Etiquetas

, , , , , , , , , , , , , , , ,

Dracula: Dead and Loving itO Conde Drácula (Leslie Nielsen) chama Renfield (Peter MacNicol), um solicitador inglês, à Transilvânia para finalizar a compra de uma propriedade na Inglaterra, ao mesmo tempo que o transforma num seu fiel servidor. Feita a viagem para Londres, Renfield chega enlouquecido, num barco onde toda a tripulação morre. Entretanto Drácula conhece os seus novos vizinhos, o Dr. Seward (Harvey Korman), a sua filha Mina (Amy Yasbeck), o noivo desta Jonathan Harker (Steven Weber), e a amiga dela, Lucy (Lysette Anthony). Pouco depois Lucy começa a aparentar estar anémica, sem que se detecte perda de sangue, a não ser que seja por duas marcas no pescoço. Para resolver o enigma é chamado o especialista Professor Van Helsing (Mel Brooks).

Análise:

Em 1995, Mel Brooks estreava aquele que se tornaria o seu último filme, uma paródia a Drácula, o príncipe dos vampiros, e personagem de Bram Stoker. Tal como acontecera com os seus filmes anteriores, “Robin Hood: Heróis em Collants” (Robin Hood: Men in Tights, 1993) e “A Mais Louca Odisseia no Espaço” (Spaceballs, 1987), também ele, mais que uma paródia a um género, como Brooks fizera no início da carreira, é uma paródia a filmes específicos. E também como no citado “Robin Hood: Heróis em Collants” a motivação para Brooks era o sucesso de um filme recente, naquele caso “Robin Hood: Príncipe dos Ladrões” (Robin Hood: Prince of Thieves 1991) de Kevin Reynolds e protagonizado por Kevin Costner, no caso presente, “Drácula de Bram Stoker” (Bram Stoker’s Dracula 1992) de Francis Ford Coppola, onde o imortal vampiro era interpretado por Gary Oldman.

Tal como acontecera nos dois filmes supracitados, mais que construir uma história cómica original, o argumento (onde Brooks voltava a colaborar com o seu velho amigo Rudy De Luca) aposta em seguir, passo a passo, momentos famosos, para lhe parodiar e subverter os clichés. Assim temos uma história que segue de muito perto o filme de Coppola, com um Drácula (Leslie Nielsen) que fala como Bela Lugosi (a entrada da torre abandonada onde se dá o confronto final imita o filme “Drácula” de 1931 com Lugosi), e onde se vê algum do imaginário dos filmes de Terence Fisher para Hammer (o modo como Drácula envolve Lucy na sua capa para a morder é evocativo de Christopher Lee), uma cena de dança a lembrar o famoso “Por Favor Não Me Mordam o Pescoço” (Dance of the Vampires, 1967) de Roman Polanski, e algumas referências a “Nosferatu, o Vampiro” (Nosferatu, eine Symphonie des Grauens, 1922) de F. W. Murnau (por exemplo no modo como Drácula se ergue do túmulo, ou na sequência a bordo do navio).

Mas é o filme de Coppola que serve de base a “Drácula: Morto Mas Contente!”. Assim começamos por ver Renfield (Peter MacNicol), que aqui usurpa o papel de Jonathan Harker, dirigir-se à Transilvânia, onde é acolhido com a habitual hostilidade e medo pelo povo. Segue-se a visita ao castelo (onde Drácula exibe uma cabeleira como a de Gary Oldman no filme de Coppola, que aqui é afinal um chapéu), e onde Renfield é enlouquecido, depois de atacado por duas voluptuosas vampiras.

Temos depois a viagem para Londres, e a apresentação das vítimas seguintes, onde Mina (Amy Yasbeck) é filha do Dr. Seward (Harvey Korman), algo já usado em filmes anteriores para economia de personagens. Seguem-se os ataques a Lucy (Lysette Anthony), a chamada do especialista Professor Van Helsing (Mel Brooks), o confronto com a vampira Lucy, e a sedução de Mina por Drácula, com o consequente confronto final. Quase como única novidade temos a divertida cena em que Van Helsing choca os seus estudantes durante uma autópsia, já que praticamente todas as outras cenas são retiradas de algum dos filmes citados.

