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Our Man In HavanaJim Wormold (Alec Guiness), inglês, modesto vendedor de aspiradores na Havana de Fulgêncio Batista, onde vive com a sua filha adolescente, Milly (Jo Morrow), é contactado por Hawthorne (Noel Coward), que quer fazer dele um agente dos serviços secretos britânicos. Wormold não sabe como actuar, mas o seu amigo Dr. Hasselbacher (Burl Ives) recorda-o que os melhores segredos são os que ninguém conhece, incentivando-o a inventar relatórios e agentes para manter os cheques a chegar. Mas Wormhold é tão convincente nas suas invenções, que em breve todos acreditam nele. Os ingleses acham-no o seu melhor agente e enviam-lhe como apoio a agente Beatrice Severn (Maureen O’Hara). Quanto aos inimigos, começam a matar pessoas à sua volta, colocando a sua própria vida em perigo.

Análise:

“O Nosso Agente em Havana” foi projectado por Alfred Hitchcock como tema para um filme seu. O realizador procurou conseguir os direitos do livro, mas deparou com a recusa do autor, Graham Greene, o qual não se revia no estilo do mestre do suspense. Greene acabaria por chegar a acordo com o também consagrado inglês Carol Reed, famoso pelo thriller “O Terceiro Homem” (The Third Man, 1949) protagonizado por Orson Welles.

Baseado na experiência de Graham Greene na sua passagem, durante a Segunda Guerra Mundial, pelos Serviços Secretos britânicos, “O Nosso Agente em Havana” acaba, curiosamente por ter muito de Hitchcock e de Reed. De Hitchcock destaca-se a fleuma britânica, que faz do Jim Wormold de Alec Guiness uma espécie de irmão Roger Thornhill de “Intriga Internacional” (North by Northest, 1959), curiosamente do mesmo ano. Se isto aliarmos o humor fino subjacente aos personagens, e estarmos perante uma história de um herói inusitado que se vê arrastado para algo maior que ele, estamos em território perfeitamente hitchcockiano.

De Reed destaca-se o tom nocturno de tantas cenas, os ângulos inclinados em planos fechados, as ruas húmidas de um brilho quase irreal, e a música perene de guitarras locais, que remetem imediatamente para a estética e banda sonora do citado “O Terceiro Homem”, o qual, como dito atrás, fora também escrito por Graham Greene.

A história é a de Jim Wormold (Alec Guiness), um modesto inglês que vive em Havan, vendedor de aspiradores, cuja filha, a cada vez mais adulta e bela Milly (Jo Morrow) é o objectivo da sua vida. Vendo os perigos que Milly vive, numa cidade gerida por perigosos predadores como o Capitão Segura (Ernie Kovacs), Wormold precisa de mais dinheiro para fazer a sua filha ir estudar para a Suíça. A oportunidade surge quando o misterioso Hawthorne (Noel Coward) lhe entra pela loja e o convida a ser espião para a Inglaterra. A princípio sem saber o que pensar disso, Wormold deixa-se convencer pelo amigo, o alemão Dr. Hasselbacher (Burl Ives), de que basta inventar relatórios, e inventar agentes à sua disposição, para receber os honorários de todos.

Só que, ao entusiasmar demais Londres, com relatórios e desenhos de fantásticas armas futuristas, Wormhold vê chegar como sua nova ligação, a agente Beatrice Severn (Maureen O’Hara), a qual vai aos poucos descobrir que tudo se trata de uma fraude. O problema é que quando os relatórios de Wormhold começam a ser interceptados por inimigos, pessoas à sua volta começam a morrer, e ele próprio passa a ter a vida em perigo.

Pelo tom jocoso, e tema sarcástico, “O Nosso Agente em Havana” é uma comédia de enganos, e principalmente uma sátira ao mundo dos serviços secretos, à crescente paranóia da Guerra Fria, e paralelamente a algumas idiossincrasias inglesas. A história passa-se na Havana de Fulgêncio Batista, embora o filme tenha sido filmado (no local) logo após a revolução de Castro. Este interessou-se pessoalmente pelo projecto, fazendo Greene e Reed entregar-lhe o guião, e sugerindo alterações, com vista a uma mais exacta descrição do terror de Batista. O próprio Greene confessaria que a sua ênfase na sátira acabou por branquear demasiado um regime de terror.

Com Alec Guiness perfeito no pacato e irrepreensível inglês, “O Nosso Agente em Havana” é uma comédia de interpretações sérias, sem caricaturismos ou comportamentos imbecis que o fizessem cair na comédia fácil. É por isso uma história inteligente, que vai prendendo à medida que se desenrola e complica, num argumento inteligentíssimo do próprio Graham Greene, que tem, ainda por cima, diálogos acutilantes de enorme criatividade.

Apesar de ser uma comédia, “O Nosso Agente em Havana”, é ainda hoje visto como uma inspiração para o género de espionagem, ajudando a celebrar o autor Graham Greene, aqui na sua terceira colaboração com Carol Reed.

Produção:

Título original: Our Man In Havana; Produção: Kingsmead Productions / Kingsmead Productions / Columbia Pictures Corporation; País: Reino Unido; Ano: 1959; Duração: 103 minutos; Distribuição: Columbia Pictures Corporation; Estreia: 30 de Dezembro de 1959 (Reino Unido).

Equipa técnica:

Realização: Carol Reed; Produção: Carol Reed; Produtor Associado: Raymond Anzarut; Argumento: Graham Greene [a partir do seu próprio livro]; Música: Frank Deniz [não creditado], Laurence Deniz [não creditado]; Fotografia: Oswald Morris [preto e branco]; Montagem: Bert Bates; Direcção Artística: John Box; Figurinos: Phyllis Dalton; Caracterização: Harry Frampton; Direcção de Produção: James H. Ware.

Elenco:

Alec Guinness (Jim Wormold), Burl Ives (Dr. Hasselbacher), Maureen O’Hara (Beatrice Severn), Ernie Kovacs (Capitão Segura), Noel Coward (Hawthorne), Ralph Richardson (‘C’), Jo Morrow (Milly Wormold), Grégoire Aslan (Cifuentes), Paul Rogers (Hubert Carter), Raymond Huntley (General), Ferdy Mayne (Prof. Sanchez), Maurice Denham (Almirante), Joseph P. Mawra [como Jose Prieto] (Lopez), Duncan Macrae (MacDougal), Gerik Schjelderup (Svenson), Hugh Manning (Polícia), Karel Stepanek (Dr. Braun), Maxine Audley (Teresa).

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