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The Twelve ChairsNa Rússia pós-revolução, quando a sua sogra morre, o agora pobre Ippolit Vorobyaninov (Ron Moody) é informado por ela de que as jóias da família foram escondidas numa de doze cadeiras da mobília do seu antigo palácio. Ippolit dispõe-se a procurar imediatamente o paradeiro das cadeiras, no que é ajudado pelo jovem e astuto Ostap Bender (Frank Langella). Mas ao mesmo tempo, o padre Fyodor (Dom DeLuise) que ouviu o segredo em confissão, deixa a batina e inicia a mesma busca. Uns e outro vão percorrer vários pontos da Rússia, numa corrida desenfreada para encontrar cadeira após cadeira.

Análise:

“The Twelve Chairs” recebeu em Portugal o infeliz nome de “Balbúrdia no Leste”, pois ao chegar apenas nove anos depois da estreia, foi ligado a outro título de Mel Brooks, o mais conhecido “Baldúrdia no Oeste” (Blazing Saddles, 1974). Vindo do sucesso do seu filme de estreia, “O Falhado Amoroso” (The Producers,1968), Brooks voltou a contar com o apoio de Sidney Glazier, para um segundo filme, este rodado na Jugoslávia, e que tinha como pano de fundo a ambição materialista dos russos não muito impregnados do espírito da revolução.

Brooks, ele próprio de descendência ucraniana por parte da mãe, baseou-se na obra satírica de Ilf e Petrov, editada em 1928, e adaptada inúmeras vezes, para descrever uma Rússia onde a nova prática e nomenclatura da revolução são motivos de troça, tal quanto o materialismo dos protagonistas que só acreditam no socialismo até poderem ter uma fortuna sua.

“The Twelve Chairs” é a história de Ippolit Vorobyaninov (Ron Moody), outrora um aristocrata, agora de vida humilde, que no dia na morte da sogra, recebe desta a revelação de que as suas valiosíssimas jóias foram escondidas numa cadeira de um conjunto de doze que existiam no seu palacete. Com a ajuda do astuto oportunista Ostap Bender (Frank Langella), Ippolit vai ao antigo palacete para descobrir que as cadeiras foram todas vendidas, excepto uma, entretanto roubada pelo padre Fyodor (Dom DeLuise) que ouviu o mesmo segredo em confissão, e decidiu largar a batina para se dedicar à busca do tesouro.

Anulada aquela cadeira, há que procurar as outras onze. Ostap Bender envia Fyodor para uma busca falsa na Sibéria, e com Ippolit vai seguir o verdadeiro rasto, que os leva a um museu, a uma companhia de teatro que actua num barco e por fim a um clube recreativo. Desilusão atrás de desilusão, com muitos infortúnios de viagem à mistura, Bender e Ippolit vão perceber que chegaram demasiado tarde e alguém encontrara e vendera as jóias antes deles.

Sempre em tom de sátira, e com Mel Brooks a ter um cameo, no papel do antigo criado de Ippolit, “The Twelve Chairs” é um exercício bem mais comedido que o anterior filme de Brooks. Longe do surrealismo, do humor caótico, das quebras da quarta parede, ou da lógica narrativa que marcariam tantos dos seus filmes, “The Twelve Chairs” é pouco mais que uma comédia ligeira, sátira de costumes, impregnada de muito burlesco (onde se usa mesmo a aceleração da imagem para acentuar o efeito cómico).

Acentuando um cliché de Brooks, não faltaria uma canção escrita por si, a popular “Hope for the Best (Expect the Worst)”, baseada na Dança Húngara Nº4 de Brahms, um dos momentos mais inesquecíveis do filme. Apesar das boas prestações de Ron Moody, Frank Langella (este estreando-se em cinema) e Dom DeLuise (que se tornaria actor habitual nos filmes de Brooks), nenhum deles é verdadeiramente notável. O papel de Moody terá sido primeiramente oferecido a Gene Wilder e Alastair Sim, enquanto o de Dom DeLuise fora pensado para Peter Sellers.

Ao contrário do anterior “O Falhado Amoroso”, “The Twelve Chairs” foi um fracasso de bilheteira, levando Brooks a procurar uma mudança no seu tipo de humor.

Produção:

Título original: The Twelve Chairs; Produção: Crossbow Productions / The Twelve Chairs Company; Produtor Executivo: Sidney Glazier; País: EUA; Ano: 1970; Duração: 93 minutos; Distribuição: Universal Marion Corporation (UMC); Estreia: 28 de Outubro de 1970 (EUA), 24 de Novembro de 1979 (Portugal).

Equipa técnica:

Realização: Mel Brooks; Produção: Michael Hertzberg; Argumento: Mel Brooks [a partir do livro novel “Dvenadtsat stulyev” de Ilya Ilf e Yevgeni Petrov]; Música: John Morris; Orquestração: John Morris, Jonathan Tunick; Fotografia: Djordje Nikolić [cor por Movielab]; Montagem: Alan Heim; Direcção Artística: Mile Nickolić; Figurinos: Ruth Myers; Caracterização: George Partleton; Direcção de Produção: Fred Gallo, Ante Milić.

Elenco:

Ron Moody (Ippolit Vorobyaninov), Frank Langella (Ostap Bender), Dom DeLuise (Padre Fyodor), Andréas Voutsinas (Nikolai Sestrin), Diana Coupland (Madam Bruns), David Lander (Engenheiro Bruns), Vlada Petric (Sevitsky), Elaine Garreau (Claudia Ivanovna), Robert Bernal (Director do Museu), Will Stampe (Guarda Nocturno), Bridget Brice (Rapariga), Nicholas Smith (Actor na Peça de Teatro), Rada Djuricin (Actriz na Peça de Teatro), Branka Veselinovic (Natasha), Mladen ‘Mladja’ Veselinovic (Camponês), Mel Brooks (Tikon).

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