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Absolutely AnythingNeil Clarke (Simon Pegg) é um homem como tantos outros, com problemas no emprego que detesta (ensinar adolescentes que se comportam como selvagens), sem inspiração para escrever um adiado livro, e com uma paixoneta pela vizinha de baixo, a bonita Catherine (Kate Beckinsale). Mas um dia tudo muda. Quando uma sonda espacial terrestre é encontrada pelo Conselho Galáctico, é escolhido um humano a quem se dá o poder de fazer tudo o que quiser, para se perceber como a espécie humana usa esse poder. O escolhido é Neil, que vai aprender que tal poder traz mais pesadelos que sonhos.

Análise:

2014 foi o ano em que os cinco Python sobreviventes se voltaram a juntar em palco, para o que chamaram a sua última reunião, nos espectáculos londrinos na O2 Arena, “Monty Python Live (mostly): One Down, Five To Go”. Talvez fruto dessa reunião, surgiram as participações de todos eles (a primeira vez desde 1983) no novo filme escrito e realizado por Terry Jones, “Absolutely Anything – Uma Comédia Intergaláctica”.

Numa co-produção inglesa e norte-americana, e um elenco maioritariamente composto por actores britânica, Terry Jones pensou uma história cómica, com toques de ficção científica, que alguns pensam ser inspirada em “Hitchhiker’s Guide to the Galaxy” de Douglas Adams (ele também um colaborador dos Python, nos anos 70), mas que Jones confessa ser inspirada em “The Man Who Could Work Miracles” de H. G. Wells.

Apesar da participação de tantos pesos pesados da comédia britânica, onde além dos cinco Python se pode acrescentar Eddie Izzard, Sanjeev Bhaskar, Joanna Lumley e Robert Bathurst, “Absolutely Anything” é sobretudo um exercício em comédia de Simon Pegg, auxiliado pela participação vocal de Robin Williams, num filme estreado muitos meses após a morte deste.

A história, escrita por Terry Jones, não deixa de partir de uma base surreal, com uma série de criaturas extra-terrestres (que parecem saídas de pena de Terry Gilliam) a condenar a humanidade à destruição, caso um dos seus indivíduos não mostre competência para o bem, quando lhe é atribuído o poder de fazer tudo o que quiser. Sem que o saiba, e muito menos perceba porquê, Neil Clarke (Simon Pegg), um vulgar professor do ensino secundário, desmotivado com a profissão, constantemente a adiar a escrita do seu desejado livro, e sonhando nos tempos vagos com Catherine (Kate Beckinsale), a vizinha do andar de baixo, passa a poder, com um gesto da sua mão, a conseguir tudo o que quer,… ou quase.

É que Neil vai percebendo que os seus desejos acabam sempre por virar-se contra si, e é aí que reside o humor do filme. Sempre que pede algo, Neil nunca espera as consequências. Se dá voz ao seu cão (Robin Williams) porque quer saber o que ele tem para dizer, é claro que cedo se arrepende, pois o cão diz coisas que ele não quer que ninguém ouça. Se deseja que o seu amigo Ray (Sanjeev Bhaskar) seja adorado pela mulher que ele quer (Emma Pierson), não adivinha que ela torne isso numa adoração religiosa que pede já sacrifícios humanos. O rol de confusões e sarilhos é extenso e imaginativo, tornando-se contudo previsível e derivativo a partir do momento em que a trama passa a envolver Grant (Rob Riggle), o namorado ciumento de Catherine.

Com altos e baixos no nível de humor, lutando, nem sempre com sucesso, contra a previsibilidade, “Absolutely Anything” tem os seus melhores momentos na espontaneidade de Simon Pegg, e na sua capacidade para complicar o óbvio. Terry Jones consegue uma excelente direcção de actores, não fosse ele um entendido no género, mas a participação dos Python sabe a muito pouco, em papéis que cedo se esgotam. Note-se ainda um cameo do próprio Jones, como o condutor que atropela Neil, segundos antes de este se tornar todo-poderoso.>

Produção:

Título original: Absolutely Anything; Produção: Bill and Ben Productions / GFM films; Produtores Executivos: Chris Chesser, Mike Medavoy, Edward Simons, David Rogers, Mark Sandell, Jason Garrett; Co-Produtora Executiva: Angela Fuguet; País: Reino Unido / EUA; Ano: 2015; Duração: 85 minutos; Distribuição: Lionsgate (Reino Unido); Estreia: 12 de Agosto de 2015 (França, Islândia, Filipinas), 20 de Agosto de 2015 (Portugal).

Equipa técnica:

Realização: Terry Jones; Produção: Bill Jones, Ben Timlett; Co-Produção: Ken Tuohy; Produtora Associada: Margarita Doyle; Argumento: Gavin Scott, Terry Jones; Música: George Fenton; Fotografia: Peter Hannan [digital]; Montagem: Julian Rodd; Design de Produção: James Acheson; Direcção Artística: Harry Pain, Keith Pain; Cenários: Naomi Moore; Figurinos: James Acheson; Caracterização: Jane Walker; Efeitos Especiais: Bob Hollow; Efeitos Visuais: Paddy Eason; Director de Produção: Emily Beddard.

Elenco:

Kate Beckinsale (Catherine), Simon Pegg (Neil Clarke), Sanjeev Bhaskar (Ray), Rob Riggle (Grant), Robin Williams (Dennis – Voz), John Cleese (Conselho Extraterrestre – Voz), Terry Gilliam (Conselho Extraterrestre – Voz), Eric Idle (Conselho Extraterrestre – Voz), Terry Jones (Conselho Extraterrestre – Voz), Michael Palin (Conselho Extraterrestre – Voz), Joanna Lumley (Fenella), Emma Pierson (Miss Pringle), Robert Bathurst (James Cleverill), Eddie Izzard (Director da Escola), Meera Syal (Fiona), Alexa Davies (Vendedora de Salsichas), Ryan Oliva (Segurança do Presidente).