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ScorpioApós mais uma missão na Europa, na qual a CIA planeou o assassinato de um estadista africano, como modo de guiar a política norte-americana, o agente Cross (Burt Lancaster) regressa a casa, trazendo consigo o assassino freelancer, de nome Scorpio (Alain Delon). Mas à chegada Cross percebe que tem a casa vigiada e que ele é seguido. Temendo pela sua vida, Cross foge do país, usando uma rede de velhas amizades, que cultivou com os anos e que incluem o espião soviético Zharkov (Paul Scofield). NA CIA, o chefe de Cross, McLeod (John Colicos) ordena a sua morte por traição, contratando para isso o próprio Scorpio, o qual não está seguro da traição de Cross, nem das razões da CIA.

Análise:

Michael Winner, um realizador ligado a filmes de acção e aventura durante os anos 60 e 70, em particular à carreira de duro de Charles Bronson, realizou em 1973 um thriller de espionagem passado durante a Guerra Fria, com outro dos duros de Hollywood, aqui já na curva descendente da sua carreira, Burt Lancaster.

A partir de uma história de David W. Rintels, Winner conta-nos as acções da CIA, no modo como planeia assassinatos para gerir a sua política externa. Protagonista dessas acções é Cross (Burt Lancaster), um espião da velha guarda, que vemos numa missão com o atirador contratado, o freelancer de nome Scorpio (Alain Delon). Mas ao regressar a casa, Cross percebe que passou a ser ele alvo a abater pela sua agência e pelo seu chefe McLeod (John Colicos), por uma pretensa suspeita de que possa ter passado para o lado soviético. Com a casa vigiada e os seus passos seguidos, não resta a Cross senão deixar os Estados Unidos, e a esposa Sarah (Joanne Linville), indo para Viena, graças a antigas amizades que incluem o espião soviético, também da velha guarda, Zharkov (Paul Scofield).

Apercebendo-se da fuga, McLeod oferece o lugar de Cross a Scorpio, caso este o mate. Scorpio vai então encontrar Cross em Viena, num longo jogo de gato e de rato, que vai valer a morte de Sarah e o regresso de Cross para se vingar de McLeod, ao mesmo tempo que Scorpio se questiona agora sobre as motivações de cada um.

Com algumas cenas de acção arrojadas (em particular uma longa perseguição de Delon a Lancaster que decorre sem palavras, e que constitui o momento mais inesquecível do filme), fazendo jus à fama de Winner e às qualidades de acrobata de Lancaster que que (aos 60 anos) foi duplo de si próprio neste filme, “Escorpião” aposta tanto no suspense de uma perseguição, como no descrever de um mundo onde ninguém é inocente e todos são, no fundo, criminosos sem escrúpulos. Contra este mundo detecta-se ainda algum romantismo, de espiões de luvas e códigos de honra, como patente na relação entre Cross e Zharkov. É quase a nostalgia de um mundo de cavalheiros, já perdido, substituído por outro onde tudo acontece mais rapidamente, mais ruidosamente e com menos humanidade. É esse mundo que abate Sarah impiedosamente, e faz regressar Cross para um ajuste final de contas contra o homem que em “Escorpião” representa o mal, o director da CIA.

Embora o filme tenha o seu nome, Scorpio acaba por ser apenas uma peça na engrenagem que se centra no capturar de Cross. Procurando conhecimento e um lugar, Scorpio representa a nova geração, acabando vítima de jogos que não domina, ainda que seja o único a compreender e a adivinhar os passos de Cross. Nesse sentido “Escorpião” é também um filme sobre amizades e lealdades, e aquilo que as testa e põe à prova, tanto quanto o é sobre um mundo em decomposição, de decisões tomadas em gabinetes obscuros e levadas a cabo por pessoas autómatas seguindo regras que não compreendem nem questionam.

Com uma realização segura, Winner consegue manter os passos dos protagonistas sempre interessantes, ao mesmo tempo que se diverte a jogar com algumas referências do cinema do género. Notem-se, por exemplo, alguns dos planos em Viena que são uma verdadeira homenagem a “O Terceiro Homem” (The Third Man, 1949) de Carol Reed.

Produção:

Título original: Scorpio; Produção: The Mirisch Corporation / Scimitar Films Productions; País: EUA; Ano: 1973; Duração: 110 minutos; Distribuição: United Artists; Estreia: 19 de Abril de 1973 (EUA), (Portugal).

Equipa técnica:

Realização: Michael Winner; Produção: Walter Mirisch; Argumento: David W. Rintels, Gerald Wilson [baseado numa história de David W. Rintels]; Música: Jerry Fielding; Fotografia: Robert Paynter [cor por Technicolor]; Montagem: Michael Winner [não creditado], Frederick Wilson; Direcção Artística: Herbert Westbrook; Guarda-roupa: Philippe Pickford; Caracterização: Richard Mills; Direcção de Produção: James Crawford, Laci von Ronay, David Silver.

Elenco:

Burt Lancaster (Cross), Alain Delon (Jean ‘Scorpio’ Laurier), Paul Scofield (Zharkov), John Colicos (McLeod), Gayle Hunnicutt (Susan), J. D. Cannon (Filchock), Joanne Linville (Sarah), Mel Stewart (Pick), Vladek Sheybal (Zemetkin), Mary Maude (Anne), Jack Colvin (Ladrão), James Sikking (Harris), Burke Byrnes (Morrison), William Smithers (Mitchell), Shmuel Rodensky (Lang).

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