combate que acaba por provocar o assassinato de Calígula.

A ideia de “Demétrio, o Gladiador” era fácil de entender. Tratava-se de voltar a pegar no eterno embate cinematográfico entre o início do Império Romano e o Cristianismo, visto por uma figura secundária que se sacrifica em nome da nova religião, e neste caso acrescentando-lhe o imaginário dos combates de gladiadores. Como Demétrio era já cristão no início da história, havia por isso que o fazer abandonar a fé, para mais uma conversão climática.

Assim, Victor Mature (com todas as suas conhecidas limitações) tornava-se o centro do filme, e a sua fé, ou falta dela, o motivo da história. Por trás, tudo controlando, a figura de Messalina, como a mulher astuta e venenosa quanto baste (o suficiente para manipular golpes de estado e arruinar a mais sólida fé) que tudo controla. O filme torna-se um embate de vontades e crenças, onde, por um lado o demente Calígula procura a túnica sagrada como objecto mágico, e despreza os cristãos por não os compreender, e por outro Messalina vê o seu encanto feminino a arma com que qualquer fé pode ser derrotada.

Como não podia deixar de ser, o amor puro (de Demétrio por Lúcia) será o catalisador para o abrir de olhos final, que mudará o equilíbrio e precipitará o regresso de Demétrio ao Cristianismo, e um novo Império, que se crê mais justo, liderado pelo sensato Cláudio, e a sua esposa Messalina (que a tradição tornou famosa como ninfomaníaca com muitas centenas de amantes). A sequência final na arena em que Calígula é dramaticamente assassinado, se nada tem de real, é porventura a inspiração para a morte do imperador do filme “Gladiador” (Gladiator, 2000) de Ridley Scott.

Embora contendo cenas de combate muito bem encenadas, cenários luxuosos, suficiente acção, e inúmeros momentos de tensão, “Demétrio, o Gladiador” peca pelo fraco argumento, que torna os personagens (principalmente o protagonista) bonecos sem uma linha de acção credível. Susan Hayward, pelo modo como domina nas entrelinhas é a verdadeira estrela do filme, onde Jay Robinson exagera nos trejeitos com que tenta dotar o seu Calígula de uma personalidade forte.

O filme foi um estrondoso sucesso comercial, continuando a justificar a aposta de Hollywood nos grandes épicos históricos de temática bíblica.

Victor Mature e Susan Hayward

Produção:

Título original: Demetrius and the Gladiators; Produção: Twentieth Century-Fox Film Corporation; País: EUA; Ano: 1954; Duração: 96 minutos; Distribuição: Twentieth Century-Fox Film Corporation; Estreia: 16 de Junho de 1954 (EUA), 30 de Dezembro de 1954 (Portugal).

Equipa técnica:

Realização: Delmer Daves; Produção: Frank Ross; Argumento: Philip Dunne [baseado em personagens do livro “The Robe” de Lloyd C. Douglas]; Música: Franz Waxman, Alfred Newman [temas de “The Robe”]; Orquestração: Edward B. Powell; Fotografia: Milton R. Krasner [filmado em CinemaScope, cor por Technicolor]; Montagem: Dorothy Spencer, Robert Fritch; Direcção Artística: Lyle R. Wheeler, George W. Davis; Cenários: Walter M. Scott, Paul S. Fox; Guarda-roupa: Charles Le Maire; Caracterização: Ben Nye; Efeitos Visuais: Ray Kellogg; Coreografia: Stephen Papich; Director de Produção: Joseph C. Behm [não creditado].

Elenco:

Victor Mature (Demetrius), Susan Hayward (Messalina), Michael Rennie (Pedro), Debra Paget (Lúcia), Anne Bancroft (Paula), Jay Robinson (Calígula), Barry Jones (Cláudio), William Marshall (Glycon), Richard Egan (Dardanius), Ernest Borgnine (Strabo), Charles Evans (Cassius Chaerea).

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