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BloodlineSam Roffe, presidente de uma empresa farmacêutica morre, num acidente de alpinismo. Tal coloca a administração, feita de familiares seus, perante a tentação de vender a empresa, que ia acumulando fracassos. Mas oposta à decisão está a sua filha Elizabeth (Audrey Hepburn), que assume a presidência da empresa, com o apoio do braço direito do seu pai, Rhys Williams (Ben Gazzara). Quando se começa a suspeitar que a morte de Sam tenha sido provocada, uma série de acidentes coloca em perigo a vida de Elizabeth, que passa a desconfiar de todos os seus familiares, inclusivamente de Rhys, que entretanto ela desposou.

Análise:

Na tentativa de voltar aos thrillers de sucesso, Terence Young, famoso por alguns dos primeiros filmes da série 007, nos anos 60, adaptou ao cinema uma história do popular autor Sydney Sheldon (publicada em 1977). Filmando na Alemanha, Itália, França e Dinamarca, em cenários naturais, numa co-produção germano-norte-americana, Young tentou recriar o universo de glamour de Sheldon, de intrigas e descobertas sórdidas no mundo riquíssimo do jet set.

No papel principal estaria Audrey Hepburn (que não terá sido uma primeira escolha), regressada ao cinema enquanto se divorciava pela segunda vez, e então com 50 anos a interpretar uma personagem que foi modificada para ter 35 anos, em vez dos originais 23 que Sheldon lhe atribuíra no livro.

A história é a da morte de Sam Roffe, um empresário do mundo farmacêutico, e da herança que este deixa. Com uma companhia aparentemente à beira da falência, o conselho de administração, composto por uma série de primos e respectivos cônjuges, inclina-se para a venda, quando surge a filha de Sam, Elizabeth (Hepburn), com posição contrária. A partir de então, e após a suspeita de que Sam Roffe foi assassinado, uma série de acidentes põem em perigo a vida de Elizabeth, a qual encontra apoio em Rhys Williams (Ben Gazzara), braço direito do pai, com quem ela decide casar, para o poder fazer presidente da empresa.

Entretanto descobrimos que quase todos na família têm necessidade de dinheiro, seja por relações extra-conjugais, problemas políticos, ou despesas de jogo. Na pista do inspector Max Hornung (Gert Fröbe) está ainda um caso de assassinatos envolvendo a filmagem de snuff films. Nem mesmo Rhys está acima de suspeita, o que torna Elizabeth cada vez mais temerosa até ao desenlace final.

Depois do excelente resultado da colaboração entre Terence Young e Audrey Hepburn em “Os Olhos da Noite” (Wait until Dark, 1967), “Laços de Sangue” não pode deixar de ser uma tremenda desilusão. Com uma história que se centra na procura de um criminoso que ameaça a protagonista, o filme nunca chega a amedrontar nem a agarrar a audiência, exceptuando, talvez, na cena final, confrontando os personagens de James Mason e Ben Gazzara. Até lá temos a repetição de clichés como o carro sem travões, e o elevador que cai, já tantas vezes vistos.

Há também um nítido problema de casting, com Audrey Hepburn a não nos convencer (não nos podemos alhear do facto de estarmos a ver uma senhora de 50 anos) das razões porque toma a empresa com tal impulsividade, ou quer forçar um conto de fadas ao casar (por assumida conveniência estratégica) com Rhys. Todo o enredo do romance entre Elizabeth e Rhys é desajustado, tal como a falta de química entre os actores.

Desajustado também parece o enredo secundário do assassino dos snuff films que, para além de trazer alguma ousada nudez em cenas sado-masoquistas (que valeriam ao filme a classificação R – na altura filmes para maiores de 18 anos – o primeiro de Audrey Hepburn com tal classificação), não acrescenta nada ao filme ou às personagens.

Resta uma investigação que nos chega através de estranhas interacções de um inspector alemão com um computador que na altura poderia parecer algo extremamente avançado, e mesmo futurista, e que visto agora não passa de algo extremamente ridículo. Através dela vão-nos sendo dadas janelas para as vidas dos restantes membros da família, uma espécie de refugo de actores europeus (e não só) em decadência, desde o próprio Gert Fröbe até Romy Schneider, Omar Shariff, Irene Papas, Michelle Williams e Maurice Ronet.

Não há ligação convincente entre as várias sequências, nem uma química credível entre as personagens, com cada desfecho a parecer retirado de qualquer sub-produção série B. Nem a bonita música de Ennio Morricone, nem a sempre graciosa Audrey Hepburn (usando um guards-roupa magnífico) são razões suficientes para trazer algo de interesse a um filme que foi imediatamente esquecido após a sua estreia.

Produção:

Título original: Bloodline; Produção: Bavaria Film / NF Geria III-Produktion München; País: EUA/República Federal Alemã; Ano: 1979; Duração: 112 minutos; Distribuição: Paramount Pictures; Estreia: 29 de Junho de 1979 (EUA), 7 de Março de 1980 (Portugal).

Equipa técnica:

Realização: Terence Young; Produção: David V. Picker, Sidney Beckerman; Produtor Associado: Richard McWhorter; Argumento: Laird Koenig [baseado no livro homónimo de Sidney Sheldon]; Música: Ennio Morricone; Fotografia: Freddie Young; Montagem: Bud Molin; Design de Produção: Ted Haworth; Figurinos: Enrico Sabbatini; Caracterização: Hasso von Hugo; Efeitos Especiais: Richard Richtsfeld.

Elenco:

Audrey Hepburn (Elizabeth Roffe), Ben Gazzara (Rhys Williams), James Mason (Sir Alec Nichols), Claudia Mori (Donatella), Irene Papas (Simonetta Palazzi), Michelle Phillips (Vivian Nichols), Maurice Ronet (Charles Martin), Romy Schneider (Hélène Roffe-Martin), Omar Sharif (Ivo Palazzi), Beatrice Straight (Kate Erling), Gert Fröbe (Inspector Max Hornung).