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EnigmaQuando a CIA descobre que cinco pessoas, que fugiram de Leste sob sua protecção, estão para ser assassinadas, procura uma forma de descobrir quem são para as poder salvar. Para isso, Alex Holbeck (Martin Sheen), também ele fugitivo da Alemanha de Leste, que trabalha no Ocidente como radialista, e é conhecido pelas suas denúncias políticas, é recrutado para ir a Berlim Oriental roubar uma máquina de codificação “Enigma”, que permitirá aos ocidentais descobrir os nomes a proteger. Embora relutante, Holbeck aceita a missão pois será forma de rever Karen (Brigitte Fossey), a mulher que deixou para trás. Mas já informados, e à sua espera, estão o colérico chefe da polícia secreta da Alemanha Oriental, Kurt Limmer (Derek Jacobi), com contas pessoais a ajustar com Holbeck, e o calculista soviético Dimitri Vasilikov (Sam Neill).

Análise:

A Guerra Fria foi o motivo que originou o filme “Enigma”, baseado no livro “Enigma Sacrifice” de Michael Barak. Realizado por Jeannot Szwarc, um realizador até aí conhecido quase apenas pelo seu trabalho televisivo, “Enigma” vive da atmosfera de paranóia e medo que ainda era bem real no início dos anos 80, quando a corrida aos armamentos e a ameaça nuclear faziam parte do braço de ferro entre Estados Unidos e União Soviética.

Tudo começa quando Alex Holbeck (Martin Sheen), um fugitivo da Alemanha de Leste, que trabalha no Ocidente como radialista empenhado em denunciar o regime comunista alemão, é contactado pela CIA. Estes, na pessoa de Bodley (Michel Lonsdale), pedem-lhe que vá a Berlim Oriental, onde, com os seus conhecimentos locais, consiga roubar uma máquina de codificação/descodificação de mensagens “Enigma”, que permita saber que dissidentes de Leste são alvo dos soviéticos. Para que a máquina continue a ser usada, Holbeck deve ainda simular um acidente em que pareça que a ela foi queimada, e não roubada.

Holbeck aceita, principalmente porque isso lhe dará a oportunidade de rever Karen (Brigitte Fossey), a mulher com quem deixou uma relação a meio. Mas o que ele não sabe é que na CIA não precisa da máquina, e a verdadeira razão da missão é deixar os soviéticos pensar que os americanos não têm a solução da Enigma, quando de facto já têm uma. Holbeck é portanto apenas um isco enviado para ser capturado, em nome do grande jogo de bastidores. À sua espera terá o colérico alemão oriental Kurt Limmer (Derek Jacobi), homem da polícia secreta com contas a ajustar com Holbeck, e o frio e inteligente soviético Dimitri Vasilikov (Sam Neill).

Seguindo a lógica televisiva, “Enigma” é um filme que respeita os tempos onde colocar cliffhangers, e os intervalos de criação de suspense. Acompanhando a perspectiva de Alex Holbeck, o filme é guiado por Martin Sheen, cuja expressão de força, convicção, precaução, medo, e mesmo asco pelo que vê, definem os estados de espírito que se pretendem no filme.

É uma história que se pretende cerebral, fria, e paciente, como o terá de ser a missão de Holbeck. Tal como ela, “Enigma” obriga-nos a lidar com a emoção (presente principalmente nas ameaças e sofrimento de Karen, que pelo “greater good” tem de se oferecer a Vasilikov), e a esperar pacientemente a solução do golpe maquinado por Holbeck.

Nessa espera vamos conhecendo as ruas frias, escuras e húmidas de Berlim, de aspecto inóspito e ameaçador, como fica bem no tom politizado do filme. Nele os maus são mesmo maus (o personagem de Derek Jacobi chega a see caricatural, não admirando o fim quase de desenho animado que o espera). A excepção é multidimensional Vasilikov, interpretado por um muito jovem Sam Neill, que compõe o mais interessante personagem do filme. De resto fica sempre uma impressão de estarmos perante um episódio da série “Missão Impossível” com o silencioso e calculista Martin Sheen a parecer uma peça bem oleada da máquina MIF.

“Enigma” vale pela caracterização da cidade e de uma era onde a paranóia e guerra surda existiu de facto em grande peso, mesmo que o seu uspense e twists sejam demasiado leves e previsíveis, não o conseguindo tornar um filme importante.

Produção:

Título original: Enigma; Produção: Archerwest / Filmcrest Productions / Goldcrest Films International / International Film Investors / M.G. Films / Peroquet; Produtor Executivo: Ben Arbeid; País: Reino Unido / França; Ano: 1983; Duração: 122 minutos; Distribuição: Columbia-EMI-Warner (Reino Unido), Embassy Pictures (EUA); Estreia: 28 de Janeiro de 1983 (EUA), 22 de Abril de 1983 (Portugal).

Equipa técnica:

Realização: Jeannot Szwarc; Produção: André Pergament, Peter Shaw; Argumento: John Briley [baseado no livro “Enigma Sacrifice” de Michael Barak]; Música: Douglas Gamley, Marc Wilkinson; Fotografia: Jean-Louis Picavet; Montagem: Peter Culverwell, Peter Weatherley; Design de Produção: François Comtet; Direcção Artística: Marc Frédérix; Guarda-roupa: Tanine Autré; Caracterização: Françoise Embry Kernevez, Marie-Madeleine Paris; Efeitos Especiais: Georges Iaconelli; Direcção de Produção: Suzanne Wiesenfeld.

Elenco:

Martin Sheen (Alex Holbeck), Brigitte Fossey (Karen Reinhardt),Sam Neill (Dimitri Vasilikov), Derek Jacobi (Kurt Limmer), Michael Lonsdale (Bodley), Frank Finlay (Canarsky), Warren Clarke (Konstantin), Michael Williams (Hirsch, Assistente de Limmer), David Baxt (Melton), Kevin McNally (Bruno, CIA), Michel Auclair (Médico).

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