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SpaceballsNo planeta Druidia, o rei Roland (Dick Van Patten) tenta forçar a sua filha, a princesa Vespa (Daphne Zuniga), a casar com o príncipe Valium (Jim J. Bullock), o que a leva a fugir. Só que na fuga, Vespa é perseguida pelos Spaceballs, liderados pelo malvado Dark Helmett (Rick Moranis), que a querem trocar pelo ar do planeta Druidia. Para a salvar chega o aventureiro Lone Starr (Bill Pullman) e o seu fiel mog (metade homem metade cão) Barf (John Candy). A fuga leva-os para o deserto da lua de Vega, onde Starr aprende os segredos da Schwartz com o místico Yogurt (Mel Brooks).

Análise:

Depois de um interregno de seis anos (o seu maior até então), Mel Brooks voltava a estrear um filme, mantendo-se fiel àquilo que o tornara famoso, a paródia a géneros de cinema. Desta vez o alvo seria a ficção científica, mais concretamente “A Guerra das Estrelas” (Star Wars, 1977) de George Lucas. Diz-se que Brooks falou mesmo com Lucas, que o autorizou a fazer uma paródia sem limites, na condição de não vender merchandise inspirado pelo filme, algo que motivaria um dos gags recorrentes do filme.

Quem sabe se inspirado pelo final do seu filme anterior, em que falava de uma futura saga espacial chamada “Jews in Space” (e cuja música foi aproveitada para o novo filme), este chamou-se “Spaceballs” ou “A Mais Louca Odisseia no Espaço”, que Brooks produziu através da sua Brooksfilms para a MGM. Foi também o seu maior orçamento de sempre, numa nova era em que contou já com um elenco renovado (ainda que Randy De Luca e Dom DeLuise tenham cameos não creditados, e quase imperceptíveis, o segundo como a voz de Pizza the Hut). Da velha equipa de Brooks ficava o compositor John Morris, cuja banda sonora é ela própria uma paródia à de John Williams para a saga de George Lucas.

Com uma história baseada nos lugares comuns das comédias românticas, Brooks passeia o seu filme pelo enredo da saga “Star Wars”, com muitos personagens e situações a surgirem como referência directa aos desses filmes. Assim temos a princesa Vespa (Daphne Zuniga), cujo penteado excêntrico são afinal auscultadores, que, acompanhada pela droid Dot (Lorene Yarnell Jansson, com voz de Joan Rivers), foge do casamento com o aborrecido príncipe Valium (Jim J. Bullock), no planeta Druidia, governado pelo seu pai, o rei Roland (Dick Van Patten). Quem se aproveita disso são os Spaceballs, comandados pelo terrível Dark Helmett (Rick Moranis), que a querem raptar para a trocar pelo ar do planeta Druidia.

Ao ver-se chantageado, o rei Roland chama o herói Lone Starr (Bill Pullman) e o seu fiel mog (metade homem metade cão) Barf (John Candy), que salvam a princesa, para se despenharem numa lua de Vega. Aí, e após o habitual confronto entre Vespa e Starr, que inicialmente se odeiam, o quarteto é salvo pelos dinks (seres do deserto) que os levam ao místico Yogurt (Mel Brooks), que ensina Starr a usar os poderes de uma força secreta, a Schwartz.

Segue-se o rapto da princesa pelos Spaceballs, e o salvamento por Starr, que consegue no processo destruir a nave Spaceball 1, com Helmett e o presidente Skroob (de novo Brooks) a bordo. Finalmente Starr descobre que também ele é um príncipe, e salva Vespa do casamento com Valium, pedindo ele a sua mão.

Foi decisão de Brooks manter-se o mais possível próximo da história de “Star Wars”, parodiando-a e satirizando alguns dos seus elementos (demasiados para serem aqui enumerados). Tal deixou ainda espaço para curtas referências a outras franchises: “Star Trek” pelo teleporte, “Aliens” pela erupção do monstro do ventre de John Hurt, “Planet of the Apes” pelos restos da Estátua da Liberdade.

A nível de actores destaca-se (além dos dois papéis do próprio Brooks), Rick Moranis, cuja ridicularização de Darth Vader é inesquecível. Menos carismáticas são as prestações de Bill Pulman e Daphne Zuniga nos papéis românticos, ou mesmo a de John Candy no meio-humano Barf. Destaque ainda para o cameo de Michael Winslow, famoso pelos efeitos sonoros que produz e que, segundo Mel Brooks, lhes poupou 1000 dólares.

