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Young FrankensteinO Dr. Frederick Fronkensteen (Gene Wilder) é um cientista, descendente do infame Barão Victor Frankenstein, cujas experiências ele abomina. Mas ao ser notificado de ter recebido em herança o velho castelo de família, Fronkensteen deixa para trás a noiva Elizabeth (Madeline Kahn) e viaja até à Transilvânia, onde conhece uma série de personagens sinistros desde a governanta Frau Blücher (Cloris Leachman) ao criado corcunda, Igor (Marty Feldman). Juntamente com a assistente Inga (Teri Garr), Fronkensteen vai assumir a sua herança, e acreditar trazer a bom porto o trabalho iniciado pelo seu antecessor, voltando a dar vida a um monstro (Peter Boyle).

Análise:

Depois dos westerns, Mel Brooks dedicou o seu filme seguinte a parodiar os filmes de terror clássico, nomeadamente a série Frankenstein, criada nos anos 30 pela Universal. Desta vez tudo começou a partir de uma ideia de Gene Wilder que foi co-argumentista, tendo convencido Brooks a fazer este filme aquando das filmagens de “Balbúrdia no Oeste” (Blazing Saddles, 1974). Brooks voltava a contar com os seus regulares Wilder, Madeline Kahn e Kenneth Mars, agora acrescentados de Marty Feldman e Peter Boyle. O compositor era, como sempre, John Morris.

A história não podia ser mais tradicional, mostrando-nos o Dr. Frederick Fronkensteen (Gene Wilder), descendente do infame Barão Victor Frankenstein, mas procurando distância desse passado que despreza. Ao ganhar, em herança, o castelo de família na Transilvânia, Frokensteen viaja para se apossar da propriedade, sendo recebido por figuras tão ímpares como a sua nova assistente Inga (Teri Garr), o criado corcunda, Igor (Marty Feldman) e a governanta Frau Blücher (Cloris Leachman). Cedo o espírito do castelo começa a fascinar Fronkensteen, que ao descobrir os escritos de Frankenstein decide ele próprio continuar as experiências de reavivar tecidos mortos.

Para tal, Fronkensteen e Igor desenterram um cadáver, para o qual é transplantado um novo cérebro, e o ser assim criado (Peter Boyle) ganha vida. Mas, na sua apresentação à comunidade científica as coisas correm mal, e o monstro foge numa senda de destruição. Tal leva a população da vila vizinha, comandada pelo Inspector Kemp (Kenneth Mars) a querer destruir Frokensteen e o seu trabalho. Resta-lhe ligar o seu cérebro ao do monstro para lhe dar alguma da sua humanidade.

O genérico inicial indica que “Frankenstein Júnior” se baseia em personagens da obra de Mary Shelley. Seria mais correcto se acrescentasse que esses personagens são inspirados no tratamento que lhes foi dado nos filmes da série da Universal, começados com “Frankenstein” (1931) de James Whale, e com Boris Karloff no papel do monstro. De facto, a história repete a do terceiro filme dessa série, “O Filho de Frankenstein” (Son of Frankenstein, 1939) de Rowland V. Lee, no qual um descendente do barão volta ao local, a início céptico, para depois continuar a obra do barão. Junta-se-lhe o personagem de Igor (originalmente interpretado por Bela Lugosi), uma invenção da Universal, não presente no livro, o mesmo sucedendo com o personagem do polícia de braço falso, que imita o anterior Inspector Krogh, interpretado por Lionel Atwill. Junte-se a isto o penteado final da noiva de Fronkensteen (Madeline Kahn), igual ao usado em “Noiva de Frankenstein” (Bride of Frankenstein, 1935) de James Whale, e o próprio design e comportamento do monstro, e são óbvias as referências aos filmes da Universal.

