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Tinker, Tailor, Soldier, SpyApós missão falhada na Hungria, na qual o agente Jim Prideaux (Mark Strong) é enviado por Control (John Hurt) em busca da informação sobre uma possível toupeira no MI6, Control é forçado a retirar-se, e com ele George Smiley (Gary Oldman). Mas a morte de Control vem lançar de novo a questão sobre a toupeira, e Smiley é secretamente encarregado de investigar aqueles de quem Control desconfiava, Percy Alleline (Toby Jones), Toby Esterhase (David Dencik), Roy Bland (Ciarán Hinds) e Bill Haydon (Colin Firth), os quais lidam com o desertor russo Polyakov (Konstantin Khabenskiy), que poderá afinal ser um agente duplo.

Análise:

Já anteriormente adaptado à televisão, o livro de John le Carré, “Tinker, Tailor, Soldier, Spy” (publicado em 1974), foi pela primeira vez motivo de adaptação ao cinema na co-produção europeia de 2011, liderada pela Working Title, a partir de uma ideia de Peter Morgan. A realização coube ao sueco Tomas Alfredson, conhecido pelo seu pouco convencional filme de vampiros “Deixa-me Entrar” (Låt den rätte komma in, 2008), e aqui pela primeira vez num filme em língua inglesa.

Centrado na figura de George Smiley (interpretado por Gary Oldman, depois de 18 meses de casting), “A Toupeira” é uma história de contra-espionagem passada em plena Guerra Fria, tendo como fulcro a procura de um espião soviético no seio do MI6, e baseando-se nalguns factos reais. Foi o primeiro livro de le Carré na sua trilogia “Quest for Karla”, seguido de “The Honourable Schoolboy” (1977) e de “Smiley’s People” (1979).

Tudo começa com uma missão falhada na Hungria, na qual o agente Jim Prideaux (Mark Strong) é enviado por Control (John Hurt) em busca da informação sobre um possível traidor no MI6. O aprisionamento de Prideaux leva à conclusão que Control se excedeu, e é demitido, levando consigo George Smiley, o seu homem de confiança. Mas a morte de Control vem lançar de novo a questão sobre o espião no MI6. Smiley é então encarregado de conduzir uma investigação secreta sobre aqueles de quem Control desconfiava, Percy Alleline (Toby Jones), Toby Esterhase (David Dencik), Roy Bland (Ciarán Hinds) e Bill Haydon (Colin Firth).

Atormentado pela ideia da reforma e seu estado obsoleto, a morte do amigo Control que o chegou a colocar no grupo de suspeitos, e a traição da esposa com Haydon, Smiley vai pôr de lado todas as emoções para jogar o jogo até ao fim, e descobrir quem no MI6 é a toupeira. Para isso recruta Peter Guillam (Benedict Cumberbatch), e começa a investigar tanto a chegada ao MI6 do espião russo Polyakov (Konstantin Khabenskiy), que ele suspeita que seja um agente duplo, como o desaparecimento do operativo do MI6, Ricki Tarr (Tom Hardy), tratado como desertor, depois de ter sido ele a informar haver uma toupeira no MI6. Tudo num jogo de nervos com os suspeitos e de reminiscências pelo desenterrar de um passado recente que possa trazer à tona indícios antes não considerados.

Como habitual nas histórias de John le Carré, “A Toupeira” baseia-se num extremo realismo de comportamentos e factos, deixando de lado toda a acção, espectacularidade e romantismo que muitas vezes inundam os filmes de espionagem. Centrando-se nas subtilezas do argumento, perfil psicológico dos protagonistas, e no jogo de gato e de rato que é o deslindar de pistas e ideias, o filme de Tomas Alfredson é assim fiel ao universo do mais famoso autor de romances de espionagem. Até a nível de fotografia, Alfredson baseou-se no que de mais clássico havia nas adaptações de le Carré, com uma palette pouco colorida, e ambientes sombrios, sujos e húmidos, ou então com um garrido a lembrar os a lembrar os anos 70 (como por exemplo a laranja sala de Control no MI6).

Desse modo o filme é, basicamente, o personagem de George Smiley, como se mais importante que descobrirmos o mistério, fosse apercebermo-nos de como Smiley se comporta perante os acontecimentos (traição da mulher, reforma forçada, morte de Control, suspeitas de espionagem interna, pesquisa detectivesca para descobrir a toupeira). E falar de Smiley é falar de Gary Oldman, um actor consagrado, mas sem prémios de destaque, e que veria com este filme uma nomeação aos Oscars da Academia. Tendo privado directamente com le Carré para lhe capturar alguns maneirismos, e estudado o personagem, em parte inspirando-se no papel televisivo de Alec Guiness, Oldman compõe um Smiley que nos desconcerta pelo modo frio como reage, pela sua controladamente inexistente expressividade, num minimalismo de comportamentos e palavras que é tão drástico quanto o é o turbilhão de emoções que nele conseguimos adivinhar.

