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The Silver ChaliceBasil (Paul Newman) é um jovem artesão grego de Antioquia, fugido de casa do seu pai adoptivo, quando após a morte deste, o tio o tenta fazer passar por um escravo. Na fuga, Basil conhece Lucas (Alexander Scourby) que o leva para Jerusalém, onde José de Arimateia (Walter Hampden) o espera, para que Basil faça um cálice que envolva a taça por onde Cristo bebeu na Última Ceia. Ao mesmo tempo Basil reencontra Helena (Virginia Mayo), sua antiga amiga, que agora serve Simon, o Mágico (Jack Palance), um homem que procura ofuscar a fama de Cristo, fazendo ilusões que imitem milagres, e recrutando homens para a seita dos sicários. Por razões diferentes Simon e Basil viajam para Roma, o primeiro para se insinuar perante Nero (Jacques Aubuchon), o segundo para procurar S. Pedro (Lorne Greene), com o amor de Basil a ser disputado por Helena, e por Debora (Pier Angeli), filha de José.

Análise:

Em 1954, a Warner Bros. entrava também na produção de dramas épicos de cariz religioso, utilizando as potencialidades do ecrã panorâmico CinemaScope, e da cor da intitulada WarnerColor. O resultado seria “O Cálice de Prata”, um drama que remetia para o cálice que Jesus Cristo usara na Última Ceia, e que era aqui pretexto para mais uma história passada no Império Romano, com a ascensão do Cristianismo e os debates de fé como pano de fundo.

O filme tinha realização do inglês Victor Saville, homem que começara no mudo, na British Gaumont, para nos anos 40 emigrar para os Estados Unidos, onde acabou por não se destacar. “O Cálice de Prata” seria o último filme de Saville, e por outro lado a estreia em cinema de Paul Newman, Lorne Greene e Robert Middleton.

A história de “O Cálice de Prata” lembra a de outros filmes do género. Nela temos o drama da perseguição dos cristãos, o despotismo de Roma, a conversão do pagão de bom coração (com a ajuda de uma bela cristã), e o enredo envolvendo figuras que conheceram Cristo. Tudo isto remete imediatamente para, por exemplo, para os mais conhecidos “Quo Vadis” (1951) e “A Túnica” (The Robe, 1953).

Desta vez a trama revolve em torno da taça da Última Ceia, para a qual o antigo escravo Basil (Paul Newman) irá criar um cálice que a proteja. Esse trabalho vai fazê-lo viajar entre Antioquia, Jerusalém e Roma. Basil começa como filho adoptivo do romano Ignatius (E.G. Marshall), torna-se escultor, é vendido como escravo, foge, vem a frequentar o círculo de José de Arimateia (Walter Hampden), desposa a sua filha Debora (Pier Angeli), e acaba em Roma na companhia de S. Pedro (Lorne Greene).

Por outro lado desenvolve-se a história de Simon, o Mágico (Jack Pallance), um simples ilusionista que se faz acompanhar da bela Helena (Virginia Mayo), antiga amiga de Basil, e ainda enamorada dele. Chamado também a Jerusalém, pelo sicário Mijamin (Joseph Wiseman), Simon usa os seus truques como milagres, perante um povo crédulo em busca de um novo Messias. Vai depois para Roma, com o único propósito de desacreditar o Cristianismo, propondo-se como milagreiro de mais alto calibre, o que diverte Nero (Jacques Aubuchon).

Nem vale a pena dizer quantos erros históricos existe num filme que nunca se preocupou em ler a História. Mas o mais grave será talvez a elevação do Cristianismo (então uma seita ainda insipiente) a religião poderosa que fazia com que todos a vissem já como modelo a seguir ou destruir. Do mesmo modo, parece ridícula a forma como o personagem de Jack Pallance surge como candidato a Messias, sabendo que com alguns truques todo o povo o seguirá, numa visão caricaturalmente paternalista do povo judeu daquele tempo, demasiado conservador para seguir qualquer milagreiro sem prática assente nas escrituras.

