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Blazing SaddlesBart (Cleavon Little) é um negro que trabalha nos caminhos-de-ferro, até ao dia em que é preso por agredir o capataz Taggart (Slim Pickens). Ao mesmo tempo, perante a necessidade de a linha férrea atravessar uma cidade, Hedley Lamarr (Harvey Korman), que dirige os caminhos-de-ferro, envia Taggart e os seus homens para massacram a população e obrigá-la a fugir. Estes pedem ao governador (Mel Brooks) um novo xerife, e o governador, manipulado por Lamarr, envia-lhes o próprio Bart, pois como negro nunca será aceite. Ao chegar, Bart nota toda a hostilidade, tendo de convencer a população que está do seu lado, para o que conta apenas com a ajuda do bêbedo residente, o ex-pistoleiro Jim (Gene Wilder). E onde as pistolas não vencem, resta a Lamarr enviar contra Bart a sua última arma, a cantora de cabaret, Lili Von Shtupp (Madeline Kahn).

Análise:

Pela primeira vez com um grande estúdio por detrás, Mel Brooks realizou o seu terceiro filme, que seria uma paródia ao velho western, o género mais amado do público norte-americano. Filmando agora em Panavision, o formato que melhor serve o western, Brooks, com um argumento escrito a muitas mãos, voltava a contar com Gene Wilder, um cameo de Dom DeLuise e estreava Madeline Kahn, que se tornaria uma das suas actrizes preferidas.

Mas o protagonista é Bart (Cleavon Little), um negro que, por o ser, trabalha quase como escravo nos caminhos-de-ferro, é condenado à forca por uma simples agressão, e acaba xerife numa cidade racista. Tudo porque Hedley Lamarr (Harvey Korman), o chefe dos caminhos-de-ferro, quer que a linha passe uma cidade, e ao atormentar os cidadãos com bandidos, estes pedem um novo xerife ao governador (Mel Brooks). Este, um imbecil facilmente manipulável, concorda em enviar a escolha de Lamarr (que os personagens insistem em chamar Hedy Lamarr), um xerife negro, que por isso nunca será aceite.

Mas, apesar de uma má primeira impressão, ao vencer ardilosamente a primeira arma de Lamarr, o gigante Mongo (Alex Karras), Bart, ajudado pelo pistoleiro alcoólico Jim (Gene Wilder), vai ganhar o respeito da população. Resta a Lamarr a sua mais perigosa arma, a cantora de saloon Lili Von Shtupp (Madeline Kahn). Mas esta vai-se apaixonar imediatamente por Bart, pelo que Lamarr decide-se por uma invasão violenta da cidade, a qual será vencida pela astúcia de Bart.

Como paródia que é, “Balbúrdia no Oeste” brinca com os clichés do western (desde o genérico inicial que lembra a série de televisão “Bonanza”), misturando-os quase todos numa só história. Assim temos conflitos raciais, a mulher fatal do saloon ao estilo de Marlene Dietrich, o pistoleiro caído em desgraça, o avanço dos caminhos-de-ferro, os índios (que falam em yiddish), uma cidade sem lei, etc. Tudo com os devidos anacronismos, onde o negro é obviamente uma pessoa com cultura urbana, num mundo tradicional a lembrar o sul dos actuais Estados Unidos, e onde não faltam as constantes referências e piadas ao judaísmo.

Como enredo, lembramo-nos imediatamente de “Rio Bravo” (1959), de Howard Hawks, pela ideia da cidade sitiada, e do pistoleiro bêbedo como único apoio do herói (em Hawks, Dean Martin, agora Gene Wilder), e de “Os Marx no Far West” (Go West, 1940) de Edward Buzzell, ele próprio uma paródia ao western, e lidando com propriedades, caminhos-de-ferro, e bandidos incompetentes. Toda a atmosfera de desenho animado de “Balbúrdia no Oeste”, parece evocativa dos Marx e claro dos desenhos da Warner Bros. cuja música Looney Tunes é mesmo usada no filme.

