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Silent MovieUm realizador de carreira desfeita, Mel Funn (Mel Brooks) planeia o regresso, com os seus amigos Marty Eggs (Marty Feldman) e Dom Bell (Dom DeLuise), convencendo o dono da Big Picture Studios (Sid Caesar) que a solução para salvarem o estúdio é a produção de um filme mudo. Para tal tentam recrutar os préstimos de estrelas como Burt Reynolds, James Caan, Liza Minelli, Anne Bancroft, Marcel Marceau e Paul Newman. Quem não está contente é a firma Engulf (Harold Gould) & Devour (Ron Carey), que esperavam o fracasso da Big Picture Studios para a comprarem. Para frustrar os planos de Funn, enviam-lhe, para o seduzir, a sensual cantora de cabaret, Vilma Kaplan (Bernadette Peters).

Análise:

Continuando a explorar a paródia a géneros consagrados do cinema, Mel Brooks tentava, com o seu quinto filme, recuperar as velhinhas comédias burlescas da era muda. É esse o tema de “A Última Loucura” (infeliz nome português do apropriadamente intitulado “Silent Movie” – Filme Mudo), um filme mudo cujo tema é a produção de um filme mudo.

Como principal novidade (se não contarmos o facto de que fazer um filme inteiramente mudo em 1976 é já por si uma novidade absoluta) temos o próprio Brooks no papel principal, algo que ele evitara nos seus filmes anteriores (onde apenas aparecera nalguns cameos, e em dobragens de voz). Com ele, numa história co-escrita pelo próprio, estão alguns dos seus parceiros habituais, como Marty Feldman e Dom DeLuise, e a estreante (em filmes de Brooks) Bernardette Peters no papel habitualmente entregue a Madeline Kahn. A produção continuava a cargo da Crossbow Productions de Michael Hertzberg, e na música sempre o compositor John Morris.

Como o nome (original) indica, temos um filme mudo (para além dos muitos efeitos sonoros, incluídos por motivos cómicos, e onde a única fala é de Marcel Marceau, o mimo francês, famoso por nunca falar) cujo tema é a produção de um filme mudo. Tal é a ideia de Mel Funn (Mel Brooks) um realizador caído em desgraça, que procura o seu regresso em grande. Com ele estão os seus fiéis Marty Eggs (Marty Feldman) e Dom Bell (Dom DeLuise), e juntos conseguem convencer o chefe do estúdio Big Picture Studios (Sid Caesar), que este será o filme que salvará a companhia de ser comprada pela Engulf (Harold Gould) & Devour (Ron Carey).

A estratégia de Funn passa por contratar grandes estrelas, o que consegue nas pessoas de Burt Reynolds, James Caan, Liza Minelli, Anne Bancroft, Marcel Marceau e Paul Newman (todos interpretados pelos próprios), mas sem que ele o saiba, do outro lado a Engulf & Devour (referência à Gulf+Western que tinha já comprado a Paramount Pictures) prepara a sua ruína. Primeiro enviam-lhe, para o seduzir e abandonar, a cantora Vilma Kaplan (Bernadette Peters). Como isso não resulta, resta-lhes roubar a própria película.

Comédia acelerada (no verdadeiro sentido do termo), “A Última Loucura” é não só um filme mudo, não só uma homenagem à comédia muda das décadas de 1910 e 1920 de Hollywood, mas também ele próprio uma comédia integrada nesse género. Começando logo pelo próprio Mel Brooks, o filme é interpretado com a gesticulação exagerada do tempo que homenageia, o movimento acelerado típico do burlesco, com o seu humor físico de quedas, perseguições e atrapalhação. Nesse sentido, a história é pouco importante, já que o humor reside na construção de inúmeros gags visuais, geralmente absurdos, quase todos curtíssimos, e que muitas vezes surgem como apontamentos marginais aos próprios heróis (a comida picante, o cego e os cães, a clínica geriátrica, a sneak preview, etc.). Quanto aos heróis, são como personagens tipo, numa tripla que funciona como um apenas, onde Mel é o cérebro e a vontade, e os seus parceiros apenas extensões cómicas, Marty com o humor físico desconcertante, Dom com a pose e propensão para a comida.

Destaque ainda para os actores célebres que se interpretam a si próprios. Burt Reynolds, James Caan, Liza Minelli, Anne Bancroft, Marcel Marceau e Paul Newman têm, cada um, uma sequência, de confronto com o trio de protagonistas onde, de certa forma exacerbam clichés associados às suas personas de ecrã. Por exemplo, Reynolds como galã, Cann como duro e Newman como piloto de automóveis de corrida.

No cômputo geral, com uma realização inteligente, brilhante direcção de actores, sequências rápidas e muitos gags imaginativos, alguns dos quais fazendo uso dos efeitos sonoros (por exemplo quando a orquestra se apercebe que está a tocar “San Francisco” durante uma imagem panorâmica de Nova Iorque, mudando à pressa para “I’ll Take Manhattan”), ainda que com uma história fraca e derivativa, “A Última Loucura” traz uma lufada de ar fresco à comédia, ajudando a firmar Mel Brooks como um dos mais criativos comediantes do seu tempo.

“A Última Loucura” foi nomeado para cinco Globos de Ouro, não tendo, no entanto ganho nenhum.

Produção:

Título original: Silent Movie; Produção: Crossbow Productions; País: EUA; Ano: 1976; Duração: 87 minutos; Distribuição: Twentieth Century-Fox Film Corporation; Estreia: 16 de Junho de 1976 (EUA), 12 de Maio de 1977 (Portugal).

Equipa técnica:

Realização: Mel Brooks; Produção: Michael Hertzberg; Argumento: Mel Brooks, Ron Clark, Rudy De Luca, Barry Levinson; História: Ron Clark; Música: John Morris; Orquestração: Billy Byers, John Morris; Direcção de Orquestra: Lionel Newman; Fotografia: Paul Lohmann [filmado em Panavision, cor por DeLuxe]; Montagem: John C. Howard, Stanford C. Allen; Design de Produção: Albert Brenner; Cenários: Rick Simpson; Figurinos: Patricia Norris; Caracterização: William Tuttle; Efeitos Especiais: Ira Anderson Jr.; Coreografia: Rob Iscrove; Direcção de Produção: Frank Baur.

Elenco:

Mel Brooks (Mel Funn), Marty Feldman (Marty Eggs), Dom DeLuise (Dom Bell), Sid Caesar (Chefe do Estúdio), Harold Gould (Engulf), Ron Carey (Devour), Bernadette Peters (Vilma Kaplan), Burt Reynolds (Burt Reynolds), James Caan (James Caan), Liza Minnelli (Liza Minnelli), Anne Bancroft (Anne Bancroft), Marcel Marceau (Marcel Marceau), Paul Newman (Paul Newman), Carol Arthur (Senhora Grávida), Liam Dunn (Vendedor de Jornais), Fritz Feld (Empregado do Restaurante), Chuck McCann (Guarda do Portão), Valerie Curtin (Enfermeira), Yvonne Wilder (Secretária), Harry Ritz (Homem no Alfaiate), Charlie Callas (Cego).

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