Não é de espantar que, sendo uma paródia a um género, Brooks tenha escolhido como protagonista Leslie Nielsen, actor que desde a sua participação na série de TV “Police Squad” se tornou um ícone neste tipo de filmes, e o seu nome era já garantia do tipo de humor que se podia esperar. No sector feminino, Brooks repete o par de “Robin Hood”: Amy Yasbeck (no papel da heroína) e Megan Cavanagh (como a sua protectora Essie). Regressa ainda Harvey Corman, agora mais contido que nos antigos filmes de Brooks, e o próprio Brooks, o qual tem também um papel secundário, onde o seu humor provém de um sotaque carregado, dado a confusões.

Com Steven Weber como um imbecil Harker, e Peter MacNicol inesquecível como um histriónico Renfield, “Drácula: Morto Mas Contente!” agrada àqueles que apenas querem rir de clichés bem conhecidos, mas deixa a sensação que todos os gags são óbvios, e pouca imaginação ou novidade dos primeiros tempos de Brooks está agora presente. Mesmo que visualmente o filme esteja muito bem conseguido, fica sempre a ideia que tal se deve a tentar ser uma cópia perfeita de cenas e planos de outros realizadores (ou efeitos, como a entrada com cenários pintados como um filme da Hammer, e efeitos como a sombra que move sozinha, como no filme de Coppola). Com o proliferar das chamadas spoofs, desde o advento da tripla ZAZ (David Zucker, Jim Abrahams e Jerry Zucker), o género parecia gasto, e Brooks, outrora um inovador, limitava-se agora a seguir fórmulas usadas, o que em nada belisca o talento de Nielsen.

Apesar da má recepção da crítica, “Drácula: Morto Mas Contente!” tornou-se, como vinha sucedendo com os filmes de Mel Brooks, alvo de culto por parte dos seus fãs.

Produção:

Título original: Dracula: Dead and Loving It; Produção: Castle Rock Entertainment / Gaumont / Brooksfilms; Produtor Executivo: Peter Schindler; País: EUA; Ano: 1995; Duração: 89 minutos; Distribuição: Columbia Pictures / Castle Rock Entertainment; Estreia: 22 de Novembro de 1995 (EUA), 5 de Julho de 1996 (Portugal).

Equipa técnica:

Realização: Mel Brooks; Produção: Mel Brooks; Produtor Associado: Robert Latham Brown, Leah Zappy; Argumento: Mel Brooks, Rudy De Luca, Steve Haberman; História: Rudy De Luca, Steve Haberman [a partir de personagens de Bram Stoker]; Música: Hummie Mann; Orquestração: Brad Dechter, Frank Bennett, Don Nemitz; Fotografia: Michael D. O’Shea [filmado em Panavision, cor por Technicolor]; Montagem: Adam Weiss; Design de Produção: Roy Forge Smith; Direcção Artística: Bruce Robert Hill; Cenários: Jan Pascale; Figurinos: Dodie Shepard; Caracterização: Todd A. McIntosh; Efeitos Especiais: Richard Ratliff; Coreografia: Alan Johnson; Efeitos Visuais: Mike Shea; Direcção de Produção: Robert Latham Brown.

Elenco:

Leslie Nielsen (Dracula), Peter MacNicol (Renfield), Steven Weber (Jonathan Harker), Amy Yasbeck (Mina Seward), Lysette Anthony (Lucy), Harvey Korman (Dr. Seward), Mel Brooks (Professor Van Helsing), Mark Blankfield (Martin), Megan Cavanagh (Essie), Clive Revill (Sykes), Chuck McCann (Innkeeper), Avery Schreiber (Viajante na Carruagem), Cherie Franklin (Viajante na Carruagem), Ezio Greggio (Cocheiro), Matthew Porretta (Tenente no Baile), Rudy De Luca (Guarda), Jennifer Foley (Enfermeira), Darla Haun (Vampira Morena), Karen Roe (Vampira Loura), Charlie Callas (Homem Colete de Forças), Gregg Binkley (Woodbridge), Anne Bancroft (Cigana).

Anúncios