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Life StinksGoddard Bolt (Mel Brooks) é um empresário de sucesso, um dos homens mais ricos do mundo, que não olha a meios para aumentar o seu poder, não se importando com que vidas isso vai destruir. Um dia, competindo com o seu rival Vance Crasswell (Jeffrey Tambor), por um subúrbio pobre de Los Angeles é-lhe sugerida por Crasswell uma aposta. Se Bolt viver nas ruas daquele subúrbio durante 30 dias sem fazer uso do seu nome ou das comodidades do seu estatuto, o subúrbio será seu. Bolt aceita e vai provar as agruras de ser sem-abrigo numa área violenta, e onde a compaixão vem do velho Sailor (Howard Morris) do bêbedo Fumes (Teddy Wilson) e da louca Molly (Lesley Ann Warren).

Análise:

Goddard Bolt (Mel Brooks) é um empresário de sucesso, um dos homens mais ricos do mundo, que não olha a meios para aumentar o seu poder, não se importando com que vidas isso vai destruir. Um dia, competindo com o seu rival Vance Crasswell (Jeffrey Tambor), por um subúrbio pobre de Los Angeles é-lhe sugerida por Crasswell uma aposta. Se Bolt viver nas ruas daquele subúrbio durante 30 dias sem fazer uso do seu nome ou das comodidades do seu dinheiro e estatuto, o subúrbio será seu. Bolt aceita e vai provar as agruras de ser sem abrigo numa área violenta, e onde a compaixão vem do velho meio senil Sailor (Howard Morris) do bêbedo Fumes (Theodore Wilson) e da louca Molly (Lesley Ann Warren).

Em 1991 Mel Brooks arrepiou caminho e deixou a fórmula confortável das paródias surreais a géneros cinematográficos, fazendo uma comédia dramática, com uma história original, como já não fazia desde os seus dois primeiros filmes “O Falhado Amoroso” (The Producers, 1968) e “Balbúrdia no Leste” (The Twelve Chairs, 1970). De novo acompanhado de Rudy De Luca na equipa de escrita, agora aumentada de Steve Haberman, Brooks voltou a produzir, através da sua Brooksfilms, para voltar a ser distribuído pela MGM. O resultado foi “Porca de Vida”, no qual Brooks foi protagonista, o que aconteceria pela última vez nos seus filmes.

Muitas são as referências onde se tem buscado influência para “Porca de Vida”. Por um lado está a troca de identidade, que leva um milionário a viver como pobre, evocativa de “O Príncipe e o Pobre” de Mark Twain, levada à comédia cinematográfica no sucesso dos anos 80 “Os Ricos e os Pobres” (Trading Places 1983) de John Landis, com Eddie Murphy e Dan Ackroyd. Filmes como “Doidos Milionários” (My Man Godfrey, 1936) de Gregory La Cava e “A Quimera do Riso” (Sullivan’s Travels, 1941) de Preston Sturges lidam também com a premissa de alguém que se faz passar por pobre, mas será talvez em Chaplin que encontraremos uma maior inspiração para o filme de Brooks. Tal como em Chaplin, também “Porca de Vida” é um filme que vive do burlesco de situações risíveis, para nos tentar trazer um olhar humano e cândido sobre uma realidade dolorosa, e que a rir conseguimos compreender melhor.

“Porca de Vida” mostra-nos o multimilionário sem escrúpulos Goddard Bolt (Mel Brooks), que tudo quer comprar e que em tudo investe, mesmo que ao transformar o mundo em seu proveito esteja a destruir a ecologia e a desalojar desprivilegiados. Quando Bolt se vê em competição com o seu rival Vance Crasswell (Jeffrey Tambor) por um subúrbio pobre de Los Angeles, vê-se arrastado para uma singular aposta em que o vencedor receberá do outro a sua metade da propriedade. A aposta dita que Bolt tenha que viver nas ruas daquele subúrbio durante trinta dias, sem quaisquer comodidades providas do seu dinheiro ou nome.