Filmado a preto e branco, numa fotografia suficientemente granulada para nos fazer recuar no tempo (e usando técnicas antigas como o fade out em fecho de íris, as cortinas e dissolvências para negro), “Frankenstein Júnior” remete imediatamente para esse passado do cinema, com os seus clichés e fascínios, desde o castelo cuja silhueta recorta a linha do horizonte, até aos aldeões temerosos e sempre à beira da revolta. Brooks conseguiu inclusivamente o uso do material originalmente desenhado por Ken Strickfaden para equipar o laboratório dos filmes da Universal, o que ajudou ao ambiente perfeito do interior do castelo. Nesse espaço domina Gene Wilder, com o seu Frankenstein (que ele insiste em pronunciar Fronkensteen) sempre nervoso e saltitante, a um passo da histeria que se confunde com entusiasmo.

O filme é Wilder, na sua capacidade para nos fazer rir, ou simplesmente acreditar nos dilemas do seu personagem. Isto, até Peter Boyle entrar em cena com um monstro bastante perto do original, no entanto capaz de se auto-parodiar, como na sequência de apresentação à comunidade científica que, como só Mel Brooks poderia imaginar, é uma sequência musical de sapateado (o célebre “Puttin’ on the Ritz”, popularizado por Fred Astaire, entre outros). Outros gags famosos incluem as reacções de pânico dos cavalos sempre que o nome da personagem de Cloris Leachman, a corcunda móvel de Marty Feldman, ou as cantorias como clímax sexual de Madeline Kahn.

Com um elenco abrilhantado pelo imprevisível e desconcertante Marty Feldman, e pela presença de Madeline Kahn, cada vez mais moldada por Brooks, e aqui responsável pelo humor de insinuações sexuais, “O Filho de Frankenstein” é uma divertida paródia, que não se inibe de desconstruir todos os momentos mais dramáticos da história original, para isso insiste (talvez um pouco demais), em passar por todas as cenas icónicas, como a menina atirada ao rio, e o velho cego na cabana da floresta (Gene Hackman). Essa colagem retira um pouco de espontaneidade, num filme para o qual havia demasiadas ideias (e que levou a uma montagem inicial com o dobro da duração).

“Frankenstein Júnior” foi, em 2007, adaptado aos palcos como musical na Broadway, tendo Roger Bart e Shuler Hensley nos papéis principais. As exibições duraram dois anos, num total de cerca de 500 actuações.

O filme foi nomeado para dois Oscars (Argumento e Som) e dois Globos de Ouro (Melhor Actriz – Leachman, e Melhor Actriz Secundária – Kahn). Foi ainda premiado nos Saturn Awards, dedicados a fantasia e terror, e tem sido desde então integrado em muitas listas de melhores comédias de sempre.

Produção:

Título original: Young Frankenstein; Produção: Gruskoff/Venture Films / Crossbow Productions / Jouer Limited; País: EUA; Ano: 1974; Duração: 105 minutos; Distribuição: Twentieth Century-Fox Film Corporation; Estreia: 15 de Dezembo de 1974 (EUA).

Equipa técnica:

Realização: Mel Brooks; Produção: Michael Gruskoff; Argumento: Gene Wilder, Mel Brooks [a partir do livro “Frankenstein” de Mary Shelley]; Música: John Morris; Orquestração: John Morris, Jonathan Tunick; Solos de Violino: Gerry Vinci; Fotografia: Gerald Hirschfeld [filmado em Panavision, preto e branco]; Montagem: John C. Howard; Design de Produção: Dale Hennesy; Cenários: Robert De Vestel; Figurinos: Dorothy Jeakins; Caracterização: William Tuttle; Efeitos Especiais: Henry Millar Jr., Hal Millar; Direcção de Produção: Frank Baur.

Elenco:

Gene Wilder (Dr. Frankenstein), Peter Boyle (O Monstro), Marty Feldman (Igor), Cloris Leachman (Frau Blücher), Madeline Kahn (Elizabeth), Teri Garr (Inga), Kenneth Mars (Inspector Kemp), Richard Haydn (Herr Falkstein), Liam Dunn (Mr. Hilltop), Danny Goldman (Estudante de Medicina), Oscar Beregi Jr. (Carcereiro), Arthur Malet (Ancião da Aldeia), Anne Beesley (Menina), Monte Landis (Ladrão de Túmulos), Rusty Blitz (Ladrão de Túmulos), John Madison (Aldeão), Richard A. Roth (Adjunto do Inspector Kemp), Gene Hackman (Velho Cego).

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