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Sign of the PaganMarciano (Jeff Chandler), centurião romano a caminho de Constantinopla, é capturado pelos hunos, e conhece em primeira mão a força e crueldade de Átila (Jack Palance). Conseguindo fugir, Marciano completa a sua missão, que é pedir ajuda ao Imperador do Oriente, Teodósio (George Dolenz). Mas o que encontra é um Imperador disposto a negociar com os hunos, mesmo que isso implique a perda de Roma. Marciano obtém o apoio da princesa Pulquéria (Ludmilla Tchérina), e com a ajuda dela ruma a Roma, onde irá organizar a defesa da cidade, enquanto Átila já avança, numa senda vitoriosa apenas ensombrada por profecias de um novo Deus.

Análise:

Em 1954 era a vez de a Universal se estrear nos grandes épicos de fundo histórico, optando por uma história com moral religiosa, como era a tendência do momento. O produto final seria “O Sinal do Pagão”, com realização foi entregue ao famoso Douglas Sirk, que dirigiu os habituais actores de género, Jeff Chandler e Jack Palance, como protagonistas de um duelo, que o era de homens, de mentalidades, de civilizações e religiões.

A história parte de um facto concreto que muito tem estimulado a imaginação dos historiadores. A partir de 450, Átila conduziu as tribos hunas numa senda de conquista e destruição, que foi um verdadeiro terramoto na Europa. Contudo, após entrar na Itália, e se encontrar com o Papa Leão I, Átila parou os ataques, levou o seu povo de volta ao centro da Europa, e os hunos desapareceram da história. “O Sinal do Pagão” especula sobre o que terá levado Átila a parar os ataques e poupar a Itália cristã.

O filme de Douglas é essencialmente o duelo de Marciano (Jeff Chandler) e Átila (Jack Palance), e embora seja o primeiro o nome a surgir no topo dos cartazes, e afinal a figura com a qual é suposto sentirmos empatia, é Jack Pallance, com todo o seu carisma e irreverência que é a alma do filme.

Marciano é um centurião, que Valentiniano III de Roma envia para falar com Teodósio de Constantinopla, para que as duas metades do Império unam esforços face aos invasores hunos. Só que Marciano é capturado, nascendo desde logo um fascínio mútuo entre ele e Átila, ambos desprezando o outro, mas tentando com ele aprender. Marciano fugirá, mas não encontra em Teodósio o ouvido amigo que procurava. De facto Teodósio, fraco, procurando a própria sobrevivência, oferece aos hunos o Império do Ocidente, para que o seu seja poupado. É em Pulquéria (Ludmilla Tchérina, uma bailarina que tem a sua voz dobrada por uma actriz americana), irmã de Teodósio, que favorece a união do Império, que Marciano encontra a aliada pretendida. Com o seu auxílio, Marciano liberta-se de Átila uma segunda vez, e viaja para Roma, onde prepara a defesa, quando Valentiniano e a sua corte a abandonam.

Resta a Átila prosseguir as conquistas em direcção a Roma, quando começa a ser atormentado por profecias que lhe falam da sua morte sob a sombra da nova religião da cruz. Uma visão já em Itália fá-lo temer a confirmação da profecia, o que uma conversa com o papa vem dar força. Átila decide então abandonar a conquista, o que leva a entrar em litígio com os seus generais, e por fim apressar o fim que lhe tinha sido profetizado.

Sem dar grande atenção à verdade histórica (Teodósio foi um dos maiores imperadores romanos, longe do traiçoeiro e cobarde do filme, reinou num império reunido após a morte de Valentiniano II do Ocidente, em 392, e não coexistiu com Átila, que foi rei dos hunos de 434 a 453), “O Sinal do Pagão” é acima de tudo uma história de choque de civilizações. De um lado a barbárie cheia de vigor dos hunos, do outro a civilização em decadência dos romanos. Nele erguem-se dois homens, o mortífero Átila, e o leal e honrado Marciano. Ambos surgem como reflexo um do outro, oponentes, mas que se respeitam. Se Átila parece invejar a superioridade táctica e moral (religiosa) de Marciano, este inveja a sinceridade e honradez de Átila, valores em desuso no Império.

Mas será a religião, e não a força das armas ou das vontades humanas, a decidir a história. E esta é marcada pela ascensão do Cristianismo, que surge a Átila como uma assombração, que ele admira e teme em partes iguais. O filme ganha então um certo sentido místico, com Pallance a guiá-lo por entre os seus conflitos internos, que passam pela morte da filha (Rita Gam), confirmação de profecias, e o célebre encontro com o papa (Moroni Olsen), que ele considera um homem de outra estirpe.

Com espaço para feitos épicos, e uma história que apela ao sentimento religioso, como habitual nestes filmes, é o drama pessoal, que se desenrola em cenários que têm muito de espaço cénico teatral, que tudo acaba por se desenrolar. Sendo território pouco explorado pela Universal, “O Sinal do Pagão” é assim como que um épico de sentimentos mais intimistas, muito por obra da interpretação de Pallance.

Ludmilla Tchérina e Jeff Chandler

Produção:

Título original: Sign of the Pagan; Produção: Universal International Pictures; País: EUA; Ano: 1954; Duração: 88 minutos; Distribuição: Universal International Pictures; Estreia: 25 de Novembro de 1954 (Inglaterra), 26 de Abril de 1955 (Portugal).

Equipa técnica:

Realização: Douglas Sirk; Produção: Albert J. Cohen; Argumento: Oscar Brodney, Barré Lyndon [baseado numa história de Oscar Brodney]; Música: Frank Skineer, Hans J. Salter; Supervisão Musical: Joseph Gershenson; Fotografia: Russell Metty [filmado em CinemaScope, cor por Technicolor]; Montagem: Milton Carruth; Direcção Artística: Alexander Golitzen, Emrich Nicholson; Cenários: Russell A. Gausman, Oliver Emert; Figurinos: Bill Thomas; Caracterização: Bud Westmore; Coreografia: Kenny Williams.

Elenco:

Jeff Chandler (Marciano), Jack Palance (Átila), Ludmilla Tchérina (Princesa Pulquéria), Rita Gam (Kubra), Jeff Morrow (General Paulino), George Dolenz (Imperador Teodósio), Eduard Franz (Astrólogo), Allison Hayes (Ildico), Alexander Scourby (Chrysaphius), Howard Petrie (Gundahar), Michael Ansara (Edecon), Leo Gordon (Bleda), Moroni Olsen (Papa Leão I), Fred Nurney (Camareiro), Sara Shane (Myra), Pat Hogan (Sangiban), Robo Bechi (Chilothe), Charles Horvath (Olt), Glenn Thompson (Seyte), Chuck Roberson (Mirrai), Walter Coy (Imperador Valentiniano), Rusty Wescoatt (Tula), Norbert Schiller (Vidente).

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