O que resta é um carrossel de situações ridículas, em que tudo no espaço nos é dado a parecer como infantil e artesanal, desde uma nave que se transforma em mulher com aspirador, ao “jamming” (bloqueamento) das comunicações que se reflecte em atirar geleia (jam) para as antenas. Como sempre, o humor de Brooks tem aspectos inspirados, mas cai muitas vezes na vulgaridade de piadas sexuais, e sempre com muitos trocadilhos em yiddish, mostrando a sua necessidade de fazer piadas com os judeus, como forma de satirizar o anti-semitismo. Exemplo são as constantes referência à princesa Vespa como “druish” (do planeta Druidia) que os personagens entendem como “jewish” (judia).

No centro dessas piadas está o conceito de Schwartz (a “Força” de Star Wars), que parece provir do yiddishSchwanz“, que significa “cauda”, mas que no calão do yiddish alemão é usado para significar “pénis” (note-se como Helmett e Starr usam os sabres laser como falos, e Helmett refere que “a tua Schwartz é maior que a minha”.

Pelo lado da inovação, as piadas mais bem sucedidas serão principalmente o merchandise ao próprio filme que os personagens vendem e ostentam nalguns momentos do filme, e o uso da cassete vídeo, à venda antes do filme acabar, e que ajuda os personagens a saber o que vai acontecer a seguir. Estávamos no período do reinado do VHS, e Brooks quase profetizava o que veio a acontecer, “A Mais Louca Odisseia no Espaço” tornou-se mesmo um fenómeno de culto nos clubes de vídeo, quando no cinema teve resultados decepcionantes.

Do lado da crítica, o filme não foi bem recebido, já que o seu humor é muito inconstante, nele encontrando-se o que de melhor e pior Mel Brooks sabe fazer. Ainda assim, como paródia de Star Wars, “A Mais Louca Odisseia no Espaço” mantém-se como uma referência para boa parte do público.

Se bem que no próprio filme se parodia a existência de uma possível sequela, “Spaceballs II: The Search for More Money”, esta nunca viria a acontecer. Diz-se, no entanto, que Rick Moranis tentou junto de Brooks arrancar com o projecto “Spaceballs III: The Search for Spaceballs II”, o qual nunca arrancou. Só em 2008 o filme de Brooks ganharia sucessores, com a série de TV “Spaceballs: The Animated Series” que foi transmitida entre 2008 e 2009.

Produção:

Título original: Spaceballs; Produção: Brooksfilms / Metro-Goldwyn-Mayer (MGM); País: EUA; Ano: 1987; Duração: 92 minutos; Distribuição: Metro-Goldwyn-Mayer (MGM); Estreia: 24 de Junho de 1987 (EUA), 31 de Outubro de 1987 (Portugal).

Equipa técnica:

Realização: Mel Brooks; Produção: Mel Brooks; Co-Produção: Ezra Swerdlow; Argumento: Mel Brooks, Thomas Meehan, Ronny Graham; Música: John Morris; Orquestração: Jack Hayes; Fotografia: Nick McLean [filmado em Panavision, cor por Metrocolor]; Montagem: Conrad Buff IV; Design de Produção: Terence Marsh; Direcção Artística: Harold Michelson; Cenários: John Franco Jr.; Figurinos: Donfeld; Caracterização: Ben Nye Jr.; Efeitos Especiais: Peter Albiez; Efeitos Visuais: Peter Donen; Direcção de Produção: Robert Latham Brown.

Elenco:

Mel Brooks (Presidente Skroob / Yogurt), John Candy (Barf), Rick Moranis (Dark Helmet), Bill Pullman (Lone Starr), Daphne Zuniga (Princesa Vespa), Dick Van Patten (Rei Roland), George Wyner (Coronel Sandurz), Michael Winslow (Técnico de Radar), Joan Rivers (Dot Matrix (voz)), Lorene Yarnell Jansson (Dot Matrix), John Hurt, Sal Viscuso (Operador de Rádio), Ronny Graham (Padre), Jim J. Bullock (Príncipe Valium), Leslie Bevis (Commanderette Zircon).