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Robin Hood: Men in TightsDepois de lutar nas cruzadas, Robin de Loxley (Cary Elwes) volta a Inglaterra para a ver tiranizada pela opressão do Príncipe João (Richard Lewis) e do seu adjunto, o xerife de Rottingham (Roger Rees). Após salvar Ahchoo (Dave Chappelle) dos guardas de Rottingham, Robin vai reunir um grupo de homens fiéis que incluem o cego Blinkin (Mark Blankfield), João Pequeno (Eric Allan Kramer) e Will Scarlet O’Hara (Matthew Porretta) para desafiar o Príncipe. Enquanto isso, Robin vai apaixonar-se por Lady Marian (Amy Yasbeck), a qual, por sua vez, é cortejada por Rottingham, e atormentada por um cinto de castidade cuja chave se terá perdido.

Análise:

A ideia para uma paródia à lenda de Robin Hood, e aos clichés dos filmes de aventuras, existia já há algumas décadas, quando Mel Brooks lançou, na TV a série “When Things Were Rotten” em 1975. Mas a ideia não resultou, e só voltou a ser recordada depois do enorme sucesso comercial de “Robin Hood: Príncipe dos Ladrões” (Robin Hood: Prince of Thieves 1991) de Kevin Reynolds, protagonizado por Kevin Costner.

Por isso o filme de Brooks bebe imenso no filme de Reynolds (toda a introdução com a chegada das cruzadas, bem como o casamento final, e os personagens de Ahchoo, o xerife e a bruxa são tirados do filme de Reynolds), mas também no clássico “As Aventuras de Robin dos Bosques” (The Adventures of Robin Hood, 1938) de Michael Curtiz, interpretado por Errol Flynn (por exemplo no modo alegre de Robin e na sequência em que este irrompe pelo castelo durante o banquete).

É também o filme de Brooks em que este mais se aproxima do musical clássico, com vários personagens a cantar as suas partes (com Debbie James e Arthur Rubin a dobrar as vozes de Amy Yasbeck e Cary Elwes), em vez de incluir apenas secções musicais separadas da história principal, como noutros filmes seus.

Quanto à história, segue a que conhecemos, com os devidos desvios cómicos. Robin de Loxley (Cary Elwes) luta nas cruzadas, sendo capturado, mas conseguindo escapar, nadando da Palestina à Inglaterra. Aí consegue imediatamente salvar o negro Ahchoo (Dave Chappelle na sua estreia no grande ecrã) de um grupo de guardas, descobrir que o seu castelo de família foi (literalmente) confiscado, sobrando apenas o seu servo cego Blinkin (Mark Blankfield), e de seguida dar uma tareia no xerife de Rottingham (Roger Rees). Após juntar ao seu grupo o matulão João Pequeno (Eric Allan Kramer) e o especialista com facas Will Scarlet O’Hara (Matthew Porretta), Robin vai até ao palácio, invadindo um banquete dado pelo Príncipe João (Richard Lewis), e onde conhece Maid Marian (Amy Yasbeck), por quem se apaixona.

Segue-se o tradicional recrutamento e treino de homens, a chegada do rabino Tuckman (Mel Brooks), e o torneio de arco e flecha que serve para atrair Robin ao palácio. Robin vence o torneio e é preso, tendo Marian que aceitar casar com o xerife para que Robin seja poupado ao enforcamento. Mas nem um nem outro acontecem, pois os homens de Robin chegam a tempo de o salvar, e no processo Robin trespassa o xerife com a sua espada, o qual só não morre porque aceita casar com a bruxa Latrine (Tracey Ullman) em troca da cura. Segue-se o casamento de Robin e Marian, já com o rei Ricardo (Patrick Stewart) presente. Falta apenas consumar o casamento, tendo Robin a chave para o cinto de castidade de Marian… ou não.

Assim, seguindo os passos conhecidos de uma história imortal, Mel Brooks limita-se a parodiar clichés, um por um, à medida que estes vão surgindo. O primeiro é, claro, as calças apertadas medievais, que dão título ao filme, e proporcionam algumas piadas e canções hilariantes. A isto junta-se a ridicularização dos personagens dos vilões, os habituais trocadilhos com palavras yiddish, de um rabino que quer circuncisar toda a gente, e as piadas sexuais referentes à castidade (forçada) de Marian. Desta vez, além da paródia ao anti-semitismo, temos ainda a paródia ao racismo, com o personagem de Ahchoo, que é aliás motivo para a entrada do rap (bem como a prosódia e gesticulação típica dos afro-americanos) num filme de Brooks.