Por outro lado, o aspecto mais negativo de “A Toupeira” poderá ser o reflexo de Smiley. A sua estoicidade e comportamento espartano trespassam para todo o filme, tornando-o um exercício contemplativo, onde Alfredson quer que, mais do que nos dediquemos a exercícios intelectuais, estudemos o enredo nos rostos dos intervenientes (para o que nos dá ainda vastos flashbacks). Por isso “A Toupeira” é um filme feito de tempos, de esperas, de travellings delicados, de olhares e de silêncios, através dos quais vamos delineando uma história feita de muita paciência. Mas com um elenco vastíssimo de actores consagrados, fica por vezes a impressão de que não há espaço para um desenvolvimento adequado dos seus personagens.

Como curiosidade o facto de o título do livro se basear na lenga-lenga infantil “Tinker, Tailor, Soldier, Sailor, Rich Man, Poor Man, Beggar Man, Thief”. Note-se como o personagem de Mark Strong, ao ver Smiley no campus escolar pergunta se será um pedinte ou um ladrão.

O filme recebeu imensas nomeações e prémios internacionais. Entre elas três nomeações para os Oscars, nas categorias de Melhor Argumento Adaptado, Melhor Banda Sonora e Melhor Actor (Gary Oldman). A estas juntaram-se doze nos BAFTA, das quais venceria três, Filme Inglês, Argumento Adaptado, e Contribuição Extraordinária Para o Cinema (John Hurt).

Produção:

Título original: Tinker, Tailor, Soldier, Spy; Produção: Working Title Films / StudioCanal / Karla Films / Paradis Films / Kinowelt Filmproduktion / Canal+ / CinéCinéma; Produtores Executivos: Debra Hayward, Liza Chasin, Olivier Courson, Ron Halpern, John le Carré, Peter Morgan, Douglas Urbanski, Wolfgang Braun; País: França / Reino Unido / Alemanha; Ano: 2011; Duração: 122 minutos; Distribuição: StudioCanal (Reino Unido), Focus Features (EUA); Estreia: 5 de Setembro de 2011 (Festival de Veneza, Itália), 16 de Setembro de 2011 (Reino Unido), 22 de Dezembro de 2011 (Portugal).

Equipa técnica:

Realização: Tomas Alfredson; Produção: Tim Bevan, Eric Fellner, Robyn Slovo; Co-Produção: Alexandra Ferguson; Argumento: Bridget O’Connor, Peter Straughan [baseado no livro homónimo de John le Carré]; Música: Alberto Iglesias; Supervisão Musical: Nick Angel; Fotografia: Hoyte Van Hoytema [Digital, em Panavision]; Montagem: Dino Jonsäter; Design de Produção: Maria Djurkovic; Direcção Artística: Tom Brown, Mark Raggett, Zsuzsa Kismarty Lechner (Budapeste), Denis Göktürk (Istambul); Cenários: Tatiana Macdonald, Zsuzsa Mihalek (Budapeste), Jille Azis (Istambul); Figurinos: Jacqueline Durran; Caracterização: Felicity Bowring, Lizzie Lawson (Budapeste), Haide Hildegard (Budapeste), Ebru Kiziltan (Istambul); Efeitos Especiais: Mark Holt, Gábor Kiszelly (Budapeste); Efeitos Visuais: Sirio Quintavalle; Direcção de Produção: Tim Wellspring, Artist W. Robinson (Budapeste), György Sánta (Budapest), Alex Sutherland (Istambul), Berk Bengu (Istambul), Zeynep Santiroglu (Istambul).

Elenco:

Gary Oldman (George Smiley), Kathy Burke (Connie Sachs), Benedict Cumberbatch (Peter Guillam), David Dencik (Toby Esterhase), Colin Firth (Bill Haydon), Stephen Graham (Jerry Westerby), Tom Hardy (Ricki Tarr), Ciarán Hinds (Roy Bland), John Hurt (Control), Toby Jones (Percy Alleline), Simon McBurney (Oliver Lacon), Svetlana Khodchenkova (Irina), Konstantin Khabenskiy (Polyakov), Roger Lloyd Pack (Mendel), Christian McKay (Mackelvore), Mark Strong (Jim Prideaux), Zoltán Mucsi (Espião Húngaro), Péter Kálloy Molnár (Criado Húngaro), Ilona Kassai (Mulher à Janela), Imre Csuja (Agente do KGB), Arthur Nightingale (Bryant), Amanda Fairbank-Hynes (Belinda), Peter O’Connor (Fawn), Matyelok Gibbs (Mrs. Pope Graham), Phillip Hill-Pearson (Norman), Jamie Thomas King (Kaspar), Stuart Graham (Ministro), Sarah Jane Wright (Mary Alleline), Katrina Vasilieva (Ann Smiley), Linda Marlowe (Mrs. McCraig), William Haddock (Bill Roach), Erksine rksine Wylie (Spikeley), Philip Martin Brown (Tufty Thesinger), Tomasz Kowalski (Boris), Alexandra Salafranca (Amante Turca), Denis Khoroshko (Ivan), Oleg Dzhabrailov (Sergei), Gillian Steventon (Mulher à Escuta), Nick Hopper (Contínuo Alwyn), Laura Carmichael (Sal), Rupert Procter (Namorado de Guillam), John le Carré (Convidado na Festa de Natal), Michael Sarne (Voz de Karla), Jean-Claude Jay (Francês na Residência), Tom Stuart (Ben).