Bolt aceita e vê-se a viver na rua, sem dinheiro, dormindo em caixas de cartão, comendo do lixo, ou na sopa dos pobres. Uma série de infortúnios fazem-no ser acompanhado pelo velho e senil Sailor (Howard Morris), o bêbedo Fumes (Theodore Wilson), e a louca Molly (Lesley Ann Warren), por quem Bolt (agora chamado Pepto) passa a nutrir uma genuína simpatia. Terminados os trinta dias, Bolt venceu a aposta, para perceber que os seus advogados o traíram e o declararam louco, com toda a sua propriedade a ser vendida em leilão. De novo nas ruas, Bolt quase enlouquece, sendo Molly a trazer-lhe de novo a vontade de lutar. É durante o lançamento da primeira pedra da requalificação da área que Bolt disputou, e agora pertence de Crasswell, que Bolt decide lutar pelos sem-abrigo que são agora a sua gente, e juntos conseguem fazer Crasswell confessar como enganou Bolt, que assim recupera a fortuna e desposa Molly.

Com um pé entre o burlesco e outro num romantismo dramático, Brooks tem o mérito de tentar novos caminhos (principalmente porque se aventura como protagonista), mas nesses ele sucumbe sob o peso de tantas referências passadas. Talvez a transição súbita de Bolt (crápula num momento, humanista no seguinte) não ajude, num filme onde a subtileza nunca é um dos objectivos. Sente-se por isso um certo colar a estereótipos, onde não há muito de novo a dizer. De tudo, o mais admirável é, sem dúvida, a interpretação de Lesley Ann Warren, visceral e intensa, a todos os níveis perfeita. Ainda assim Brooks consegue alguns momentos inspirados, como a discussão com outro sem-abrigo (Rudy De Luca) sobre quem é o maior milionário, ou a sequência de dança com Leslie Ann Warren, que consegue ser cândida e sincera.

Desiludindo os fãs de Mel Brooks, que esperavam mais um spoof de tiradas patéticas, e os restantes que não viam no filme um par para as antigas comédias dramáticas a que ele se queria equiparar, “Porca de Vida” foi um fracasso tanto junto do público como da crítica. Ciente disso, Brooks voltou a arrepiar caminho e os seus filmes seguintes seriam de novo os esperados spoofs. Mas a desilusão de não ter conseguido fazer algo diferente iria precipitar o fim da sua carreira.

Produção:

Título original: Life Stinks; Produção: Brooksfilms / MGM-Pathé Communications Co.; Produtor Executivo: Ezra Swerdlow; País: EUA; Ano: 1991; Duração: 92 minutos; Distribuição: Metro-Goldwyn-Mayer (MGM); Estreia: 15 de Maio de 1991 (Festival de Cannes, França), 26 de Julho de 1991 (EUA), 6 de Dezembro de 1991 (Portugal).

Equipa técnica:

Realização: Mel Brooks; Produção: Mel Brooks; Produtor Associado: Kim Kurumada; Argumento: Mel Brooks, Rudy De Luca, Steve Haberman; História: Mel Brooks, Ron Clark, Rudy De Luca, Steve Haberman; Música: John Morris; Orquestração: Jack Hayes, Ralph Burns [Dança]; Fotografia: Steven Poster [filmado em Panavision, cor por DeLuxe]; Montagem: David Rawlins; Design de Produção: Peter S. Larkin; Direcção Artística: Josan F. Russo; Cenários: Marvin March; Figurinos: Mary Malin; Caracterização: Fred C. Blau Jr.; Efeitos Especiais: Dave Kelsey, Ray Robinson, Curtis Decker; Coreografia: Jeffrey Hornaday; Direcção de Produção: Kim Kurumada.

Elenco:

Mel Brooks (Goddard Bolt), Lesley Ann Warren (Molly), Jeffrey Tambor (Vance Crasswell), Stuart Pankin (Pritchard), Howard Morris (Sailor), Rudy De Luca (J. Paul Getty), Teddy Wilson (Fumes), Michael Ensign (Knowles), Matthew Faison (Stevens), Billy Barty (Willy), Brian Thompson (Mean Victor), Raymond O’Connor (Yo), Carmine Caridi (Flophouse Owner), Sammy Shore (Reverendo no Casamento), Frank Roman (Interprete Espanhol).

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