Não faltam referências a outros filmes, como a “O Padrinho” (The Godfather, 1972), com Dom DeLuise a imitar Marlon Brando. Finalmente a referências a filmes anteriores (onde regressa a linha “It’s good to be the king”, ou o tradicional “walk this way”) e as habituais quebras da quarta parede, quer com personagens a dirigirem-se ao público, quer pela interacção inusitada com a equipa de filmagens, quer pelo já conhecido gag da câmara que parte janelas durante um travelling de aproximação. Outro exemplo é o do sinal no rosto do Príncipe João, que continuamente mudava de localização, numa clara alusão à corcunda do personagem de Marty Feldman em “Frankenstein Júnior” (Young Frankenstein, 1974).

No que toca às interpretações, Cary Elwes é perfeito no papel do pateta alegre, um herói com tanto de confiante como de ridículo, bem secundado por Roger Rees e Amy Yasbeck, num elenco que, além de Brooks, contém alguns dos seus actores de sempre, como o já citado Dom DeLuise, Dick Van Patten (o bispo) e Rudy De Luca (convidado no banquete).

O filme foi criticado por ser previsível, numa altura em que o spoof era uma fórmula já gasta (com o aparecimento da tripla ZAZ (David Zucker, Jim Abrahams e Jerry Zucker) nos anos 80, e uma enorme quantidade de filmes derivativos que se seguiu). As piadas ao género, embora bem conseguidas, são óbvias e por vezes repetidas, mesmo na obra de Books. Ainda assim, o filme foi um sucesso junto do público.

Produção:

Título original: Robin Hood: Men in Tights; Produção: Brooksfilms / Gaumont; Produtor Executivo: Peter Schindler; País: EUA; Ano: 1993; Duração: 104 minutos; Distribuição: Twentieth Century-Fox Film Corporation; Estreia: 28 de Julho de 1993 (EUA), 17 de Junho de 1994 (Portugal).

Equipa técnica:

Realização: Mel Brooks; Produção: Mel Brooks; Produtor Associado: Evan Chandler; Argumento: Mel Brooks, Evan Chandler, J. D. Shapiro; História: J. D. Shapiro, Evan Chandler; Música: Hummie Mann; Orquestração: Brad Dechter, Frank Bennett, Don Nemitz; Fotografia: Michael D. O’Shea [filmado em Panavision, cor por DeLuxe]; Montagem: Stephen E. Rivkin; Design de Produção: Roy Forge Smith; Direcção Artística: Stephen Myles Berger; Cenários: Ronald R. Reiss; Figurinos: Dodie Shepard; Caracterização: Bari Dreiband-Burman; Efeitos Especiais: Richard Ratliff; Efeitos Visuais: Mat Beck; Coreografia: Cindy Montoya-Picker; Direcção de Produção: Robert Latham Brown.

Elenco:

Cary Elwes (Robin Hood), Richard Lewis (Príncipe John), Roger Rees (Xerife de Rottingham), Amy Yasbeck (Marian), Mark Blankfield (Blinkin), Dave Chappelle (Ahchoo), Isaac Hayes (Asneeze), Megan Cavanagh (Broomhilde), Eric Allan Kramer (João Pequeno), Matthew Porretta (Will Scarlet O’Hara), Tracey Ullman (Latrine), Patrick Stewart (King Richard), Dom DeLuise (Don Giovanni), Dick Van Patten (The Abbot), Robert Ridgely (The Hangman), Mel Brooks (Rabbi Tuckman), Steve Tancora (Filthy Luca), Joe Dimmick (Dirty Ezio), Avery Schreiber (Colector de Impostos), Chuck McCann (Aldeão), Brian George (Dungeon Maitre D’ das Masmorras), Zitto Kazann (Guarda Sarraceno), Richard Assad (Assistant Saracen Guard), Corbin Allred (Rapaz).

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