Toda a personagem de Pallance é, aliás, caricatural, por entre manias de grandeza e ridículos esgares de maldade que fazem dele uma espécie de protótipo dos vilões dos filmes baseados em BDs. Em contraste com ele, o moderado Paul Newman (num papel que foi oferecido a James Dean) mostra-se muito pouco à vontade, num filme que mais tarde ele descreveu como o pior dos anos 50. Ao lado deles as duas estrelas femininas destacam-se de forma diferente, Virginia Mayo como uma interessante mulher fatal, e Pier Angeli como demasiado doce e insípida.

Todo o argumento é estranho, sinuoso sem motivo, e com demasiados pontos deixados por resolver. Não se entende tantas viagens geográficas, nem o porquê de todos os protagonistas estarem sempre no mesmo local, quando pouco ou nada interagiam. É um erro as histórias de Simon e Basil nunca se cruzarem. A queda na loucura de Simon parece demasiado gratuita. Não sabemos o fim de Helena. E quanto à relação entre Basil e Debora, é das menos bem conseguidas da história do cinema.

Contrariamente ao que acontecia neste género de filmes, “O Cálice de Prata” foi maioritariamente filmado em interiores, mesmo quando as cenas representam exteriores. Tal permitiu a Saville desenvolver uma estética minimalista que confere ao filme o seu principal ponto de destaque. Com cores garridas, linhas sólidas, e cenários propositadamente bidimensionais, parecemos estar quase sempre dentro de quadros abstractos, que impressionam pela limpeza e correcção de linhas, em cenários desenhados por Rolfe Gerard.

Destaque final para o cameo de uma muito jovem Natalie Wood (aqui loura) e a pedir mais tempo de ecrã.

O filme foi mal recebido por críticos e espectadores, mas ainda assim a sua banda sonora, composta pelo alemão Franz Waxman, foi nomeada para os Oscars.

The Silver Chalice

Produção:

Título original: The Silver Chalice; Produção: Victor Saville Productions / Warner Bros.; País: EUA; Ano: 1954; Duração: 135 minutos; Distribuição: Warner Bros.; Estreia: 17 de Dezembro de 1954 (EUA), 21 de Setembro de 1955 (Portugal).

Equipa técnica:

Realização: Victor Saville; Produção: Victor Saville; Produtor Associado: Lesser Samuels; Argumento: Lesser Samuels [a partir do livro de Thomas B. Costain]; Música e Direcção Musical: Franz Waxman; Orquestração: Leonid Raab; Fotografia: William V. Skall [filmado em CinemaScope, cor por WarnerColor]; Montagem: George White; Design de Produção: Rolf Gerard; Direcção Artística: Boris Leven; Cenários: Howard Bristol; Figurinos: Marjorie Best, Rolf Gerard; Caracterização: Gordon Bau; Efeitos Especiais: Louis Lichtenfield, Hans F. Koenekamp; Coreografia: Stephen Papich.

Elenco:

Virginia Mayo (Helena), Pier Angeli (Debora), Jack Palance (Simon), Paul Newman (Basil), Walter Hampden (José de Arimateia), Joseph Wiseman (Mijamin), Alexander Scourby (Lucas), Lorne Greene (Pedro), David J. Stewart (Adam), Herbert Rudley (Linus), Jacques Aubuchon (Nero), E.G. Marshall (Ignatius), Michael Pate (Aaron Ben Joseph), Natalie Wood (Jovem Helena), Peter Reynolds (Jovem Basil), Mort Marshall (Benjie), Booth Colman (Hiram), Terence de Marney (Sosthene), Robert Middleton (Idbash), Ian Wolfe (Theron), Lawrence Dobkin (Ephraim), Philip Tonge (Ohad), Albert Dekker (Kester), Beryl Machin (Eulalia), Donald Randolph (Selech).

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