O que fica por entre o caos e o politicamente incorrecto, é um conjunto de cenas separadas, como sketches independentes (as areias movediças, o governador, a chegada à cidade, Mongo, o saloon, os índios, o ataque final, etc.) de humor absurdo e réplicas anacrónicas, linguagem grosseira, e quebras da quarta parede. Não faltam mesmo os momentos em que saímos de dentro do filme para vermos, por exemplo, a orquestra de Count Basie tocar “April in Paris” enquanto os personagens passam na pradaria, um exército alemão da Segunda Guerra Mundial, e uma invasão de universos quando o elenco do filme atravessa estúdios de Hollywood, interferindo na gravação de números musicais da Broadway (com Dom DeLuise como pretenso encenador).

Passando por alguns problemas na produção, como um guião demasiado ousado para os produtores, o colapso de Gig Young (no papel que seria de Gene Wilder) durante as filmagens, e incapacidade de Richard Pryor (um dos argumentistas e primeira escolha para o papel principal) em manter-se sóbrio para representar, “Balbúrdia no Oeste” foi denegrido por muitos, devido à sua linguagem, cenas de flatulência, violência contra cavalos e o uso da palavra “nigger”. Acabou, no entanto, por ser elogiado por muitos críticos como expoente da comédia anárquica, à luz dos melhores Marx, de um Woody Allen inicial, ou do melhor da dupla Bob Hope e Danny Kaye.

Como não podia deixar de ser a banda sonora inclui vários temas de Mel Brooks, “I’m Tired”, “The French Mistake”, “The Ballad of Rock Ridge” e a canção-título, a qual foi cantada por Frankie Laine, um cantor popular, que não sabia que estava a participar numa paródia.

“Balbúrdia no Oeste” mereceria três nomeações aos Oscars da Academia, Melhor Actriz Secundária (Madeline Kahn), Melhor Montagem e Melhor Canção Original, e duas aos BAFTA, Melhor Argumento, e Melhor Novo Actor (Cleavon Little). Venceria ainda o troféu da Writers Guild of America para Melhor Argumento Original de Comédia.

Produção:

Título original: Blazing Saddles; Produção: Crossbow Productions; País: EUA; Ano: 1974; Duração: 89 minutos; Distribuição: Warner Bros.; Estreia: 7 de Fevereiro de 1974 (EUA).

Equipa técnica:

Realização: Mel Brooks; Produção: Michael Hertzberg; Argumento: Mel Brooks, Norman Steinberg, Andrew Bergman, Richard Pryor, Alan Uger; História: Andrew Bergman; Música: John Morris; Orquestração: Jonathan Tunick, John Morris; Fotografia: Joseph F. Biroc [filmado em Panavision, cor pot Technicolor]; Montagem: John C. Howard, Danford B. Greene; Design de Produção: Peter Wooley; Cenários: Morris Hoffman; Figurinos: Vittorio Nino Novarese; Caracterização: Alan Fama, Terry Miles; Efeitos Especiais: Douglas Pettibone; Coreografia: Alan Johnson; Direcção de Produção: William P. Owens.

Elenco:

Cleavon Little (Bart), Gene Wilder (Jim), Slim Pickens (Taggart), Mel Brooks (Governador William J. Lepetomane / Chefe Índio), Harvey Korman (Hedley Lamarr), Madeline Kahn (Lili Von Shtupp), David Huddleston (Olson Johnson), Liam Dunn (Rev. Johnson), Alex Karras (Mongo), John Hillerman (Howard Johnson), George Furth (Van Johnson), Jack Starrett [como Claude Ennis Starrett Jr.] (Gabby Johnson), Carol Arthur (Harriett Johnson), Richard Collier (Dr. Sam Johnson), Charles McGregor (Charlie), Don Megowan (Apresentador no Saloon), Robyn Hilton (Miss Stein), Karl Lukas (Assassino), Dom DeLuise (Buddy Bizarre), Burton Gilliam (Lyle).

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